Muhammad Yunus: o pai do microcrédito e Nobel da Paz de 2006

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus é também conhecido como o “pai do microcrédito” e do empreendedorismo social. Isso porque, há quase 40 anos, ele revolucionou o acesso ao crédito ao criar o Grameen Bank na Índia, com o objetivo de combater a pobreza no país.

Atualmente, o banco conta com mais de 2.500 agências e presta serviços em mais de 80 mil aldeias na Índia. Em 2019, a Forbes considerou a instituição uma das cinco empresas mais inovadoras e de maior impacto social no ano. E, ao que tudo indica, os preparativos da chegada do Banco ao Brasil já estão bem avançados.

A seguir, saiba mais sobre a história de Muhammad Yunus e sobre o impacto social de sua iniciativa para a Índia e para o mundo.

Muhammad Yunus: origem e formação

Muhammad Yunus nasceu em 1940 em Bangladesh, Índia. No ano de 1965, ganhou uma bolsa de estudos para cursar Economia na Universidade de Vanderbilt, nos EUA.

Em 1974, após concluir o doutorado na mesma universidade, Yunus retornou a Índia. Lá ele assumiu o cargo de presidente do Departamento de Economia da Universidade de Chittagong. No entanto, Muhammad ficou decepcionado com o modelo tradicional estudado por seus colegas. Isso porque, entre todas as teorias, não havia nada que abordasse qualquer solução para a pobreza de seu país.

Dessa forma, Muhammad Yunus teve a ideia de realizar empréstimo de pequenos valores à população pobre da região. Diferentemente dos bancos, o professor não exigia garantias para essas operações. Dessa maneira, muitas pessoas se beneficiaram do acesso a esses recursos.

Esse projeto foi chamado de Grameen Bank, que significa “banco da aldeia”. Nos anos seguintes, a sua abrangência cresceu até que, em 1983, com o apoio de alguns bancos estatais indianos e de fundos internacionais, o Grameen se tornou oficialmente um banco.

A atuação do Grameen Bank

Desde o início, havia uma peculiaridade no modo de operação do Graamen Bank. A maioria esmagadora dos beneficiários dos empréstimos eram (e ainda são) mulheres. Atualmente, o público feminino corresponde a, aproximadamente, 97% dos clientes do banco (cerca de 9 milhões de tomadoras de crédito). Por sua vez, o Grameen Bank possui carteira de empréstimos de, aproximadamente, US$ 24 bilhões, que gira cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano.

Segundo o banco, isso se deve ao fato de as mulheres serem os principais agentes de influência e de transformação na família e na comunidade. Nesse sentido, é importante ressaltar que, desde o início, o dinheiro do projeto fomentava pequenos negócios desenvolvidos pelas mulheres das aldeias. Porém, não é política do banco interferir na atividade que a mulher desenvolve, nem mesmo fiscalizá-la. O que existe é um sistema de apoio e diálogo em relação aos empreendimentos em cada uma das aldeias nas quais o Grameen atua.

Outro ponto que chama atenção é a baixíssima inadimplência histórica que o banco registra. Nesse sentido, não existe um sistema tradicional de garantias. No entanto, apesar disso, a inadimplência é de apenas 1% sobre o total de empréstimos realizados.

Premiações e contribuição social

Antes do Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus já havia recebido diversas premiações por seu pioneirismo nos negócios sociais. Nesse sentido, foram mais de 50 títulos honoris causa em universidades de 20 países.

Algumas das premiações mais significativas foram o World Food Prize (1994), Simon Bolivar International Prize (1996), Sydney Peace Prize (1998) e Príncipe de Astúrias da Concórdia (1998).

Não há um estudo que relacione o diretamente o microcrédito à diminuição da pobreza na Índia. Porém, estatísticas do país apontam que, em 1971, 71% da população estava em situação de miséria. Já em 2017, essa proporção era de 23%. Dessa forma, é bastante provável que o projeto tenha auxiliado a melhorar as condições de vida da população.

No Brasil, o trabalho de Mohammad Yunus está presente desde 2013 por meio da Yunus Negócios Sociais. A organização faz parte da rede da Yunus Social Business Global Initiatives, que promove emprego, saúde e educação em regiões pobres do Leste da África, América Latina e Índia.