Moody’s vê riscos “bastante elevados” de retração da economia nos EUA

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação / Sada

A demora para estabilizar a disseminação do coronavírus pode voltar a afetar drasticamente a economia dos EUA, segundo Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou, em outubro que a economia dos EUA fechará 2020 com retração de 4,3%, melhorando os números anteriores, na casa dos 8%.

Em entrevista para a CNBC, Zandi admitiu que os riscos de acontecer uma retração grande no pais, similares às antigas projeções do FMI, são “bastante elevados”, mesmo com os sinais de recuperação nos últimos meses.

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“Eu acho que os riscos são muito altos aqui de que a economia volte atrás”, alertou, para, na sequência, justificar sua preocupação.

“Estamos sofrendo uma nova intensificação bastante significativa do vírus. Quero dizer, 40.000 infecções diárias confirmadas quatro, seis, oito semanas atrás e, agora, estamos perto de 100.000. Isso vai começar a causar alguns danos”, projetou.

Moody’s vê EUA no caminho da Europa

Os EUA registraram mais de 100.000 casos de coronavírus confirmados diariamente pela primeira vez na quarta-feira, de acordo com dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

Desde o início da pandemia, o país já acusou mais de 9,6 milhões de infecções por Covid-19, maior número do planeta.

Segundo o economista entrevistado pela CNBC, essa tendência poderá fazer com que os Estados Unidos sigam os passos da Europa, onde a trajetória do surto está cerca de quatro a seis semanas à frente, novamente em crescimento.

Ele destacou que a Europa teve de reimpor medidas de distanciamento social para conter o ressurgimento do coronavírus, e que se isso for realizado em território norte-americano, causará prejuízos econômicos.

“E então não temos apoio fiscal adicional, pelo menos não no horizonte de curto prazo, pelo menos não até … a posse presidencial em janeiro, com toda a probabilidade. Isso deixa a economia bem vulnerável aqui ”, disse Zandi.

Medidas de apoio emergencial

Algumas das medidas já liberadas pelo governo, como a ajuda de US$ 2 trilhões, o CARES Act, expiraram ou deverão terminar em breve. As negociações para obter mais apoio chegaram a um impasse, pois os republicanos e democratas não conseguiam consenso sobre o tamanho do pacote e em que medidas gastar.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, R-Ky., disse na quarta-feira que um novo projeto de estímulo seria sua prioridade. Mas o economista vencedor do Prêmio Nobel, Paul Krugman, falou à CNBC na quinta-feira que não há indicação de que o senador concordaria com um pacote grande o suficiente.

Segundo o economista da Moody’s, um provável “governo dividido” nos EUA significa que um “grande pacote de resgate fiscal” não aconteceria. “Isso significa menos crescimento, vai demorar mais para a economia voltar ao pleno emprego”.

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