Morning Call: semana de suma importância em meio à crise do Covid-19

Filipe Teixeira
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Crédito: Reprodução

A capacidade do mundo de controlar o contágio do coronavírus e se recuperar totalmente da pior recessão em tempos de paz desde a Grande Depressão será colocada em prova mais uma vez ao longo desta semana.

Com os mercados emergentes e os países em desenvolvimento enfrentando emergências de saúde, demanda em colapso e problemas de fluxo de caixa, os guardiões da economia global estão atentos para aliviar as tensões nas reuniões de videoconferência desta semana do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

A falta de ações concretas pode resultar em um cenário perfeito para a inadimplência das dívidas, criando um obstáculo no caminho de qualquer tipo de recuperação robusta da economia mundial.

A alta do dólar foi particularmente dolorosa para os países que obtiveram empréstimos em dólares e que agora lutam para cobrir os empréstimos, especialmente à medida que suas exportações caem.

Os ministros do G-20 e os banqueiros centrais se reunirão em teleconferência na quarta-feira (15). Eles planejam oferecer aos países de baixa renda um congelamento dos pagamentos bilaterais de empréstimos do governo por seis ou nove meses ou possivelmente até 2021.

O que você verá neste artigo:

Retração

Os economistas do Morgan Stanley preveem que os mercados emergentes, excluindo a China, encolherão 4,1% no trimestre atual, um mergulho mais profundo que os 3,1% do primeiro trimestre de 2009, quando o mundo esteve em crise pela última vez.

Esse ambiente deixa o FMI calculando que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento precisarão de trilhões de dólares em financiamento externo para combater o vírus, dos quais apenas parte pode cobrir por conta própria, deixando lacunas de centenas de bilhões de dólares.

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Metade dos 189 membros da organização internacional de empréstimos já está buscando ajuda.

Congresso

Por aqui, o início de semana marca a tensão política entre parlamentares e equipe econômica: a PEC de Guerra, votada com extrema agilidade na Câmara dos Deputados, emperrou no Senado e só deve ir a votação nesta segunda-feira.

Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a PEC vem sendo citada como fundamental para domar a inclinação da curva de juros longa, barateando o crédito ao trocar os títulos mais longos por papéis com vencimento mais curtos.

Enquanto isso, a Câmara deve votar também hoje a sua alternativa ao Plano Mansueto, o projeto de auxílio aos Estados, que ganhou o tratamento de “bomba fiscal” por parte da equipe econômica.

A nova guerra política coloca o ministro Guedes de um lado, estimando um impacto de R$ 160 bilhões e exigindo uma contrapartida por parte dos Estados, como o congelamento dos salários de servidores por 24 meses.

Por outro lado, Rodrigo Maia afirma que o pacote não deve ultrapassar os R$ 100 bilhões, acusando o governo de boicotar a ajuda aos governadores do sudeste, sabidamente, desafetos pessoais do presidente Bolsonaro.

Covid-19

O clima de campanha política esquentou em São Paulo neste final de semana, com a carreata contrária às medidas do governador Dória em ampliar o isolamento social.

Neste domingo, o ministério da saúde confirmou mais de 22 mil casos da doença e 1.223 mortes confirmadas pelo Covid-19, com 445 mortes só na cidade de São Paulo.

Nos EUA, o estado de NY já registra 9.385 mortes, sendo 750 apenas nas últimas 24 horas. Já são 550 mil americanos infectados e 21.733 mortes no total. As atividades econômicas estão previstas para retornarem de forma escalonada, a partir do início de maio.

Na Europa, Itália e Espanha começam a mostrar uma sensível diminuição no número de mortes e novos casos confirmados e na China, o número de contaminados atingiu a máxima em seis semanas, ligando o alerta para o risco de uma segunda onda da doença.

Petróleo

Por fim, um dos grandes destaques do final de semana: a Opep finalizou o acordo que prevê um corte de 9,7 milhões de barris de petróleo /dia para os meses de maio e junho. Nos seis meses seguintes, a redução será de 7,7 milhões de barris/dia e entre janeiro de 2021 e abril de 2022, um corte de 5,8 milhões de barris/dia.

A boa notícia é que o acordo deve encerrar a guerra de preços entre entre sauditas e russos, mas existe a crescente preocupação de que o acordo seja insuficiente para compensar o enorme choque de demanda causada pela pandemia, o que poderá ser verificado na abertura dos mercados.

Como visto, um longo e duro dia pela frente. E a semana está apenas começando!