Morning call: coronavírus e instabilidades políticas preocupam

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Unsplash

A segunda-feira começa de forma promissora para os mercados globais, que mostram ganhos consistentes na abertura das negociações na Europa e nos já encerrados mercados da Ásia. Os futuros em Nova Iorque também avançam à medida em que a abertura das maiores economias do mundo começa a se tornar uma realidade cada vez mais próxima. Além disso, o Banco do Japão impulsionou medidas de estímulo ao remover os limites de suas compras de títulos do governo, aumentando seu escopo para a compra de dívida . O dólar perde força ante seus pares e o petróleo cai de forma significativa, com o WTI mergulhado em perdas próximas dos 15%.

O Stoxx Europe 600 Index abriu em alta sólida em meio a vários catalisadores positivos: os dados do fim de semana mostraram que as mortes por coronavírus vem desacelerando neste mês, fazendo com que Espanha, Itália e França sinalizem tentativas de abrir suas economias. As ações italianas estavam entre as maiores ganhadoras e seus títulos superaram o desempenho depois que o país evitou um rebaixamento de seu rating.

A semana deve ser movimentada, com o Federal Reserve, o BOJ e o Banco Central Europeu anunciando decisões políticas à medida que a batalha contra a pandemia continua. Várias grandes economias divulgarão números do PIB, enquanto os lucros das empresas seguem no radar, com os resultados de Amazon.com Inc., Barclays e Samsung Electronics Co.

Por aqui, a cena é completamente diferente: a pandemia de coronavírus, que começa a dar sinais preocupantes através dos números oficiais, disputa espaço com as perspectivas de um longo e tenebroso inverno no que tange as sucessivas instabilidades políticas, que, como era de se esperar, foram acirradas durante o final de semana.

Ainda carecendo de confirmação oficial, as indicações dos amigos íntimos do clã Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Jorge Oliveira para a superintendência da Polícia Federal e a chefia do Ministério da Justiça respectivamente, receberam um sonoro “e daí?” do presidente, indicando que, em caso de confirmação, ambos os nomes levantarão ainda mais suspeitas sobre a intenção de interferência presidencial na Polícia Federal.

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Em carta aberta ao presidente da República, delegados da Polícia Federal apontaram para uma “crise de confiança” e defenderam a autonomia da entidade neste domingo.

Além disso, os rumores de que a permanência de Paulo Guedes no Ministério da Economia é dada como incerta pela meio político traz ainda mais receio de que a já baixa governabilidade de Bolsonaro possa encolher ainda mais, criando um ambiente insustentável.

O dia deve marcar também novos pedidos de impeachment, protocolados pelos tradicionais partidos de oposição, ganhando o incremento do PSL, antiga morada do presidente. O cenário pitoresco, se confirmado mais um pedido desta ordem, lembrará a todos que nos últimos 30 anos apenas dois presidentes eleitos pelo voto popular conseguiram encerrar seus mandatos, o que não é nada menos que uma retumbante vergonha.

De surpreendente até o momento, apenas o silêncio momentâneo dos presidentes de Câmara e Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, que podem ter significados dos mais variados, que vão desde uma reaproximação do governo aos partidos do centrão, como um silêncio que precede o esporro, de uma dupla que, desde sua chegada, se mostra no mínimo afeita à possibilidade de derrubar presidente.

Como recomenda seu histórico modus operandi, o apoio do centrão custará caro ao presidente: cargos e altos orçamentos são apenas a ponta do iceberg.

O chumbo pesado vem de todos os lados, o STF conduz avançado inquérito sobre as Fake News e, de acordo com a Folha de São Paulo, Carlos Bolsonaro deve ser indiciado como articulador do esquema.

O capitão que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento nunca esteve tão só.

Filipe Teixeira, da Wisir Research