Natura (NTCO3) reverte lucro em prejuízo de R$ 392,1 mi no 2TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação / Natura

A Natura (NTCO3) registrou um prejuízo de R$ 392,1 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o lucro líquido de R$ 54,3 milhões no mesmo período do ano passado.

De acordo com a empresa, o resultado foi impactado principalmente pelo Ebtida mais fraco e maior depreciação de R$ 156,0 milhões, parcialmente compensadas pela despesa menor com imposto de renda de R$ 57,0 milhões.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 268,5 milhões, uma redução de 17,6%.

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Conforme a Natura, o resultado foi impactado pela queda do CDI, compensando as despesas mais altas com juros.

Ebitda

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 651,9 milhões, uma diminuição de 25,4%.

Já o Ebtida ajustado atingiu R$ 615,2 milhões, uma queda de 42,2% na comparação anual.

A margem Ebtida ajustado atingiu 8,8%, baixa de 4,5 pontos percentuais.

De acordo com a Natura, o desempenho foi impulsionado pela melhora na margem bruta e disciplina de custos em todos os negócios, resultando em uma forte alavancagem operacional, compensando o impacto da menor receita.

Receita

A receita líquida atingiu R$ 6,987 bilhões no período, uma redução de 12,7% na comparação anual.

O lucro bruto caiu 10,4% no trimestre, totalizando R$ 4,611 bilhões.

A margem bruta ficou em 66% no período, baixa de 1,7 ponto percentual.

Dívida e investimentos

A empresa investiu R$ 150,8 milhões no segundo trimestre de 2020.

A dívida líquida da Natura encerrou o segundo trimestre em R$ 4,159 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida / Ebtida ajustado, ficou em 2,04 vezes no final do trimestre, contra 2,83 vezes no mesmo período do ano passado.

Tá, e aí?

Em relatório de análise dos resultados, o BTG Pactual afirma que a Natura ainda possui desafios globais, mas os sinais locais são positivos. Apesar da queda das vendas e do Ebitda ajustado, o banco acha que os aspectos positivos compensaram os negativos. O relatório destaca o uso crescente das redes sociais e ferramentas digitais por representantes de vendas, que compensaram parcialmente os efeitos da Covid-19, assim como o comércio eletrônico.

Do lado negativo, o BTG destaca a queda das receitas internas da Avon,impactadas parcialmente por um ataque cibernético.

A Eleven também destacou o ganho de market share da Natura, apesar do cenário desafiador e do fechamento de lojas em diversos países. A margem bruta foi uma surpresa positiva, ao crescer 1,7 pp, para 66%.

A casa relaciona iniciativas previstas para os próximos meses como o relançamento da marca Avon de maneira totalmente virtual. E o fortalecimento de caixa obtido por meio do aumento de capital privado de R$ 2 bilhões.

Cara ou barata

Apesar dos resultados positivos, o BTG mantém a recomendação “neutra” para o papel, em decorrência dos desafios da recuperação da Avon e do rali recente das ações. O preço-alvo do banco para a companhia é de R$ 40,00 para 12 meses.

Já a Eleven tem como preço-alvo R$ 59,00 e recomendação de compra.

Perto das 12h desta sexta-feira (14), NTCO3 é negociada a R$ 50,95.