Novo balanço: ações do governo custarão R$ 350 bi para conter pandemia

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Foto: Novo balanço: ações do governo custarão R$ 350 bi para conter pandemia

Levantamento do ministério da Economia indica um novo volume financeiro para conter os impactos do coronavírus. O balanço foi revisado para R$ 350 bilhões neste ano.

Os dados foram apresentados na sexta-feira (1) e o cálculo é um valor estimado, podendo variar para mais ou para menos, conforme o governo.

No balanço anterior, divulgado em 17 de abril, o custo estava estimado em R$ 285 bilhões.

Segundo o ministério, entre os novos custos, estão transferências ao Fundo Nacional da Saúde, gastos maiores com o auxílio aos Estados e municípios, com o auxílio emergencial de R$ 600, e com o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.

Até o momento, foram gastos efetivamente cerca de R$ 60 bilhões nas ações, de acordo com o Tesouro Nacional.

Para o ministério da Economia, essa é a maior crise das últimas cinco décadas. Precisa de celeridade nas ações implementadas e em elaboração pelo governo, em conjunto com o Congresso.

Inclusive, o governo brasileiro afirma que as medidas até adotadas superam os valores gastos pelos países emergentes, na proporção com o Produto Interno Bruto (PIB).

Rombo nas contas

De acordo com o Tesouro Nacional, o rombo nas contas públicas (governo, Estados, municípios e empresas estatais) estimado para este ano, com as medidas de combate ao novo coronavírus, está em cerca de R$ 600 bilhões, mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Se confirmado, esse será o maior valor da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 2001.

O déficit primário acontece quando as despesas do governo superam as receitas com impostos e contribuições. Quando acontece o contrário, há superávit. Esse valor não considera os gastos do governo com o pagamento dos juros da dívida pública.

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Mais de 90% do PIB

Segundo o ministério, com um tombo de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, conforme prevê o mercado financeiro, a dívida bruta do setor público avançaria para 90,8% do PIB no fim deste ano.

A dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional, que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais, em março deste ano, segundo dados do BC, subiu para R$ 5,75 trilhões, ou 78,4% do PIB.

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Se for considerada a previsão de um recuo maior do PIB neste ano, ao redor de 5%, conforme estimativa do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta subiria mais ainda, ficando ao redor de 93% do PIB.

A Secretaria do Tesouro Nacional tem observado que o patamar da dívida bruta brasileira já estava, antes da crise, bem acima de outras nações emergentes – que se situava em pouco mais de 50% do PIB.

Entretanto, o aumento da dívida neste ano não é uma particularidade do Brasil. Trata-se de um fenômeno de natureza global, pois os demais países também estão elevando gastos para conter os efeitos do novo coronavírus.