Moody’s avalia que Pix pode diminuir receitas dos bancos em até 8%

Paulo Amaral
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Crédito: Site: Transfeera

A plataforma Pix, criada pelo Banco Central para facilitar transferências instantâneas e pagamentos, está dando calafrios nos bancos.

De acordo com a Moody’s, agência de classificação de risco, a adesão dos usuários que hoje se utilizam de DOC e TED, por exemplo, causará prejuízo às instituições financeiras.

Os cálculos apontam que o Pix, cuja estreia está prevista para novembro, poderá tirar até 8% de receitas tarifárias dos bancos.

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“O Pix será um concorrente direto dos sistemas de pagamento existentes, incluindo transferências eletrônicas de dinheiro (TED) e pagamentos com cartão de débito, devido ao seu método de pagamento digital mais barato e rápido”, apontou o relatório, assinado por Farooq Khan.

Como o Pix “tirará” dinheiro dos bancos?

De acordo com a análise da Moody’s, atualmente os bancos faturam cerca de R$ 10,2 bilhões com a cobrança da TED, calculando-se um valor médio de R$ 10 por transação.

Além disso, as instituições financeiras também faturam com o processamento de pagamentos no cartão com a cobrança de valores dos comerciantes por transação.

“A isenção de tarifas é negativa para os bancos brasileiros, que perderão receitas de tarifas com transferências de dinheiro. Essas tarifas serão pressionadas à medida que o Pix se torne um substituto para o uso do cartão de débito”, pontuou o relatório.

Isso acontecerá porque o Pix não cobrará essas taxas, principalmente para pessoas físicas, conforme determinação do Banco Central.

Outra vantagem do Pix é que a plataforma funcionará 24 horas por dia, mesmo em sábados, domingos e feriados, períodos nos quais não é possível realizar DOCs ou TEDs.

Corrida por cadastro é grande

O Banco Central informou que a corrida por cadastro no novo sistema de pagamento segue intensa.

De acordo com os dados do BC, até as 18h30 de segunda-feira (5), já haviam sido feitos 3,5 milhões de cadastros de identificação para o uso do Pix.

O impressionante é que a abertura oficial do sistema para receber esses cadastros se deu apenas na manhã da própria segunda, aproximadamente às 9 horas.

De acordo com o BC, apesar de o sistema só começar a funcionar oficialmente no dia 16 de novembro, a partir do dia 3 do próximo mês terá início uma fase de testes.

Nela, alguns clientes que se cadastraram serão selecionados para experimentar o Pix.

A “chave Pix” é a informação que identificará o cliente e sua conta bancária no sistema, e pode ter como variações o e-mail, número de celular, CPF ou CNPJ.

O cadastramento dessa chave é necessário para quem deseja usar o Pix em transações financeiras, mas não é obrigatório, de acordo com o Banco Central.

Cuidado com os golpes

Junto da corrida pelo cadastramento, os usuários que estão buscando pelo Pix também têm que se preocupar com os novos “golpes”.

De acordo com os analistas da empresa de segurança Kaspersky, foram detectadas tentativas de fraude, principalmente por meio de phishing, na forma de sites falsos.

Foram identificados, somente no primeiro dia de cadastro das chaves, 30 domínios fraudulentos, que têm como objetivo conseguir senhas de contas, CPFs e até números de celulares para que sejam usados em atividades ilícitas.

Em contato com o site TecMundo, Eli Enrico Carnette, líder de prevenção contra fraudes no Agibank, deu uma importante dica:

Ele lembrou que a forma correta é acessar o aplicativo do seu banco e buscar pela opção de se cadastrar no Pix, definindo qual será sua chave e a informando.

“É essa chave que vai direcionar o dinheiro para a sua conta naquela organização. Muitas vezes, a instituição já tem esses dados cadastrados, e o cliente deve apenas confirmar qual deles quer utilizar. Se a instituição pedir mais dados bancários, como senhas ou número de cartão, desconfie e confirme o procedimento por um canal seguro antes de informar qualquer dado pessoal”, sintetizou.

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