Movida (MOVI3): Planner recomenda compra do ativo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Facebook / Movida

A Planner iniciou a cobertura da Movida (MOVI3) recomendando a compra, com preço de R$ 23,25 por ação, o que representa uma potencial de valorização de 15%.

“A companhia se destaca pelo ótimo trabalho que vem apresentando ao longo dos últimos anos na melhoria de margens e rentabilidade, por reagir rapidamente aos desafios da pandemia, bem como pelas iniciativas de transformação digital”, abre o relatório.

“O setor é muito pulverizado e pouco penetrado, ou seja, apresenta espaço de crescimento para todas as empresas, sendo a Movida com maior desconto entre os pares em relação aos múltiplos. Acreditamos no potencial da companhia para entregar melhores resultados ao longo do tempo, fechando os gaps de rentabilidade”, diz.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões dos Investimentos.

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Após o fechamento da sessão desta segunda-feira (26), o papel passou a valer R$ 19,64, após queda de 2,43%.

Aluguel

A Planner acredita que “vetores estruturais permanecerão presentes no mercado brasileiro, como a economia de compartilhamento, a terceirização de frotas e os juros baixos”.

A Movida deve ganhar participação em um mercado que vem crescendo em média 20% ao ano nos últimos 5 anos.

Hoje, possui aproximadamente 15% de market share em aluguel de carros (RAC) e 8% em gestão de frotas (GTF) do no Brasil.

Um dos destaques da avaliação é o aluguel de carros mensais para pessoas físicas.

É mais um mercado que se abriu para as locadoras como alavanca de crescimento.

“O leasing nos EUA responde por mais de 30% das vendas de veículos, no Brasil ainda não tem nada parecido até agora”, salienta o relatório.

“Caso o Brasil alcance esse patamar de 30%, as locadoras poderiam dobrar de tamanho, com uma frota aproximada de 1 milhão de veículos”, estipula.

Já o cenário de juros baixos no país deve continuar favorecendo as locadoras, que são intensivas em capital e se beneficiam nesse panorama.

Economia do compartilhamento

“Percebe-se uma tendência cada vez maior da economia de compartilhamento no Brasil e no mundo”, observa o relatório.

“Facilidades como aplicativos de mobilidade urbana ou alugar carro para viagens, sem preocupar com seguros, acidentes, manutenções e impostos, impulsionam esse movimento”, segue.

É uma mudança de hábito do consumidor, que troca a posse pelo uso, tanto de pessoa física como jurídica.

Assim, as empresas de locação de veículos vêm crescendo bastante e de forma orgânica.

“O setor de locação de veículos tem apresentado uma expansão muito maior que a brasileira e a Movida entrou firme nesse mercado, mostrando que está cada vez mais perto da principal concorrente, a Localiza”, lembra a Planner.

“Os números que a Movida vem apresentando mostram consistência nos resultados e nos permitem acreditar que companhia está preparada para enfrentar desafios”, diz.

Movida, uma forte marca

A Planner ressalta que a Movida “tem uma marca forte e reconhecida”.

É a empresa mais jovens do setor, entre as maiores, vem buscando diferenciação em eficiência e custo com melhor competitividade, focando na pessoa física.

Além disso, chama a Movida de “uma empresa muito promissora, nova e com forte expansão, que mostrou boa capacidade de gestão”.

O relatório chama o momento que o país está vivendo de “pós pandemia”, deixando de levar em conta os números subnotificados da crise sanitária no Brasil.

“A boa velocidade de retomada do negócio pós pandemia, em especial no RAC nos dá mais confiança no management. O uso dos aplicativos de mobilidade já está no patamar pré pandemia, mostrando recuperação na demanda deste tipo de cliente”, diz.

A Planner deve estar chamando o “durante” de “pós”, no sentido de “após o início”, e nesse caso, sua avaliação ganha mais força, porque quando de fato vier o pós-pandemia (no caso de uma vacina eficiente), tal cenário desenhado pode se acentuar positivamente.

Com a fusão de Localiza e Unidas, a Movida passa a ser a segunda maior do setor, sem canibalização de preços.

“Além disso, a fusão traz mais atenção do mercado para o setor”, destaca o relatório.

Crescimento

Entre 2015 e 2019, a Movida teve um crescimento médio anual de 18% em RAC, 37% em GTF e um total de 20% somando seminovos.

Desde o início de suas operações em 2006, esse movimento vem ganhando tração, após ser adquirida pelo grupo Simpar, já em 2013.

O Simpar detém hoje 55,11% da empresa.

