Moro x Bolsonaro: PF vai ouvir Ramagem, Saadi, Valeixo e três ministros

Paulo Amaral
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Crédito: Twitter

A próxima segunda-feira, dia 11, marcará o novo round da briga entre o ex-Ministro da Justiça, Sergio Moro, e o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Segundo o colunista Fausto Macedo, do Estado de S.Paulo, a Polícia Federal marcou para esta data os depoimentos de importantes personagens na trama que culminou com a saída de Moro do Governo.

Maurício Valeixo, ex-diretor da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF do Rio, farão suas oitivas em Curitiba e em Brasília.

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Valeixo e Saadi protagonizaram uma das muitas discussões entre Moro e Bolsonaro no caso da suposta interferência política do presidente na Polícia Federal.

Em agosto de 2019, segundo o colunista do Estadão, Bolsonaro tentou tirar Saadi da superintendência do Rio para colocar Alexandre Saraiva, da PF do Amazonas, em seu lugar, mas não conseguiu.

Ramagem, por sua vez, foi o nome indicado por Bolsonaro para ocupar a vaga de Maurício Valeixo na diretoria da Polícia Federal, mas sua indicação acabou barrada pelo Supremo Tribunal Federal por “desvio de finalidade”.

Bolsonaro, a princípio, desistiu da ideia e revogou a indicação, nomeando Rolando Alexandre de Souza, braço direito de Ramagem, para o posto.

Nesta sexta-feira, no entanto, o presidente da República solicitou para a Advocacia-Geral da União que intercedesse junto ao STF para tentar reconduzir Ramagem, amigo da família, ao posto na PF.

Mais depoimentos

Além do trio, outros personagens envolvendo a briga Moro x Bolsonaro serão ouvidos na próxima semana pela Polícia Federal, mas ainda sem data definida.

Entre eles estão Carlos Henrique de Oliveira Sousa, número 2 da Policia Federal, o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva – indicado por Bolsonaro para o Rio em agosto do ano passado -, e o ex-chefe da corporação em Minas, Rodrigo Teixeira.

A deputada Carla Zambelli, apoiadora de Bolsonaro, e que foi citada por Sergio Moro em suas denúncias ao Jornal Nacional sobre a possível troca da diretoria da PF estar atrelada a uma vaga para ele no STF, também prestará depoimento.

A oitiva de Zambelli, filiada ao PSL, de São Paulo, está marcada para o dia 13 de maio, quarta-feira da próxima semana.

Ministros também irão depor

Três ministros citados por Sergio Moro como testemunhas das ameaças de Bolsonaro em uma reunião no Palácio do Planalto serão ouvidos após terminarem as oitivas dos delegados da Polícia Federal.

Augusto Heleno (GSI), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) teriam participado, de acordo com o ex-Ministro da Justiça, de duas reuniões nas quais Bolsonaro o teria pressionado para trocar o comando da Polícia Federal.

Em seu depoimento à PF, revelado na íntegra e sem segredo de Justiça durante a semana, Moro foi taxativo: “O presidente afirmou que iria interferir em todos os Ministérios e quanto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro, trocaria o Diretor Geral e o próprio Ministro da Justiça”.

O ministro Celso de Mello, responsável pela condução do inquérito no Supremo Tribunal Federal, já solicitou áudio e vídeo, sem cortes ou edições, de uma destas reuniões, realizada no dia 22 de abril, mas a AGU contestou o pedido e argumentou que apenas a parte citada por Moro deveria ser entregue para análise.

Ministro do STF mantém decisão que barrou Ramagem na PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve, nesta sexta-feira (8), decisão que barrou a nomeação do delegado Alexandre Ramagem.

Moraes alegou que não avaliou o recurso porque o governo desistiu da nomeação, ao escolher outro diretor da PF, Rolando Alexandre.

A Advocacia-Geral da União (AGU) havia solicitado nesta sexta (8) que o ministro Alexandre de Moraes reconsiderasse a decisão que impediu o decreto de nomeação e a posse do delegado Alexandre Ramagem como novo diretor-geral da Polícia Federal (PF) no mês passado.

Moraes atendeu a um pedido feito pelo PDT por meio de um mandado de segurança.

Ao suspender a nomeação, o ministro citou declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro que, ao deixar o cargo, acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

Interferência na PF

Na petição, a AGU sustentava que não havia provas da suposta interferência. Por isso, segundo a advocacia-geral, a nomeação deveria ser liberada para que o presidente da República possa exercer suas prerrogativas e indicar novamente Ramagem para a direção da PF.

“A alegada intenção de interferência ilícita em investigações da Polícia Federal requer demonstração material concreta, isto é, a indicação de atos diretivos e concatenados que não deixem dúvida acerca da abusiva intromissão. Não há quaisquer provas nos autos que contemplem alguma ordem presidencial voltada a manipular ou a fraudar investigação da Polícia Federal”, disse a AGU.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

AGU pede que STF indique acesso à gravação citada por Moro

A Advocacia-Geral da União (AGU) fez hoje (8) o terceiro pedido envolvendo a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a gravação de uma reunião, realizada no dia 22 de abril, entre o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, ministros e presidentes de bancos públicos seja enviada à Corte em 72 horas.

Na manifestação, o advogado-geral da União, José Levi do Amaral, solicita que seja definida a cadeia de custódia, ou seja, a indicação de quais órgãos terão acesso ao vídeo no decorrer do processo.

A decisão caberá ao ministro Celso de Mello, que é relator do caso.

Na quinta-feira (6), na primeira petição enviada ao STF, a AGU pediu que a entrega fosse revogada “pois nela foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”.

Ontem (7), o órgão também pediu que o ministro analise a possibilidade de entregar somente uma parte da gravação da reunião em que Moro estaria presente.

No despacho proferido na terça-feira (5), Celso de Mello pediu a cópia da gravação à Secretaria-Geral e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ao atender ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito sobre suposta interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

A reunião foi citada por Moro em depoimento à PF na semana passada.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

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