Nem a renda fixa passa imune pela crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Unsplash

A crise do coronavírus atingiu o mercado financeiro como um todo. Mesmo quem evitou riscos, apostando em fundos de renda fixa, não passou imune pela atual volatilidade.

De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a rentabilidade média bruta estimada das carteiras de renda fixa com duração curta tiveram prejuízo de 0,18%.

Já nos fundos com títulos de duração média, a perda estimada foi de 0,36%. E nas carteiras com papéis de duração longa, o prejuízo médio foi de 2,78%.

“Tivemos muita volatilidade em março. A crise gera um movimento de aversão a risco muito forte. Isto aconteceu globalmente, mas nos países emergentes ocorre de maneira amplificada”, avalia Marcos Iório, gestor da Integral Investimentos.

“Vimos o risco Brasil ir de abaixo de 100 para mais de 300. A curva de juros longa foi a níveis superiores a 10%. Isso afeta muito os títulos de renda fixa”, explica.

Renda fixa: cenário tende a melhorar

Para Iório, o cenário ainda preocupa e o coronavírus ainda pode surpreender com novas ondas de contaminação, mas ele aposta que o pior cenário foi mesmo o de março.

Agora, ele acredita, a situação tende a melhorar. Isto graças à sinalização dos bancos centrais e dos governos de ações pós-lockdown e à geração de liquidez “fazendo o dinheiro chegar às famílias e às pequenas empresas”.

“Tivemos duas semanas muito ruins em março, foi realmente o pior momento da crise, com o pânico tomando conta do mercado. Agora, aparentemente, o mercado se aquietou, mas o cenário ainda é incerto e a volatilidade é um risco, é sempre importante frisar”, explica.