No Twiter, Bolsonaro volta a defender uso da hidroxicloroquina no tratamento para Covid-19

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Crédito: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro, por meio da sua conta no Twitter, voltou a defender, nesta quarta-feira (08), o uso da Hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19. Bolsonaro reafirmou a sua convicção no uso da medicação e afirmou que a sua preocupação é com vidas humanas e a manutenção de empregos.

Na sequência, o presidente também relatou que, cada vez mais o medicamento se apresenta como método “eficaz” no tratamento contra a Covid-19. E, sobre a resistência em torno do remédio, Bolsonaro alega questões políticas.

Por fim, o presidente cita o juramento dos médicos quando se formam e pede que “Deus ilumine” a vida dos médicos que se colocam contra o medicamento.

A polêmica em torno da hidroxicloroquina

As declarações do presidente Bolsonaro, por meio da sua conta no Twitter, vão de encontro as declarações de técnicos do Ministério da Saúde, que foram dadas ontem (8) durante a coletiva diária do Ministério para atualizar os dados sobre o coronavírus.

Sobre a uso da cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes infectados com a Covid-19, Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, disse que “há importantes pesquisas” sobre as duas substâncias que atentam, justamente, para os efeitos adversos que podem ter sobre os pacientes.

“São medicamentos análogos, o que muda na hidroxicoloroquina é a adição de um radical, que no uso a longo prazo pode reduzir a toxicidade, mas no curto prazo (que é o que está previsto no tratamento para Covid-19), não vai ter tanto efeito”, explicou Vianna.

Outra questão abordada pelos técnicos é que os remédios em questão podem gerar arritmias cardíacas. “Esses medicamentos podem produzir o prolongamento de uma das fases elétricas do coração e propiciar um ambiente favorável a uma arritmia que pode ser potencialmente fatal”, explicou Denizar Vianna.

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Porém, em alinhamento com o discurso do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, os membros do Ministério da Saúde disseram que tal orientação do órgão não impede que cada médico, de maneira individual, prescreva a medicação ao paciente, mas, desde que informe o paciente dos riscos que envolvem o uso dela.

A hidroxicloroquina e a cloroquina ganharam destaque no noticiário mundial quando, em março, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou estudos que indicavam que tal medicamento seria eficaz no tratamento da Covid-19. Desde então, outros mandatários têm defendido o uso das medicações como forma emergencial até se ter uma vacina definitiva.