O IPO para entrada na bolsa de valores ocorreu em 2017 e a oferta primária movimentou R$ 535,9 milhões.

Ademais, a oferta secundária adicionou mais R$ 109,2 milhões, somando uma operação de R$ 645,17 milhões.

A Movida é a terceira maior companhia de locação de veículos do Brasil em tamanho de frota e receita, dentre as companhias abertas do setor.

A empresa fechou 2019 com 109.611 mil carros e uma rede de lojas em todos os estados do Brasil com 191 pontos de atendimento.

No segundo trimestre de 2020

A Movida sofreu com a pandemia.

No segundo trimestre de 2020, registrou um lucro líquido de R$ 2,6 milhões, desempenho 93,7% menor na comparação com igual período do ano passado.

O lucro líquido ajustado somou R$ 55,1 milhões, uma redução de 93,7%.

A margem líquida ajustada atingiu 0,9%, baixa de 10,3 pontos percentuais.

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 151,4 milhões, uma diminuição de 0,1%.

A margem Ebtida ajustado atingiu 50,7%, alta de 10 pontos percentuais.

O Ebit ficou em R$ 49,8 milhões no trimestre, uma redução de 48,2% na comparação anual.

Enquanto a margem Ebit ajustado foi de 16,7%, baixa de 9,4 pontos percentuais.

Mas esse é um resultado que tende a ser diferente no terceiro trimestre.

Recentemente, a empresa anunciou a emissão de R$ 600 milhões em debêntures, para reforço de caixa.

Movida ESG

A Planner destaca um fato importante e atual sobre a Movida.

A empresa vem mostrando pro-atividade nas questões sociais, ambientais e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês).

“A empresa conquistou no começo do ano a importante certificação B-Corp, mostrando comprometimento com o propósito socioambiental”, informa.

“Pela certificação, a Movida faz parte de uma rede global de empresas e organizações atentas em aliar o bem-estar social e ambiental com o seu crescimento econômico”, explica.

Movida Cargo

A Movida lançou em outubro um novo serviço chamado Movida Cargo, cujo site já está no ar.

A finalidade é alugar veículos modelo FIAT Fiorino para entregadores a serviço de transportadoras.

São 1 mil veículos para a operação.

Entretanto, 200 deles serão exclusivos para a Magazine Luiza (MGLU3), que entrou como parceira do negócio.

A mensalidade dos veículos incluem manutenção, seguro e demais custos associados, como num carro de aluguel normal.

“Atualmente, uma a cada cinco entregas online é realizada com carro de passeio”, diz comenta Jamyl Jarrus, Diretor Executivo Comercial e de Marketing da Movida.

“Com o avanço do comércio online, identificamos a formação de um importante nicho que verá a locação de utilitário como uma ótima opção para melhorar o serviço de entrega e ganhar eficiência logística e financeira”, defende.

Ou seja, a alta do e-commerce contribuiu para a ideia ser desenvolvida e sair do papel.

Riscos do negéocio

Mesmo o segmento de locação de veículos crescendo muito acima do Produto Interno Bruto (PIB), a Planner ressalta que existe o risco de a taxa de juros subir, dos benefícios de emplacamentos municipais acabarem, ocorrer uma mudança na legislação em relação ao aumento de tempo para a venda de ativos imobilizados de 12 para 24 meses para as locadoras.

Além disso, existe o risco da entrada das montadoras, que podem atuar nesse setor de locação de veículos para capturar uma fatia do crescimento que o mercado oferece.

Entretanto, a própria análise ressalta que “é difícil imaginar um cenário em que as montadoras, que já estão sofrendo, comecem a colocar recursos num segmento tão complexo e que necessita tanto capital intensivo para ser competitivo. Além da própria complexidade do negócio que necessita de uma diligência diária, e não é a expertise da montadora”.

O relatório ainda lembra que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o IPVA deve ser recolhido no domicílio do proprietário do veículo, onde o carro deve ser licenciado e registrado.

“Se esta decisão for regulamentada, trará um ônus para as empresas do setor perto de 1% sobre o valor total da frota. As opções serão: (a) repassar o aumento da carga tributária aos consumidores (b) ou absorver este custo e tentar compensá-lo sendo mais eficiente”, ressalta.

Atuação digital

Além disso tudo, a Movida é uma companhia jovem, que vem investindo cada vez mais em sua atuação digital.

“Nesse sentido, a empresa vem desenvolvendo tecnologias em aplicativo, Web-Check in, biometria facial, entre outros”, diz a Planner. “A Jornada Digital economiza em pessoal, gerando eficiência operacional e melhorando a experiência do cliente”.