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Na dúvida entre Tesouro Direto e CDB? Saiba qual é o melhor

Uma das principais dúvidas dos investidores iniciantes em renda fixa é qual produto escolher. Conheça as características e principais vantagens das aplicações mais populares.

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Entre as aplicações que os investidores mais procuram estão o CDB (Certificado de Depósito Bancário) e o Tesouro Direto. Por esse motivo é que muitos investidores iniciantes ficam em dúvida sobre qual deles escolher.

Na realidade, o fato é que não existe uma resposta padrão sobre qual é o melhor investimento, pois isso depende da análise de alguns (vários) fatores. Por esse motivo, elaboramos um passo a passo com oito tópicos para ajudar os iniciantes a se decidir entre o CDB e o Tesouro Direto.

O que são esses investimentos?

Ambos são títulos da carteira de renda fixa. O Tesouro Direto é um título público federal, ou seja, é emitido pelo Governo Federal brasileiro. Já os CDBs são títulos privados emitidos pelos bancos comerciais.

Tipos de remuneração

Os dois tipos de aplicações possuem três tipos diferentes de remuneração, são elas:

*Pós-fixada

No CDB, essa remuneração pós-fixada é vinculada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Já o CDI pode ser entendido como uma taxa entre os bancos cuja variação é bem próxima a da Selic, que é a taxa básica de juros.

No Tesouro Direto, a modalidade pós-fixada é denominada Tesouro Selic. Esse nome é dado, pois a sua remuneração tem como base a própria taxa Selic.

*Prefixada

Nesse tipo de aplicação, o investidor já consegue visualizar na hora da compra o rendimento do título até o seu vencimento. Assim, mesmo que ocorra uma alta ou uma baixa na Selic, o valor do rendimento não sofrerá alterações.

Contudo, é preciso ter atenção, pois essa modalidade de investimento só é ideal para aqueles que estão dispostos a manter o investimento até a data de seu vencimento. Caso seja necessário vender o título antes desse prazo, o investidor ficará submetido às oscilações do mercado em que está incluso o título e, nesse sentido, pode acabar perdendo dinheiro.

*Atrelada à inflação

Esse tipo de título é remunerado por meio de uma taxa prefixada, mas conta com um acréscimo referente à inflação apurada no período.

Por exemplo:

Tesouro IPCA+2035 que possui rendimento de 5,5%: nesse caso, do dia em que o investimento for feito até o ano de 2035 (em que vence o título), o investidor irá obter 5,5% de rendimento a cada ano, acrescido do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), que é o índice oficial de inflação do Brasil.

Ou seja, quem opta por um título prefixado conta com essa garantia de remuneração, contudo, vale lembrar que ela só funciona caso a aplicação seja mantida até o seu vencimento. No caso de uma venda antes desse prazo, o investidor ficará sujeito aos preços do mercado.

Há, também, alguns CDBs que são remunerados com base na inflação, contudo, a oferta desses títulos é baixa.

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Liquidez

Uma das vantagens do Tesouro Direto é que essa é uma aplicação que possui alta liquidez. Os títulos podem ser vendidos em todos os dias úteis, contudo, apenas os investidores do Tesouro Selic podem vender seus títulos antes de seu vencimento, sem que haja a possibilidade de perder algum dinheiro.

Como visto anteriormente, a venda de títulos da modalidade prefixado e do Tesouro IPCA+, apesar ser permitida em qualquer momento, pode fazer com que o investidor perca dinheiro caso não se atente às condições de mercado.

Já no CDB, a liquidez dependerá, principalmente, do prazo de carência atrelado ao título. Há no mercado algumas aplicações que não possuem carência, logo, o investidor pode resgatá-las a qualquer tempo. Esse tipo de aplicação é a ideal para quem deseja fazer uma reserva de emergência que não seja na poupança.

Risco (de crédito)

Sob a ótica do risco de crédito, o Tesouro Direto é considerado, hoje, a aplicação mais segura do Brasil. O motivo disso é o fato de que os títulos são emitidos pelo Governo Federal, que é considerado o melhor pagador entre todos.

O CDB possui sim um risco de crédito, esse vinculado ao banco emissor. Contudo, há um tipo de “seguro” para essas aplicações por meio do chamado Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja, quem possui aplicações de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira conta com a garantia de que receberá o seu dinheiro no caso de o banco emissor decretar falência ou sofrer intervenção.

