Morning Call: JP Morgan e J&J dão início à safra de balanços

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A temporada de balanços começa nesta semana nos EUA com alguns dos maiores bancos do mundo divulgando seus números, dando aos investidores o primeiro vislumbre de quão ruim será o impacto do Covid-19 nos lucros globais.

Abrindo a safra nesta terça-feira, o JP Morgan reportou lucro de US$ 2,87 bilhões, representando queda de 69% na comparação anual. Assim, os ganhos por ação ficaram em US$ 0,78 centavos, ante estimativa de US$ 1,84 dos analistas, segundo a CNBC.

A retração se deu, principalmente, pelo aumento das provisões para perdas com empréstimos, que somaram US$ 6,8 bilhões, informou o banco. Já a receita se mostrou mais resistente, com retração 3% na comparação anual, para US$ 29,07 bilhões.

Já a gigante farmacêutica Johnson & Johnson informou que aumentou seu dividendo trimestral, ao mesmo tempo em que reduziu as diretrizes de lucro para o ano inteiro devido ao surto de coronavírus.

A J&J aumentou seu dividendo de US$ 0,95 por ação para US $ 1,01, alta de 6,3%. No entanto, reduziu sua previsão de ganhos ajustados para 2020 para entre US$ 7,50 e US$ 7,90 por ação, ante estimativa anterior de US$ 8,95 a US$ 9,10 por ação.

Conforme a CNBC, a empresa superou as expectativas de receita, previstas pelos analistas da Refinitiv, com um total de US$ 20,7 bilhões, ante US$ 19,47 bilhões esperados.

Os analistas da Fidelity International esperam lucros quase pela metade em empresas de presença global neste ano de 2020, enquanto o Goldman Sachs prevê que as economias desenvolvidas encolherão cerca de 35% neste trimestre.

Covid-19

Entretanto, o que os investidores estão buscando, é claro, são respostas aos trilhões de dólares em planos de estímulo e resgate, se serão suficientes para recuperar os valores dos ativos de risco quando a curva de infecção for finalmente controlada.

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Índia e França estenderam seus bloqueios, enquanto outros, incluindo a Alemanha e o Reino Unido, enfrentam decisões sobre a manutenção de medidas. Os governadores dos EUA formaram coalizões para a reabertura de suas economias, mesmo quando o presidente Donald Trump insistiu que apenas ele tem essa autoridade.

O presidente americano declarou que tem autoridade “total” para ordenar aos estados que relaxem o distanciamento social para combater o surto de coronavírus e reabram suas economias, e alertaram que os governadores que recusarem enfrentarão consequências políticas.

Questionado sobre qual provisão dá ao presidente o poder de abrir ou fechar economias do estado, Trump disse: “Inúmeras provisões. Daremos um resumo legal, se você quiser.

Desafiado a fundamentar sua afirmação, o presidente disse que “numerosas provisões” o apoiam e ofereceu aos repórteres um resumo jurídico, embora ele não tenha fornecido detalhes.

Especialistas jurídicos e alguns governadores contestaram a alegação de Trump. A 10ª Emenda à Constituição reserva para os estados todos os poderes que não são concedidos especificamente ao governo federal.

Vida dura para o executivo

Por aqui, com o placar de 431 votos contra 70, Rodrigo Maia e os líderes partidários da Câmara simplesmente ignoraram os apelos do ministro Paulo Guedes e determinaram ontem a compensação de Estados e municípios em proporção equivalente à perda de arrecadação em decorrência do isolamento social, por um período que compreende os meses entre maio e outubro.

O projeto prevê ainda , a suspensão do pagamento de dívidas estaduais a bancos públicos, impondo uma dura derrota ao governo.

O apoio maciço de 431 deputados, impõe ao presidente Bolsonaro uma verdadeira sinuca de bico: se o presidente optar por vetar o projeto de socorro, a expressiva votação obtida, recomenda que seu veto presidencial seja facilmente derrubado na Câmara, o que talvez deixe ainda mais explícito o cenário de total ingovernabilidade.

Como seriam as coisas, se o executivo tivesse costurado uma relação menos conflitante desde o início? Jamais saberemos.

No Senado, a votação do orçamento paralelo que separa as despesas do governo com a epidemia de coronavírus, ficou para quarta-feira e ainda mantém indefinido o trecho sobre os novos poderes do Banco Central.

Surpresas e destaques

A surpresa positiva nesta abertura foram os dados da balança comercial chinesa em março, que mostrou uma queda de 6,6% no ano, muito aquém da queda prevista de 15,9%.

A notícia impulsionou os principais índices asiáticos, que fecharam em alta, com destaque para o índice Nikkei no Japão, que registrou alta de 3,13%.

Na Europa, com exceção do FTSE Londrino, os mercados também operam em alta neste início de manhã, mesmo cenário verificado nos futuros em NY, que operam em altas superiores a 1%.

Destaques dos indicadores econômicos ficam por conta do IBC-Br de fevereiro, divulgado pelo Banco Central às 9h00 e que projeta um crescimento de 0,20% em relação à janeiro e alta de 0,70% no comparativo com fevereiro de 2019.

Lá fora, o destaque fica por conta do Panorama Econômico Mundial, divulgado pelo FMI às 9h30.

(Com Filipe Teixeira, da Wisir Research)