Novas pesquisas apresentam propostas alternativas para recuperação do solo afetado em Mariana

Rebeca Torres
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Crédito: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Desde o momento em que aconteceu o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), no mês de novembro de 2015, grupos de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), vêm trabalhando de maneira incansável em cima de novas pesquisas que apresentam propostas alternativas para recuperação do solo afetado. Tanto é, que os resultados desse estudo já começaram a aparecer com o retorno da produção em propriedades agrícolas afetadas pela lama, bem como, com a recuperação das vegetações de algumas áreas. As informações são da Agência Brasil.

Assim, com o desenrolar das pesquisas, veio o interesse e a parceria da Fundação Renova, entidade criada com base no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) em parceria com a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billitons, além do governo federal e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, tornando-se responsável por gerir, com apoio das três mineradoras, todas as ações de reparo que estão previstas.

Sobre esse assunto, o pesquisador da UFV especialista em solos, Carlos Ernesto Schaefer, disse: “Os resultados dos experimentos que realizamos são muito promissores. Em três anos, praticamente dobrou o teor de carbono. Da mesma forma, o teor de fósforo, que é um nutriente muito importante para todas as plantas”.

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Problemas após o rompimento da barragem

Isso porque, com o rompimento da barragem foi liberada uma enxurrada de 39 milhões de metros cúbicos de rejeito, matando 19 pessoas e causando poluição, que afetaram diversos municípios localizados próximo à Bacia do Rio Doce, com a maior parte da lama se acumulando entre a estrutura e a Usina de Candonga, no município de Santa Cruz do Escalvado (MG). E, funcionando como uma espécie de bloqueio, sendo essa área priorizada pelos pesquisadores na primeira parte da análise.

Dsse modo, um grupo coordenado por Schaefer realizou a coleta do solo em mais de 60 locais afetados pela lama, com o objetivo de verificar a natureza do rejeito. “Fizemos uma análise química, física e mineralógica completa. Verificamos que o rejeito da barragem não apresentava problemas químicos maiores para as plantas, exceto o fato de ser um sedimento muito pobre. Daí a necessidade da adição de corretivos, eventualmente fertilizantes orgânicos e inorgânicos.

Lançamento de editais

A movimentação dos pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa aconteceu desde os dias que sucederam a tragédia, tanto que meses depois foi lançado um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com o intuito de selecionar 29 projetos que visavam estudar os efeitos causados pela ruptura da barragem. Entre os selecionados, estavam sete projetos da UFV, que juntos somam aproximadamente R$ 985 mil.

Com o bom andamento desse estudo, houve um interesse maior por parte da Fundação Renova, que também fez sua contribuição e financiou sete projetos com valores de R$ 8 milhões.

Pesquisa em parceria com a Fundação Renova

E um dos projetos desenvolvidos em conjunto com a Fundação Renova está sendo liderado pela pesquisadora Maria Catarina Megumi Kasuya e tem como objetivo a injeção de pequenos organismos típicos da região para, desse modo, facilitar o crescimento das espécies vegetais nativas afetadas pela lama.

“O que o pessoal conhece como micróbio, a priori, todo mundo acha que é só organismo ruim. Mas, na realidade, a grande maioria é benéfica. Então estamos tentando explorar o lado bom. Selecionamos microorganismo benefícios, multiplicamos e agora estamos tentando introduzi-los no processo de formação de mudas. São mudas que já estão sendo produzidas e aí nós vamos introduzi-las na área onde tem rejeito e também em áreas próximas, onde não tem rejeito”, explica ela.

Resultado final esperado do estudo

Quem também falou sobre o resultado que se pretende ter com esses novos estudos, foi Lucas Scarascia, líder de Programas Socioambientais da Fundação Renova: “São previstos investimentos de R$ 225 milhões no programa de uso sustentável da terra, que envolve, além da restauração florestal, a recuperação de 5 mil nascentes, a assistência aos animais, a retomada de atividades agropecuárias e o fomento ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Entre as propriedades rurais atingidas, houve até o momento 80% de adesão”.

Porém, conforme apurou a Agência Brasil, em novembro do ano passado, alguns produtores de leite protestaram por não estarem incluídos no projeto de restauração.