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Custos

Existem diversas corretoras que não cobram taxa de custódia para aplicações feitas no Tesouro Direto. A XP Investimentos é uma delas.

Contudo, há uma taxa do qual não é possível fugir: a B3 cobra do investidor o valor de 0,3% ao ano para promover a custódia dos títulos.

No caso do CDB, alguns bancos ou corretoras também podem cobrar essa taxa de custódia do investidor. Por esse motivo, é recomendável buscar pesquisar e investir em instituições que não cobram uma taxa de custódia sobre os produtos de renda fixa oferecidos.

Como investir

Tanto no caso do CDB quanto do Tesouro Direto, o investidor pode optar pelos bancos ou corretoras para adquirir um título. Uma dica importante é que as corretoras costumam oferecer um número maior de produtos de renda fixa privada, que possuem um rendimento maior do que os oferecidos pelos grandes bancos.

Assim, para os que desejam investir em CDB, o melhor é abrir uma conta em uma corretora com um grande leque de produtos. Assim, o investidor pode optar entre o produto que melhor atende às suas necessidades de prazo e retorno financeiro.

Tributação

Ambos os investimentos possuem sua tributação baseada na tabela de investimentos de renda fixa, cuja alíquota inicial é de 22,5% e chega a 15% sobre o rendimento no caso de investimentos com prazo superior a dois anos. Confira a tabela abaixo:

Prazo do InvestimentoAlíquota do Imposto de Renda
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Conclusão

O CDB e o Tesouro Direto possuem características bem próximas. Em alguns casos, o CDB oferece um retorno superior ao do Tesouro Direto.

De acordo com Leandro Santiago, assessor da Habitus Investimentos, algo que é natural no mercado financeiro é que as aplicações obedeçam à relação entre risco e retorno, ou seja, quanto maior for o risco de um a aplicação, maior será a sua expectativa de retorno. O inverso também é verdade, ou seja, quanto menor o risco de uma aplicação, menor será a sua expectativa de retorno. Como o Tesouro Direto é um investimento considerado de baixo risco, a sua expectativa de retorno é menor. Já no CDB, como existe algum risco (mesmo que mínimo), o rendimento esperado é mais robusto.

Para os investidores que desejam montar uma reserva de emergência, a diferença do rendimento entre um CDB pós-fixado com liquidez diária (desde que pague pelo menos 100% do CDI) e o Tesouro Selic é bem pequena.

Ambas as aplicações permitem que o dinheiro seja retirado sempre que o investidor desejar. Contudo, por conta da taxa de custódia anual de 0,3% do Tesouro Direto, o CDB pode ser considerado uma opção ligeiramente melhor, principalmente se o investidor conseguir adquirir um título que pague acima de 100% do CDI e não ultrapasse o limite de R$ 250 mil (valor da garantia promovida pelo FGC).

No caso dos investimentos de médio prazo (aqueles com duração entre dois a três anos, por exemplo), uma boa pedida são as aplicações prefixadas. Nesse caso, o ideal é que o investidor procure aplicações dotadas de um maior retorno no período. Essas podem ser encontradas tanto no Tesouro Direto quanto entre os CDBs.

Para quem procura aplicações de longo prazo, com objetivos de 10 anos ou mais, há ótimas opções no Tesouro Direito com títulos atrelados à inflação.

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Esses títulos são uma excelente opção para aqueles que desejam investir pensando em sua aposentadoria. Isso porque os seus prazos de vencimento são bastante longos (2035 e 2050, por exemplo). Como o rendimento desses títulos é dado por meio de uma taxa fixa mais o IPCA, o investidor sempre terá a certeza de obter ganhos reais, independentemente de qual seja a inflação apurada no período.

Outra vantagem dos títulos do Tesouro Direto é que o investidor conta com a garantia de crédito que é dada pelo próprio Governo Federal.

Por fim, a melhor opção para o investidor, isso na visão de especialistas em investimentos, é ter uma carteira balanceada que conte com produtos de renda fixa como CDBs e títulos do Tesouro Direto (dentre outros produtos). O ideal é contar com remunerações variadas e vencimentos diversos.

Assim, a conclusão que pode ser retirada dessa análise é que não existe uma aplicação que seja melhor que a outra: o investidor deve analisar as características de cada uma para verificar se elas se encaixam em suas necessidades. Além disso, também é recomendável diversificar a carteira de investimentos de renda fixa entre produtos distintos e emissores diferentes. Dessa forma, a certeza do retorno será mais consistente e o risco será mais diluído.

Bons investimentos!

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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