Moro presta depoimento neste sábado na Polícia Federal

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Divulgação/MJSP

O ex-juiz e ex-Ministro da Justiça Sergio Moro prestará depoimento neste sábado (2), na Polícia Federal, em Curitiba, cumprindo determinação do Supremo Tribunal Federal.

O ministro Celso de Mello, que preside a investigação, determinou que Moro seja ouvido para comprovar as acusações feitas ao presidente da República, Jair Bolsonaro.

Ao deixar o cargo de Ministro da Justiça, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, e assegurou ter provas para comprovar suas denúncias.

Se as acusações de Moro forem comprovadas e verdadeiras, Bolsonaro poderá responder por até sete crimes, entre eles o de falsidade ideológica e o de obstrução de Justiça.

Caso não comprove as acusações, o ex-Ministro da Justiça poderá responder perante a Lei por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.

Intimidação

Antes de confirmar seu depoimento à Polícia Federal para este sábado, Sergio Moro deu entrevista para a Revista Veja e chegou a acusar a Procuradoria-Geral da República de intimidação.

“Entendi que a requisição de abertura desse inquérito que me aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa foi intimidatória”, opinou.

Para o ex-ministro, há muita coisa equivocada no atual governo e tudo isso ficará esclarecido quando ele fizer seu depoimento para a Polícia Federal.

“Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime”, enumerou Moro.

O ex-ministro citou também o longo imbróglio envolvendo o Juiz de Garantias e que “implorou” para Bolsonaro vetar a figura, mas que foi ignorado pelo presidente.

“Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém, mais recentemente, observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo”.

Aras rebate ex-Ministro

A Procuradoria-Geral da República se manifestou, por meio de nota publicada pelo G1, sobre as declarações de Sergio Moro à Revista Veja.

Segundo o órgão, o pedido de inquérito apenas “narra fatos” e está dentro das atribuições do órgão, não sendo, de forma alguma, “intimidatório”.

“A petição de inquérito apenas narra fatos e se contém nos limites do exercício das prerrogativas do Ministério Público, sem potencial decisório para prender, conduzir coercitivamente, realizar busca e apreensão, atos típico de juízes – e, só por isso, não tem caráter intimidatório”.

O comunicado ressaltou ainda que o procurador Augusto Aras “não aceita ser pautado ou manipulado”.

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, reitera que não aceita ser pautado ou manipulado ou intimidado por pessoas ou organizações de nenhuma espécie. Ninguém está acima da Constituição!”.

Procuradores indicados

Segundo determinação da PGR, acompanharão os depoimentos os seguintes procuradores: Hebert Reis Mesquita, Antonio Morimoto e João Paulo Lordelo Guimarães Tavares.

Os nomes dos procuradores foram encaminhados ao STF e já receberam o sinal verde do relator do caso, o ministro Celso de Mello.

As acusações de Moro

Moro apontou sete crimes cometidos por Bolsonaro. O principal foi o interesse do presidente em interferir na autonomia da Polícia Federal, que estava, até ontem, sob o comando de Maurício Valeixo.

Essa interferência tinha como objetivo ter acesso a investigações sigilosas, muitas das quais comandadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no STF e que a troca também seria oportuna na Polícia Federal por esse motivo”, disse Moro.

Mensagens em rede nacional

Uma troca de mensagens entre o presidente da República e o agora ex-Ministro da Justiça foi exibida no Jornal Nacional, da Rede Globo, e reproduzida pela Folha de S.Paulo.

Nela, Bolsonaro informa a Sergio Moro sobre uma matéria do site “O Antagonista”, intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” e, na sequência, emenda: “Mais um motivo para a troca”.

A troca insinuada por Bolsonaro era referente a Maurício Valeixo, ex-diretor da Polícia Federal e gota d’água no pedido de demissão de Sergio Moro.

Moro ainda tentou argumentar com Bolsonaro, informando que Valeixo não tinha nada a ver com as investigações, e que elas teriam sido comandadas “pelo Ministro Alexandre no STF”, em referência a Alexandre de Moraes, um dos membros do Supremo Tribunal Federal.

“Este inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre [de Moraes] no STF. Diligências por ele determinadas; quebras por eles determinadas; buscas por ele determinadas. Conversamos em seguida às 9h”, resumiu Moro, em sua mensagem.

Alexandre de Moraes, além de ser o relator da CPI das fake news, também foi o sorteado para comandar as investigações sobre o ato do qual o presidente Jair Bolsonaro participou em Brasília, pedindo, entre outras coisas, o fechamento do Congresso, do STF e a volta do AI-5.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Troca de favores?

Em uma outra troca de mensagens exibida pelo telejornal global e pela Folha, Sergio Moro prova que realmente não condicionou aceitar a saída de Valeixo da Polícia Federal por uma cadeira no STF em novembro, como alegou Jair Bolsonaro.

Essas mensagens, no entanto, foram trocadas com a deputada Carla Zambelli, do PSL, de São Paulo, e considerada uma das mais ferrenhas defensoras de Bolsonaro.

Nas mensagens, Zambelli praticamente implora a Moro para aceitar Ramagem, ex-diretor da Abin, para o lugar de Valeixo na PF, pois, assim, “iria em setembro para o STF”.

Moro responde, claramente, que não se interessa pela troca de favores, cravando: “Prezada, não estou à venda”.

Moro acusa PGR de intimidação e promete provas contra Bolsonaro