Não é hora de vender FIIs, apesar da proposta de reforma tributária

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Reprodução

Mesmo com mais um dia de perdas, com o Ifix, índice que mede o desempenho dos Fundos Imobiliários listados na B3, recuando mais de 1%, nesta segunda-feira (28), não é momento de o investidor se desfazer de suas cotas de FIIs.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

De acordo com Daniel Lemos, CEO da Riza Asset Management, o projeto de reforma tributária, apresentado na última sexta-feira, tem uma grande discussão ainda pela frente.

Acesse esse material especial para avaliar resultados, performance e dividendos dos melhores FIIs no mercado.

As declarações ocorreram durante live sobre o assunto realizada pelaEQI Investimentos.

Além disso, uma dificuldade a mais para 2022 se refere às eleições. E, segundo Lemos, o investidor precisa avaliar os fundamentos de cada aplicação.

FIIs: desidratação

Para Lemos, mesmo que a reforma venha a ser aprovada, poderá sofrer desidratação. Já que o governo pode ter pesado a mão no projeto, pensando em alguns pontos futuros que podem ser retirados.

O CEO acrescentou que o mercado vem precificando 50% de chance do projeto ser aprovado como está. O que, para ele, porém, é uma estimativa considerada elevada.

Explicou que players de mercado trabalharão junto ao governo sobre os impactos que a segunda fase da reforma tributária pode ter com relação aos fundos.

Lemos avaliou ainda que o mercado já estaria antecipando esta tributação há alguns meses (o tema vem sendo ventilado há tempos em Brasília).

Exemplo disso, afirmou, é o fato do Ifix – índice ligado ao setor imobiliário na B3 – não estar em uma queda mais acentuada.

Dúvidas sobre transição

De acordo com ele, está pouco claro como será feito com aplicações antigas, o que pode levar a discussão ao âmbito jurídico.

Pois ainda está pouco claro como o governo pretende fazer essa transição.

No mais, os Fundos Imobiliários também estão conectados com uma cadeia de setores prioritários, como o agrícola, o imobiliário, propriamente dito, e o de infraestrutura.

Dessa forma, a taxação proposta pelo governo, poderia atingir em cheio esses segmentos.

“Como tributar o FII e deixar o CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) isento?”, questionou ele.

Em função disso, ele aponta que o projeto, tal como está, pode levar a um encarecimento dos papéis. E dificultar o funding aos empreendimentos imobiliários.

Com isso, ele aponta que projetos de construção de shopping centers, incorporações e de habitação como Minha Casa Minha Vida podem ser impactados.

Ifix

O Ifix, índice que monitora os FIIs negociados na B3, volta a ter queda nesta segunda (28).

A retração do índice, por volta das por volta das 16h, perdia 1,02%. Após recuar mais de 2%, por volta do meio-dia.

Essa retração, que se segue às perdas de sexta-feira, vem sendo apontada como consequência do fim da isenção de tributos sobre rendimentos para as pessoas físicas.

Na sexta-feira (25), o índice já havia fechado em queda. Na ocasião, ficou em retração de 2,02%, aos 2.725 pontos.