Mulheres estudam mais e ganham menos que homens

Sabrina Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pixbay

As vagas disponíveis, salários pagos pelos empregadores e o  mercado de trabalho brasileiro permanece injusto para mulheres. Segundo dados do quarto trimestre de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego nesse período foi de 11,6%, mas a diferença entre homens foi (10,1%) e mulheres ( 13,5%).

Dados copilados do Quero Bolsa também mostram que as mulheres estudam mais, sendo 57% total de estudantes no ensino superior, na iniciação científica, são 59,71% dos pesquisadores. Na pós-graduação, 54% do total de estudantes são mulheres.

As diferenças ocorrem em cinco regiões do país, com foco no Norte, com a maior diferença entre homens e mulheres (22,9 pontos percentuais) e a menor diferença no Sudeste (17,7 pontos percentuais).

De acordo o estudo, as mulheres ganharam 70% da renda masculina em 2017. Essa diferença até superou o nível em 2016, onde os salários das trabalhadoras eram equivalentes a 72% dos salários masculinos em 2016. Esses números referem-se ao salário médio pago a todos os trabalhadores brasileiros durante naquele ano.

Classes Sociais

Já o estudo País Estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras, produzido pela Oxfam Brasil, em 2018 com dados de 2017, a diferença de salários entre os gêneros atinge todas as classes sociais.

Em uma parte do estudo que considerou 50% das pessoas mais pobres do Brasil, a renda das mulheres foi equivalente a 75% da renda média dos homens nessa parte. A diferença é ainda maior nos estratos mais ricos (ou seja, a participação de 10% dos trabalhadores). Em 2017, as mulheres receberam 60% do salário dos homens, em comparação com 69% dos homens em 2016.

Mulheres estudam mais

Para o diretor de Inteligência Educacional da plataforma Quero Bolsa, Pedro Balerine, o aumento do número de pessoas com ensino superior fez com que as diferenças salariais entre as profissões e entre os gêneros ficasse mais evidente no ano passado.

“A oferta de ensino superior aumentou bastante de 2012 para cá. As pessoas [que se formaram] estão entrando no mercado de trabalho. Infelizmente, o Brasil ainda está aquém em igualdade salarial entre homens e mulheres”, diz Balerine.

Essa discrepância, segundo o diretor, é injusta: “As mulheres estudam mais, fazem mais pós-graduação, mais mestrado, mais doutorado, não faz o menor sentido ter essa discrepância. Ela é injustiça”.

Os dados copilados pela Quero Bolsa mostram que, apesar da maioria das carreiras pagarem salários menores às mulheres, elas são 57% do total de estudantes no ensino superior. São também maioria na iniciação científica, representando 59,71% do total dos pesquisadores. Na pós-graduação, 54% do total de estudantes são mulheres.

Carreiras

Segundo o pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) Daniel Duque, exista uma desvalorização de profissões que são majoritariamente ocupadas por mulheres. “Mais mulheres são formadas em profissões como licenciatura, pedagogia, enfermagem, odontologia, em relação a homens. E, mais homens são formados em cursos como engenharia. Parte desse diferencial de homens e mulheres é atribuído a essas diferentes escolhas de cursos” diz, e acrescenta, “Provavelmente, o maior fator foi uma maior desigualdade de retorno entre essas profissões”.

Os dados do Caged mostram que, no ano passado, entre as dez carreiras de ensino superior com maior geração de postos de trabalho, as mulheres recebem, em média, salários menores em sete delas. A maior desvantagem foi encontrada no cargo de analista de negócios, com homens ganhando R$ 5.334 e mulheres, R$ 4.303, o equivalente a 80,67% do salário deles.

Segundo Duque, ao pagar menos às mulheres, o Brasil perde economicamente. “Quando se nega a mulheres oportunidades equivalentes às dos homens no mercado, a gente abre mão de cérebros. Estamos deixando de incorporar no mercado de trabalho no Brasil mulheres que seriam extremamente talentosas”, diz. “Estamos perdendo força produtiva por desigualdade entre gêneros e isso vai impactar a produtividade agregada brasileira e nosso desenvolvimento”.

 

Veja as médias salariais de homens e mulheres nas dez carreiras com maior geração de postos de trabalho:  

Analista de negócios: homens ganham R$ 5.334 e mulheres, R$ 4.303

Analista de desenvolvimento de sistemas: homens ganham R$ 5.779 e mulheres, R$ 5.166

Analista de pesquisa de mercado: homens ganham R$ 4.191 e mulheres, R$ 3.624

Biomedicina: homens ganham R$ 2.761 e mulheres, R$ 2.505

Enfermagem: homens ganham R$ 3.417 e mulheres, R$ 3.288

Preparador físico: homens ganham R$ 1.426 e mulheres, R$ 1.326

Nutricionista: homens ganham R$ 2.781 e mulheres, R$ 2.714

Farmacêutico: homens ganham R$ 3.209 e mulheres, R$ 3.221

Fisioterapeuta geral: homens ganham R$ 2.400 e mulheres, R$ 2.422

Avaliador físico: homens ganham R$ 2.107 e mulheres, R$ 2.303

 

*Informações retiradas do CorreioBraziliense e Agência Brasil