Não haverá demissão em massa, diz presidente da Petrobras (PETR4)

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Flickr

Presidente da Petrobras (PETR4), Roberto Castello Branco afirmou nesta sexta-feira (17) que não haverá demissão em massa de empregados contratados, por conta da crise atual.

O impacto do coronavírus fez o preço do petróleo despencar. Em resposta, a empresa optou por cortar 200 mil barris por dia da sua produção.

Já em relação aos empregados terceirizados, Castello Branco disse que não pode responder por eles porque são de responsabilidade das empresas fornecedoras.

O executivo disse sofrer perseguição desde que assumiu a companhia com acusações de que promoveria um grande número de demissões.

Redução e custos e Capex

Conforme ele, a petroleira está focando na redução de custos e do capex para conseguir manter a liquidez no atual cenário de crise no setor de óleo e gás.

Isso porque a cotação do petróleo atinge o mais baixo patamar histórico.

Diretora de Finanças e Relações com os Investidores, Andrea Marques de Almeida diz estar analisando novas linhas de crédito.

“Entretanto, a principal medida adotada para enfrentar a crise tem sido a redução de custos”, disse.

Conforme Castello Branco, a empresa está renegociando contratos com grandes fornecedores, porque a intenção é que os pequenos fornecedores sobrevivam à crise.

Já a diretora de Finanças Andrea Marques elencou que também avaliará o efeito da crise na relação entre geração de caixa e dívida da companhia, assim como possíveis baixas contábeis, que serão informadas ao mercado.

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Justiça do Trabalho

A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro expediu nesta sexta-feira liminar que impede a Petrobras de aplicar medidas de redução de despesas com pessoal.

O documento determina ainda que a companhia se abstenha de implementar medidas  de  redução de jornada e de remuneração, conforme divulgado em 1 de abril.

De acordo com o departamento de Recursos Humanos, a Petrobras não foi intimada da decisão até o momento e aguardará a ação para avaliar o teor e os recursos cabíveis.

“De qualquer forma, a Petrobras esclarece que as ações adotadas para reforçar a resiliência da companhia foram tomadas em razão do estado de calamidade, respaldada na legislação aplicável”, informou.

Fase vinculante

A petroleira deu início à fase vinculante referente à venda da totalidade de sua participação no campo de Papa-Terra, localizado em águas profundas, na Bacia de Campos.

Os habilitados para essa fase receberão carta-convite com instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para a realização de due diligence e para envio das propostas vinculantes.

O campo de Papa-Terra faz parte da concessão BC-20 e está localizado em lâmina d’água de 1.200 metros. Iniciou a operação em 2013 e sua produção média de óleo e gás, em 2019, foi de 17,3 mil barris de óleo por dia.

Rating global

A Petrobras informou que a agência de classificação de risco S&P Global Ratings (“S&P”) manteve o nível de risco (rating) da dívida corporativa da companhia em “BB-“, com perspectiva estável.

O rating stand-alone foi mantido em “bb”, um nível acima do soberano. A S&P destacou que a posição de liquidez da companhia permanece forte, apesar da menor expectativa de fluxo de caixa operacional, em função da redução dos preços de petróleo e contração da demanda.

A agência também ressaltou que a Petrobras se encontra atualmente em uma posição muito melhor para enfrentar a crise do setor do que há alguns anos, devido ao foco na implementação de medidas para redução de custos e aumento de eficiência, assim como a venda de ativos.