Morning Call: O fim da temporada de balanços

Filipe Teixeira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Augusto Aras e Dias Toffoli. Foto: Agência Senado e Rosinei Coutinho / STF

A temporada de balanços referentes ao terceiro trimestre de 2019, entra em sua reta final nesta semana que também será mais curta em virtude do feriado da Consciência Negra na quarta-feira, que manterá as bolsas em São Paulo fechadas.

E foram poucas as surpresas, positivas ou negativas já que no geral, os números confirmaram a expectativa de fraqueza, diante do contexto desafiador, no que tange o crescimento de nossa economia doméstica.

Do lado dos resultados animadores, as blue chips Vale e Petrobras carregaram o piano: a mineradora apresentou um belo trabalho de geração de caixa enquanto a nossa “Petro” compensou o preço de queda do petróleo, mostrando avanço na redução de sua alavancagem financeira.

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Quem apostou no avanço da concorrência no e-commerce não se deu bem: a Magazine Luiza mais uma vez surpreendeu até mesmo quem apostava em bons resultados e o mesmo se pode dizer da Suzano, que reduziu estoques mesmo sofrendo com a queda no preço do papel e celulose. Valid, Copel e Ultrapar também apresentaram números acima do esperado. E já que falamos em varejo, a Hering registrou lucro líquido de R$64,1 milhões neste terceiro trimestre, número 22,3% superior ao mesmo período de 2018, o que levou seus papéis a alta de 6%.

Outro que não para de nos dar alegrias é o Itaú Unibanco: mesmo em um cenário de queda nos juros, o maior banco privado do Brasil teve um lucro de mais de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, número acima das expectativas dos analistas e que fez com que as ações subissem na sessão pós-balanço.

No segmento de shoppings, quem animou foi a Br-Malls, ao ver seu lucro ir para R$ 258,4 milhões no terceiro trimestre, alta de 180% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mas nem tudo são flores, Ambev e CVC que o digam, a gigante mundial não resistiu ao número que mostrou queda no volume de vendas de cerveja no mercado brasileiro, despencando 8% no pregão pós-balanço, enquanto o efeito Avianca segue machucando a CVC, que decepcionou com seu balanço.

Os custos mais altos e os preços mais baixos no negócio de aço, prejudicaram os números da CSN e do setor de mineração em geral. SulAmérica, BRF, Localiza e Porto Seguro também decepcionaram.

Faltando 43 dias para o final de 2019, Brasília já começa a entrar em ritmo de festa: ainda que o espírito natalino esteja longe de inundar os corações dos parlamentares, muito pouco ou quase nada de importante deverá ocorrer nos próximos dias.

A PEC da prisão em segunda instância entra na pauta da CCJ do Senado na quarta-feira, mas o cheirinho de pizza começa a ser sentido com força cada vez maior, principalmente para os lados do centrão. Neste domingo, o presidente Bolsonaro afirmou que a reforma administrativa, que deve reduzir benefícios de novos funcionários públicos, “Vai aparecer, mas vai demorar um pouquinho mais”.

O preocupante cenário dos hermanos chilenos, bolivianos e por que não, os argentinos, deve estar pesando na decisão.

Enquanto isso, no cada vez mais apodrecido STF, o peçonhento Dias Toffolli, que meses atrás em liminar, ordenou a paralisação das investigações sobre movimentações financeiras, “coincidentemente” atendendo à defesa de Flávio Bolsonaro, agora pediu acesso a dados bancários de quase 600 mil pessoas, além de negar a revogação da medida solicitada pela PGR.

A rusga entre Augusto Aras e o presidente do STF, ao menos devem garantir um pouco de entretenimento neste final de ano.

Apesar dos pesares políticos, somete na semana passada, três indicadores de atividade, o IBC-Br, as vendas no varejo e os dados do setor de serviços, confirmaram a percepção de que a economia brasileira começa a se afastar do preocupante cenário de estagnação, e agora ganha ritmo. O impacto da liberação do FGTS deve se concentrar neste quarto e último trimestre, fazendo com que a economia possa inclusive, crescer acima de 1% neste período.