XP: Moro leva capital político que emprestava a Bolsonaro

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

Em coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (24), o Ministro da Justiça, Sergio Moro, informou que está deixando o ministério. O motivo foi a repentina exoneração do diretor-geral, Maurício Valeixo, da Polícia Federal (PF) e a interferência do governo Federal nos trabalhos da PF.

A saída de Moro trouxe muita volatilidade para bolsa e o dólar. Hoje, durante a fala do ministro Sérgio Moro à imprensa, quando anunciou a saída, a Bovespa caía 6%.

O time de análise política da XP Investimentos realizou live com a participação do cientista político do Insper, Carlos Melo, para debater sobres os desdobramentos da saída de Moro.

Carlos Melo caracterizou o presidente Jair Bolsonaro como um líder disfuncional. Ou seja, que age contra os interesses daqueles que o colocaram no poder.

Bolsonaro perde parte significativa dos eleitores de 2018, que votaram nele pelo apoio à operação Lava Jato e promessa de combate à corrupção. Isso porque o Ministro é o grande símbolo da operação.

A saída de Sergio Moro quebra o elo entre os “lavajatistas” e os “bolsonaristas”. Moro leva embora todo o capital político que fornecia ao presidente.

Para Melo, os problemas da gestão Bolsonaro são criados por ele mesmo. O presidente caminha para ficar sozinho.

Popularidade

Melo afirmou que um aspecto a ser monitorado de perto é a popularidade do presidente. As pesquisas de popularidade mostrarão quem da base de apoio do governo, é do time da Lava-Jato, e que pode passar a ter um tom menos amistoso com a saída do ministro.

Se os níveis de aprovação de Bolsonaro caíam para casa de um dígito, “não terá quem segure, nem o Centrão”.

Centrão

O cientista político ainda lembrou que o presidente tentou se aproximar do Centrão, mas ressaltou que o Centrão de hoje é bem diferente do que já foi um dia.

Atualmente, o Centrão não conta mais com o DEM e parte do PSDB. Dessa forma, é preciso avaliar se o Centrão terá mais que os 171 votos necessários para vetar um impeachment.

O Centrão refere-se a um conjunto de partidos políticos que não possuem uma orientação ideológica específica e visam garantir uma proximidade ao poder executivo de modo que este lhes garanta vantagens.

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