Morning Call: Economia chinesa segue preocupando a 5 dias do novo deadline imposto por Trump

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.

Crédito: imagem/reprodução/trademape

Às vésperas de Fed e Copom, o Ibovespa interrompeu ontem, seu recente ciclo de cinco altas consecutivas, sendo três delas marcadas por recordes (também consecutivos), fechando em queda moderada de 0,13% aos 110.977, com volume financeiro de R$ 18,5 bilhões, não sem antes registrar nova máxima do intraday: 111.453

Lá fora, a 5 dias de vencer a data programada para adição de novas tarifas sobre produtos “made in China”, o mercado parece ter entrado em modo defensivo, enquanto Donald Trump se limita a dizer que as “negociações estão indo bem”.

O que não está indo nada bem é a economia chinesa: depois de ver suas exportações caírem 1,1% em novembro, esta noite foi a vez de surpreender os mercados globais com o anúncio de que sua inflação ao consumidor, atingiu em novembro, o nível mais alto dos últimos sete anos: 4,5% na base anualizada.

BDRs. Alternativas para investir no exterior diretamente da bolsa brasileira

Em outubro, o número indicava 3,8%, também na base anualizada. Com mais uma sinalização de recuo, causado principalmente pelo jogo duro de Trump, que cumpre à risca sua promessa de campanha de endurecer as coisas para os chineses, fortalecendo o emprego do americano (que atingiu a menor taxa de desemprego dos últimos 50 anos), a expectativa hoje fica por conta de como os mercados – principalmente os emergentes – reagirão a mais um dado fraco vindo da China.

O gatilho da Trade War pode definir se o Brasil segue acelerando neste final de ano, ou se o momento é de dar aquela “beliscada no freio”.

De qualquer forma, até a aqui o comportamento da bolsa tupiniquim já surpreende, ao mostrar uma força incomum, por vezes operando descolada dos mercados em NY, muito por conta do fortalecimento cada vez mais crescente de nosso mercado interno, reflexo do alto volume aportado pelos fundos domésticos, a quem não resta outro caminho, em tempos de juros nas mínimas históricas.

No embalo destas notícias, ainda com um fio de esperança de que o investimento estrangeiro retorne e animado com a proximidade do IPO da XP, o dólar fechou em queda de 0,42% a R$4,12.

O superávit comercial anunciado pela Secex na primeira semana de dezembro, na ordem de US$ 1,6 bilhão, foi a cereja do bolo, mostrando que ao menos por enquanto, os dados mais fracos da economia chinesa, ainda não foram suficientes para causar maiores estragos por aqui.

Uma correção que se faz necessária: ontem escrevi que o governo brasileiro não enviaria representantes à posse de Alberto Fernández na Argentina, o que seria, em minha opinião, uma falta de cordialidade e diplomacia tremenda, mas na tarde de ontem, Bolsonaro foi convencido por militares e Paulo Guedes a enviar o vice-presidente, general Mourão, evitando um ruído diplomático completamente desnecessário contra um parceiro comercial historicamente relevante.

Melhor assim!

Com Filipe Teixeira, da Wizir.