Mudanças na Casa Civil enfraquecem Onyx Lorenzoni

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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As sucessivas mudanças realizadas pelo presidente Jair Bolsonaro na Casa Civil desde o começo da semana mostram um esvaziamento da pasta liderada pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). As mudanças foram feitas na ausência titular, que está de férias, e deve voltar apenas no dia 3. As movimentações, na avaliação do portal G1 e do jornal Folha de S.Paulo, sinalizam que o deputado, aliado de primeira hora do presidente desde a eleição, pode estar de saída.

Há dois dias, Bolsonaro demitiu o secretário executivo da pasta, Vicente Santini, que ocupava o cargo de Onyx interinamente, por causa da repercussão gerada pelo uso de um avião da Força Aérea Brasileira para viajar à Índia. Mas foi nomeado para um outro cargo, de assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil, do qual também acabou exonerado hoje em razão da repercussão negativa da decisão. Acabou saindo do governo também Fernando Moura, por ter assinado a segunda nomeação de Santini. Moura tinha ficado como ministro interino, a pedido de Lorenzoni. Agora, o posto está temporariamente com Antonio José Barreto Júnior, subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais.

Como se não bastasse esse vaivém, Bolsonaro tirou ainda mais poder da Casa Civil ao anunciar hoje a transferência do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), um dos mais importantes da pasta, para o guarda-chuva do Ministério da Economia.

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, há uma ofensiva da ala militar do governo com apoio de ministros de fora do Palácio contra Lorenzoni, que pode ser transferido para um ministério da área social. E teria como foco também o ministro da Educação, Abraham Weintraub, envolvido em uma sucessão de problemas desde que assumiu o cargo. Weintraub e o irmão, Arthur, que é assessor especial da Presidência, foram apresentados ao presidente por Onyx.

Assim, as mudanças seriam também um prenúncio de uma minirreforma ministerial e que o caso Santini terá sido uma desculpa para o presidente mexer em sua equipe, ideia que vem alimentando há alguns meses, e pode se estender a outros ministérios.