Mourão é cobrado por investidores por resultados na área ambiental

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / TV Brasil

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, participou nesta quinta-feira (9) de uma videoconferência com ministro do governo e investidores estrangeiros. Na pauta, preservação do meio ambiente no Brasil. O vice foi cobrado por resultados na área.

Os investidores estrangeiros que participaram da live foram representantes da Legal and General Investment Management (do Reino Unido), AP2 Second Swedish National Pension Fund, Nordea Asset Management e SEB Investment Management (os três da Suécia), Storebrand Asset Management e KLP (ambos da Noruega), Robeco (da Holanda) e Sumitomo Mitsui Trust Asset Management (do Japão).

Os representante do governo foram os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura), Ricardo Sales (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fábio Faria (Comunicação) e Roberto Campos Neto (Banco Central).

Mourão é quem comanda o Conselho da Amazônia.

Segundo o vice, os fundos estrangeiros não se comprometeram a fazer investimentos no país diante da atual situação.

Nesta sexta (10), está prevista uma reunião nos mesmos moldes, mas com investidores brasileiros.

Cobranças

Os investidores estrangeiros cobraram do governo sobre o desmonte das agências de fiscalização ambiental.

Mas Mourão disse que a responsabilidade não é do atual governo.

“Nosso governo não é o responsável pelo desmonte de estruturas das agências ambientais”, disse. “Nós herdamos tanto o Ibama como o ICMBio com reduzido número de servidores”.

“Com as questões orçamentárias que vivemos e a proibição de concursos, nós estamos buscando uma solução, e isso é uma tarefa que o Conselho da Amazônia irá buscar, para que essas agências tenham sua força de trabalho recompletadas”, seguiu.

“Então, críticas têm sido feitas e, principalmente ao ministro Ricardo Salles, e quero deixar claro aqui que essas críticas não estão sendo justas”, defendeu.

O ministro Ricardo Salles informou que na próxima semana deverá o presidente Jair Bolsonaro deve assinar um decreto suspendendo a autorização para o uso de fogo na Amazônia por 120 dias.

Fundo Amazônia

Noruega e Alemanha negociam a retomada dos investimentos no Fundo Amazônia. Ambos os países são responsáveis por mais de 90% do que o fundo recebia.

O Fundo Amazônia é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e financia projetos do poder público e da iniciativa privada para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.

A suspensão dos repasses financeiros dos dois países se deu em agosto de 2019, quando o governo federal confrontou a comunidade internacional dizendo que a Amazônia era problema só do Brasil, em meio a crescentes e históricas queimadas na floresta. Até o ator Leonardo DiCaprio foi recriminado na época, pelo governo Bolsonaro.

Mourão acredita que os repasses possam voltar: “a gente conseguindo no segundo semestre apresentar resultados positivos em relação às queimadas, é algo que pode ser colocado na mesa de negociação, dizendo ‘ó, estamos cumprindo a nossa parte, agora vocês voltem a cumprir a de vocês'”.

Mourão tenta defender imagem do Brasil

Desgastada pelo próprio governo, a imagem do Brasil no exterior foi alvo de debate.

Mourão disse que o Brasil não desmata para agricultura ou pecuária, pois ao agronegócio do país tem tecnologia “de ponta”.

Para ele, há uma “disputa geopolítica”, com concorrentes agrários do Brasil pressionando para o país perder terreno no comércio internacional.

O Brasil tem sido cobrado por investidores e empresas estrangeiras por uma melhora na questão ambiental e de direitos humanos, envolvendo os povos indígenas e vulneráveis.

Entretanto, não há política de governo na atual administração nesse sentido, o que só piora a imagem do país externamente. Os investidores notam, porém, que nunca houve por parte de Bolsonaro preocupação nesse sentido, nem mesmo durante a campanha presidencial.

“No mês passado, um grupo de investidores responsável por cerca de R$ 20 trilhões enviou uma carta aberta às embaixadas brasileiras de oito países (Estados Unidos, Japão, Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França e Holanda) para citar a preocupação com o aumento do desmatamento no Brasil”, reportou o G1.

“A carta foi assinada por 29 grandes fundos internacionais de investimento, que dizem acompanhar com preocupação a tendência de aumento do desmatamento no Brasil e que a situação cria incerteza sobre as condições para investir e fornecer recursos financeiros ao país”, segue a matéria.

O desprezo pelas questões ambientais chegaram a minar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.