Com novo corte da Selic, dólar pode chegar à faixa dos R$ 6,00

Paulo Filipe de Souza
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Basta uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em reduzir a taxa Selic para grandes e importantes mudanças no mercado. A Selic é a taxa básica de juros brasileira e poucos minutos após o anúncio do sétimo corte seguido, o mercado já se movimentava.

Nesta quinta-feira (7), às 13h25, o dólar comercial operava com alta de 2,02%, cotado a R$ 5,8169 na compra e a R$ 5,8174 na venda.

Na máxima, o dólar tocou hoje os R$ 5,8768.

Com queda da Selic, bancos privados como o Itaú e Bradesco já anunciaram que vão reduzir a taxa de juros de algumas linhas de crédito. Outras instituições devem seguir a linha e tornar mais barato o acesso a crédito no país.

Mas esse não é o único reflexo que a redução traz. O sétima corte consecutivo na taxa básica de juros, apesar de não ser uma surpresa, não era a expectativa de parte dos analistas.

A selic tem um papel importante na economia. Um corte acaba facilitando o acesso ao crédito e incentiva o consumo. Mas esse mesma redução pode repelir investimentos estrangeiros.

A nova mínima histórica

A poupança, o principal investimento dos brasileiros, terá o menor rendimento da história. Com o corte na Selic, a poupança deve render 2,1% ao ano. Antes do corte, a rentabilidade era de 2,63% ao ano.

Mas não é só a poupança que é afetada, o Tesouro Selic 2025, por exemplo, teve uma queda na rentabilidade bruta também. Antes, o rendimento era de 3,78% e agora passa para casa dos 3,03% ao ano.

As Debêntures são um dos ativos mais afetados. O investimento rendia antes do corte 4,95% e passa a render 3,96%.

O sonho de rendimento de 1% ao mês, passou a ficar cada vez mais distantes. Agora, descontando a inflação, alguns investimentos vão entregar cerca de 1% ao ano.

Mais que nunca, antes de investir em renda fixa vai precisar ser comparados em relação à inflação e não apenas ao CDI que segue a taxa Selic. Exercício que o investidor tem feito desde 2017. Desde lá o Copom vem fazendo cortes e renovando as mínimas históricas.

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Como a redução deve impactar o dólar

Ouro e dólar são dois investimentos conhecidos como de segurança. Em momentos de crise, eles costumam sofrer o oposto que acontece com o mercado de ações. Se valorizando em momentos risco e desvalorizando quando há maior segurança.

O cenário de juros baixos e com um novo corte contribui para a alta do dólar por meio da prática de carry trade — quando o investidor ganha com a diferença do câmbio e do juros.

Em resumo, o carry trade é quando o investidor pega dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior.

Com uma taxa de juros baixa o Brasil fica menos atrativo para o investidor trazer capital para aplicar no país.

Assim, esse dinheiro não entra no mercado brasileiro. Isso acaba por pressionar o real, que se desvaloriza. Sem contar, que o país vive um enfrentamento de uma pandemia e conflitos políticos que também acabam ajudando a aumentar o risco de trazer investimentos para o Brasil.

Além disso, analistas já projetam que até o final de 2020 a taxa Selic passe por cortes e atinja a marca de 2,75%. Por isso, o real tende a se desvalorizar. Os mesmos analistas já projetam aumento no dólar e essa é uma das explicações de porque a moeda deve chegar a custar R$ 6,00 este ano.