Morte de Qassem Soleimani foi erro de cálculo, diz ministro iraniano

Sabrina Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Al Jazeera.com

A morte do general iraniano Qassem Soleimani pelos Estados Unidos foi um “erro de cálculo” que reforçou o apoio no Iraque à retirada das tropas norte-americanas, objetivo há muito pretendido pelo Teerã, disse ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, na última sexta-feira (13). As informações são do Yahoo.

Os Estados Unidos assassinaram Qassem Soleimani em 3 de janeiro em um ataque com um drone, quando o comandante da Força Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária e sua comitiva, deixava o aeroporto de Bagdad,  em uma ação justificada de que preparava ataques contra norte-americanos.

Em uma declaração na Conferência de Segurança de Munique, o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, considerou que “os Estados Unidos cometeram um erro de cálculo”, ao assinalar que, desde a sua morte, os iraquianos desceram às ruas em protesto contra a presença de tropas estrangeiras no país.

Logo após o ataque, onde também foi morto Abu Mahdi al-Muhandis, comandante militar, os deputados iraquianos aprovaram uma resolução, não vinculativa, que exige a retirada das tropas dos EUA, e desde então a questão da presença militar norte-americana tem monopolizado a política iraquiana.

Zarif deve reunir-se com o Ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, para abordar os atuais esforços europeus destinados a preservar o acordo nuclear com o Irã. O acordo prevê incentivos econômicos para o Irã, em troca de restrições ao seu programa nuclear, num esforço para impedir o país possua uma bomba nuclear, intenção que o Irã tem negado.

A economia iraniana sofreu um novo e rude golpe após maio de 2018, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu abandonar unilateralmente o acordo nuclear e reimpor sanções drásticas.

Em um esforço para pressionar os restantes signatários do acordo — Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China — a fornecerem incentivos para contornar as sanções norte-americanas, o Irã tem vindo a desrespeitar progressivamente as restrições ao seu programa nuclear.

Os Estados Unidos têm por sua vez pressionado os restantes signatários a romperem com o acordo, entretanto, Maas disse no fórum de Munique que a Alemanha rejeita as táticas dos EUA de “máxima pressão” sobre o Irã.

Zarif reiterou a posição iraniana, pela qual todas as decisões sobre o reinício do seu programa nuclear são reversíveis “caso a Europa adote decisões significativas”.