Moro depõe à PF em oitiva sigilosa e tuita sobre lealdade

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikimedia

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro depôs à Polícia Federal (PF) em Curitiba, na tarde deste sábado (2), em oitiva sigilosa.

Significa dizer que as informações e supostas denúncias contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, somente serão públicas se o ministro do Supremo, Celso de Mello, permitir.

Informações extraoficiais dão conta de que Moro reiterou as acusações e entregou provas por escrito, além de áudio e vídeo.

Acompanhado por advogados, ele foi questionado por dois delegados da Polícia Federal, bem como por três procuradores indicados pela Procuradoria Geral da República (PGR).

O ex-ministro prometeu entregar provas de ingerência por parte do presidente Bolsonaro, que pretendia interferir em investigações da PF e em outros departamentos de Justiça.

Moro deixou o governo em 24 de abril após 16 meses no cargo. Antes disso, ele ocupava a função de juiz federal lotado em Curitiba.

Moro começou o domingo(3) assim:

O ex-ministro foi rebatido pelo 02:

Veja os possíveis desdobramentos do depoimento de Moro à PF

Depoimento do ex-ministro na Superintendência da PF, em Curitiba , determinado pelo ministro do STF, Celso de Mello, terminou no fim da noite deste sábado (2), e teve duração aproximada de oito horas e meia.

Vazou propositalmente

Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes disse neste sábado à tarde que Sergio Moro vazou propositalmente a delação do ex-ministro do PT, Antônio Palocci, no segundo turno de 2018, com o propósito de favorecer Jair Bolsonaro.

“Ele [Moro] estava muito próximo desse movimento político, tanto que no segundo turno faz aquele vazamento da delação do Palocci. A quem interessava isso? Ao adversário do PT. Depois, ele aceita o convite, que é muito criticado, para ser ministro deste governo Bolsonaro, cujo adversário ele tinha prendido. Ficou uma situação muito delicada, se discute a correição ética desse gesto”, disse.

E acrescentou: “a mim me bastam os fatos. O vazamento desta delação naquele momento tinha o intuito que se pode atribuir.”

Conforme Mendes, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu autorização a Bolsonaro para convidar Moro para ser ministro da Justiça.

Isso ocorreu quando Guedes se tornou o responsável pela economia, ou seja, no primeiro semestre de 2018. Portanto, bem antes de quando publicamente se ficou sabendo do convite.
“Se o STF decidia alguma coisa que afetava a Lava Jato, era o STF que estava errado e a Lava Jato estava certa. Nesse contexto, se desenvolve esse repúdio ao Supremo, e a Lava Jato foi parceira. De certa forma, a Lava Jato é a mãe ou o pai do bolsonarismo”, afirmou.

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Judas

Na manhã deste sábado, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro chamou o ex-ministro de “Judas” e insinuou que ele pode ter interferido em inquérito que investiga o atentado realizado por Adélio Bispo durante a eleição.

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“Os mandantes estão em Brasília? O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse?”, escreveu o presidente, em referência ao depoimento que Moro.

Ele acrescentou ainda que não fará nada “que não esteja de acordo com a Constituição”.

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‘Golpe em cima de mim’

Na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que “ninguém vai querer dar golpe em cima de mim”.
A fala diz respeito a toda movimentação envolvendo as últimas ações do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como ao depoimento de Sergio Moro à PF.

“Pessoal, fiquem tranquilos. Ninguém vai fazer nada ao arrepio da Constituição, fiquem tranquilos.”
Ministro do STF, Luís Roberto Barroso disse recentemente que “impeachment é a última opção” para administrar a decepção numa democracia. A primeira, frisou, é a eleição.

Aprovação de Bolsonaro cai

Levantamento do DataPoder indica que a taxa de ótimo/bom do presidente Jair Bolsonaro caiu de 36% para 29%, em 15 dias, e ruim/péssimo aumentou de 33% para 40%.

Já a posição regular oscilou de 28% para 26%. Apesar da forte queda na aprovação, de sete pontos, Bolsonaro mantém a sustentação firme de um terço do eleitorado.

A pesquisa foi realizada por telefone celular e fixo, do dia 27 a 29 de abril, com 2.500 pessoas em 472 municípios em todos os Estados do país.

Entre as perguntas, 26% dos entrevistados disseram que acham que podem morrer se pegarem o coronavírus.

No mesmo período, aumentou a percepção dos brasileiros a respeito do risco que correm em meio à pandemia de Covid-19.

Subiu de 8% para 16% nas últimas duas semanas os que dizem ter sido contaminados por coronavírus ou conhecer alguém que teve a doença.

No mesmo período, aumentou a percepção dos brasileiros a respeito do risco que correm em meio à pandemia: 26% acham que podem morrer se pegarem o vírus.