Não há perspectiva de estagflação, diz diretor do BC Fabio Kanczuk

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: Inflação de 2021 se aproxima mais da meta, diz Kanczuk ao explicar cenários

Apesar das incertezas econômicas com a pandemia, o diretor de Política Econômica do Banco Central Fabio Kanczuk, afirmou nesta sexta-feira (09) que não enxerga um cenário de estagflação no Brasil.

A estagflação combina um cenário de estagnação econômica com um aumento da inflação.

Ele disse em um evento virtual do Goldman Sachs que o está atuando para “para trazer a inflação para o centro da meta de inflação no horizonte relevante”.

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Dominância fiscal é afastada por Fabio Kanczuk

Ele afastou a possibilidade de o Brasil estar entrando em “dominância fiscal” – que ocorre quando o BC não consegue mais elevar a taxa de juros para combater a inflação porque isso amplificaria o desequilíbrio fiscal do país, de acordo com o Estadão.

“Não estou dizendo que isso nunca poderia acontecer. Mas o BC se concentra no seu mandato de controlar a inflação, e não no fiscal, que diz respeito a outras autoridades. Se a inflação subir, vamos elevar os juros”, pontuou Kanczuk.

No dia anterior ele havia afirmado que a tendência é que o Brasil chegue à taxa de juros neutra só em 2022. Isso por que se o BC levasse a Selic a esse patamar já em 2021, seus modelos mostram que a inflação ficaria abaixo da meta no horizonte relevante para a política monetária.

A autoridade monetária considera, segundo ele, como uma taxa de juros real neutra 3,00% em seu cenário básico.

“Mas o que iniciamos agora é uma normalização parcial, que não deve alcançar essa taxa neutra. É como vemos agora, mas não é um compromisso, podemos ir além ou aquém, dependendo de como as coisas se comportem”.

Perspectivas para PIB e Selic

Fabio Kanczuk afirmou ainda que o cenário da autoridade monetária para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 (3,6%) é melhor que a estimativa do mercado. Em especial para o segundo semestre de 2021.

O diretor confirmou que a próxima reunião do Copom terá como horizonte relevante da política monetária apenas o ano de 2022.

Assim, ele detalhou os cenários alternativos divulgados pelo BC no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), com agravamentos do risco fiscal e da pandemia.

Por fim, o diretor de Política Econômica do Banco Central disse que a autoridade monetária espera uma aprovação em breve do projeto de modernização cambial pelo Senado. O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados.