Morgan Stanley: o que está por trás das aquisições da empresa

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/ Twitter

A Morgan Stanley anunciou nesta semana que planeja comprar a Eaton Vance, empresa de gestão de investimentos, em um negócio de US$ 7 bilhões.

No início de 2020, comprou por US$ 13 bilhões a E-Trade. Isso mostra uma mudança de Wall Street para negócios menos chamativos.

Quem conta a história é o New York Times, em artigo de 9 de outubro.

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A Eaton Vance se aproximou do Morgan Stanley há vários meses, mas o Morgan Stanley não conseguiu fechar um acordo antes do fechamento de sua aquisição do E-Trade.

Quando o Morgan Stanley e o Goldman Sachs se converteram em holdings bancárias durante a crise financeira de 2008, isso os sujeitou a uma regulamentação mais rígida.

E tornou, então, os negócios mais arriscados e aparentemente menos lucrativos.

Desde então, ambas as empresas diversificaram seus negócios como banco de investimento.

Estratégia do Morgan Stanley

O Goldman Sachs entrou no mercado bancário ao consumidor, por meio do credor online Marcus e de cartões de crédito, com a Apple e a G.M.

Já o Morgan Stanley apostou na gestão de patrimônio e investimentos.

Primeiramente, veio com o Smith Barney e continuou com a E-Trade e a Eaton Vance.

É algo que James Gorman, CEO do Morgan Stanley, está familiarizado – ele dirigiu o famoso negócio de corretagem da Merrill Lynch.

“Tenho pensado muito e observado muitos negócios de gestão de ativos ao longo da minha carreira”, disse Gorman a analistas. “Às vezes eles funcionam muito bem, às vezes não”.

Com a Eaton Vance, a divisão de gestão de investimentos do Morgan Stanley supervisionaria cerca de US$ 1,2 trilhão em ativos.

Além disso, teria potencial para mais de US$ 5 bilhões em vendas.

E o negócio de gestão de fortunas já responde por pouco mais da metade da receita do Morgan Stanley.

A Eaton Vance é também famosa por gerenciar fortunas.

Assim, ao aumentar ainda mais esses negócios, espera Gorman, persuadirá os analistas a ver sua empresa menos como um banco de investimento e mais como uma Charles Schwab, a multinacional financeira.

Se o múltiplo do Morgan sobe a meio caminho do da Schwab, disse Gorman, as ações do banco poderiam valer o dobro de seu valor hoje.

O CEO reconheceu que tal reclassificação é um desafio: “Espero que aconteça na minha carreira, ainda em vida”.

O que vem por aí

Taxas constantes e previsíveis são atraentes, mas os gestores de ativos que cobram um prêmio por fundos administrados ativamente estão sob pressão, pois os investidores adotam fundos passivos de baixo custo.

Isso torna a escala a chave para os lucros. Mais é mais.

Portanto, segundo o New York Times, é bom esperar mais consolidação no setor de gerenciamento de dinheiro.

Por exemplo, a Franklin Resources concordou em comprar a Legg Mason por US$ 4,5 bilhões.

E a firma de investimentos ativista Trian recentemente comprou participações na Invesco e na Janus Henderson, com o objetivo de empurrá-las para a fusão.

Ou seja, o Morgan Stanley precisa diversificar para não só crescer. Nessa visão, é para sobreviver.