Monitor da FGV aponta queda de 8,7% no PIB do segundo trimestre

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Produto Interno Bruto (PIB) oficial do segundo trimestre no Brasil só será conhecido dia 1 de setembro, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fará a divulgação.

Mas nesta terça-feira (18), a Fundação Getulio Vargas (FGV) publicou sua projeção para o período, que é de queda de 8,7% na comparação com o primeiro trimestre.

Na análise mensal da FGV, o indicador aponta crescimento de 4,2% em junho, na comparação com maio. Na comparação anual, a economia apresentou queda de 10,5%, no segundo trimestre e de 6,5% em junho.

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“É o pior resultado para o PIB já vivenciado pelo país desde 1980. É inegável que a pandemia trouxe enormes desafios que ainda devem demorar a serem solucionados”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

No entanto, ele acrescenta, na análise dos meses do segundo trimestre percebe-se que o pior desempenho foi em abril. “Embora as taxas interanuais de maio e junho ainda estejam muito negativas, já houve melhora dos resultados nestes meses na comparação dessazonalizada. Estes resultados mostram que, embora a economia esteja em situação pior em comparação ao trimestre anterior, no curto prazo já se observa uma melhora da atividade”, diz.

Essa rápida deterioração do PIB foi influenciada por fortes quedas na indústria (-12,8%) e nos serviços (-8,4%) e por praticamente todos os componentes da demanda, à exceção da exportação que cresceu 1,3% no segundo trimestre.

Em termos monetários, o PIB em valores correntes foi de aproximadamente 3 trilhões, 497 bilhões, 109 milhões de Reais no 1º semestre do ano.

Consumo das famílias

O consumo das famílias caiu 11,6% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre no ano anterior. Houve queda em todos os segmentos que compõem este consumo. As maiores contribuições vieram de alojamento e alimentação e de saúde privada.

Na análise mensal interanual, apenas os produtos não duráveis tiveram crescimento (1,2%).

Com relação ao consumo de serviços, a maior retração foi em maio (-12,6%). Em junho, a retração foi menor que a do mês anterior (-10,4%). Mas ainda é mais elevada do que a observada em abril (-9,0%).

Formação bruta de capital fixo (FBCF)

A FBCF retraiu 20,9% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019, com registro de queda em todos os componentes. A retração mais expressiva foi a de máquinas e equipamentos (-35,9%), que foi responsável por aproximadamente 70% da redução da FBCF.

Exportação

A exportação de bens e serviços apresentou retração de 0,4%, em comparação com o mesmo trimestre de 2019. Embora tenham registrado crescimento em alguns produtos. O principal destaque foram os produtos agropecuários, que tiveram crescimento de 37,6% no trimestre.

Importação

A importação retraiu 14,2% no segundo trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre de 2019. Destaque para o grupo serviços (-39,3%), que teve a maior retração, e ao item viagens internacionais.

Outras projeções para o PIB

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira, com as expectativas das instituições financeira para os principais dados econômicos do país, aponta queda de 5,62% no PIB de 2020.

Na última sexta (14), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou queda de 10,94% no trimestre. Ele é considerado uma prévia do PIB oficial. No entanto, houve alta de 4,89% em junho. Em maio, a alta foi de 1,31%. No ano, o acumulado aponta queda de 6,28%.

Nos cálculos do governo federal, o recuo deve ser de 4,7% este ano, conforme o Boletim Macro Econômico.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, é mais pessimista e projeta queda de 9,1% no ano.

No primeiro trimestre, a economia brasileira caiu 1,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).