Nextel passa para as mãos da América Movil, dona da Claro, por US$ 905 milhões

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / IstoÉ Dinheiro

A mexicana América Móvil, dona da operadora Claro no Brasil, concluiu nesta quarta-feira (18) a aquisição de 100% da Nextel Telecomunicações, que era detida pela NII Holdings e pela AI Brazil Holdings.

O preço final da transação ficou em US$ 905 milhões, valor livre de caixa ou dívidas.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Vendida em março, por R$ 3,47 bilhões, à América Móvil, a Nextel possuía 3,52 milhões de assinantes no fim de setembro de 2019, crescimento de 10% na comparação anual. A operadora tem cerca de 4% da base de clientes pós-pagos do país.

Prejuízos e avanços

Mesmo assim, a Nextel Brasil, que era controlada pela NII Holdings, teve prejuízo de US$ 27,7 milhões no terceiro trimestre de 2019. Esse valor representa uma queda de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e setembro, há uma queda da perda, na casa dos 60%, para US$ 65,4 milhões, num processo de saneamento.

De julho a setembro, a receita operacional da operadora alcançou US$ 146 milhões, um avanço de 3%. As despesas da operação foram de US$ 113 milhões no período, queda de 13%. O resultado operacional antes de depreciação e amortização foi de US$ 32 milhões no período, uma expansão de 2,7 vezes em relação aos US$ 12 milhões reportados um ano antes.

A receita média mensal por usuário da operadora no Brasil teve queda de 6,7% no trimestre, para US$ 14, mas ficou estável em relação ao segundo trimestre deste ano.

No terceiro trimestre, o prejuízo atribuído aos controladores da NII Holdings somou US$ 29,9 milhões, recuo de 27%. No acumulado deste ano, a perda foi reduzida em 73%, para US$ 38,5 milhões.

Cade

A aquisição da Nextel Brasil pela América Móvil, que tinha sido aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), agora é contestada pela TIM no órgão antitruste.

Em 22 de outubro, a TIM interpôs recurso no Cade contestando a decisão da Superintendência Geral sobre a operação. O pleito da rival foi aceito e o Cade acatou o recurso encaminhado pela TIM. A concorrente pede a aplicação de “remédios” para neutralizar uma possível concentração excessiva de mercado.

Na visão da TIM, a junção das empresas vai um criar desequilíbrio no mercado brasileiro de telecomunicações porque permitirá ao grupo Claro que acumule uma quantidade muito grande de espectros. Como remédio, a TIM pede ao Cade que estabeleça à Claro a obrigação de compartilhar parte do espectro entre as concorrentes, a preço de custo.

Segundo a revista Exame, “o espectro funciona como uma ‘rodovia’ por onde trafegam os sinais de internet móvel, sendo, portanto, um ativo essencial para as operadoras. Quanto mais espectro, maior a capacidade de abrangência e qualidade dos sinais. No caso da Nextel, o espectro era o ativo mais valioso da empresa, uma vez que ela só detinha 1,5% dos clientes de rede móvel no País”.

No dia 11 de dezembro, porém, o Cade acabou por aprovar, sem restrições, a compra de 100% do capital social da operadora de telefonia Nextel pela Claro (América Móvil). O negócio tinha sido anunciado em março por US$ 905 milhões (R$ 3,74 bilhões em valores de hoje).

As informações são do Valor Econômico e da Exame.

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo