Moody’s projeta retração de 5,2% para o PIB brasileiro em 2020

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação / Sada

A Moody’s. agência de classificação de risco, fez uma nova projeção para o PIB brasileiro em 2020 e, com a correção, a retração será ainda maior.

No início do mês, os cálculos da Moody’s apontavam para um cenário de encolhimento de 1,6% na economia brasileira, já contando os prejuízos causados pela pandemia de coronavírus.

Nesta terça-feira, quase um mês após a última projeção, os números pioraram sensivelmente e, agora, estão na casa de -5,2%.

Segundo reportagem da Reuters, a agência calculou que as medidas de apoio do governo brasileiro contra os efeitos econômicos do coronavírus somam cerca de 6,5% do PIB, mas avaliou que deverão ser expandidas conforme a escala dos danos econômicos se tornar mais clara e a pressão da opinião pública por mais ação crescer.

Para o Brasil, a previsão é que o PIB de 2021 cresça 3,3%.

UBS faz projeção ainda pior

Boletim Focus

Se para a Moody’s a projeção para o PIB brasileiro é pessimista, para a UBS, empresa de serviços financeiros, ela é ainda mais tenebrosa.

De acordo com matéria publicada pelo UOL, depois de prever uma queda de 2% para a economia brasileira no início de abril, agora há três cenários possíveis.

No primeiro deles, de acordo com a UBS, o PIB brasileiro fechará 2020 com uma retração de 5,5%, já mais negativo do que a projeção da Moody’s.

O segundo cenário aponta que o PIB brasileiro será 7,2% negativo em 2020 e o terceiro, o mais sombrio, prevê retração de 10,1% na economia do País.

Os cenários e o isolamento

Os cenários projetados pela UBS estão diretamente ligados ao isolamento social e à adesão da população brasileira às medidas restritivas para impedir a propagação da Covid-19.

No cenário 1, a quarentena permanece até maio e as atividades sociais retornam gradualmente ao normal a partir do final de junho.

No 2, as restrições só começam a ser retiradas até o fim de junho, com normalização das atividades em meados de agosto.

No terceiro e mais tenebroso cenário para a economia brasileira, o coronavírus permanece sem ser controlado até meados de 2021 e, com isso, apenas parte das restrições é removida.

Tony Volpon e Fábio Ramos, economistas que assinaram as projeções, ponderaram ainda que a queda da economia pode ser grande independentemente dos cenários, mas por conta das turbulências políticas que o País enfrenta.

Para 2021, a projeção da agência para a economia do Brasil é de expansão de 6,5% (cenário um), 8,3% (cenário dois) e 5,4% (cenário três).

Retração do G20

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Os cálculos para o PIB brasileiro não foram os únicos a sofrerem alteração por parte da Moody’s. Segundo a agência, a retração do G20, bloco das 20 maiores economias do mundo (incluindo o Brasil), será de 5,8%.

A Moody’s informou que deve haver recuperação gradual do Produto Interno Bruto em 2021 na maior parte das economias avançadas, mas elas devem ainda ficar abaixo dos níveis anteriores à doença e seus efeitos na atividade.

“Excluindo-se a China, a Moody’s projeta que os países emergentes terão contração de 3,5%, quando antes da pandemia prevíamos avanço de 3,2%. A economia chinesa deve crescer 1,0% em 2020”, diz a nota da agência.

O isolamento social foi usado pelo vice-presidente da agência, Madhavi Bokil, para afirmar que a recuperação econômica será gradual. Para ele, o comportamento humano mudará após a pandemia.

Segundo Bokil, atividades que antes eram comuns, como comer em restaurantes, ir ao cinema ou fazer voos, não devem ser normalizadas totalmente até que as taxas de contaminação pela Covid-19 estejam em níveis muito baixos ou que uma vacina seja criada.

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Petróleo

A Moody’s também divulgou as projeções para o mercado do petróleo, que enfrenta a pior crise de sua história por conta da pandemia de coronavírus.

Segundo a agência, a demanda pelo produto deve melhorar no próximo ano, mas de maneira lenta, principalmente por conta dos altos estoques.

Focus: Mercado reduz projeção para o PIB a -3,34% em 2020