MoneyWeek: setor de varejo pode passar por revolução após pandemia

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução

O empresário Mauro Nomura, que tem lojas da Arezzo, Schultz e Adidas, diz que o momento do varejo no País é de “desconstrução”.

“A receita do bolo mudou, vamos ter que reaprender e colocar o digital no centro da mesa”, afirma. O Grupo Nomura foi fundado em Florianópolis em 1998 e hoje tem operação em três Estados. 

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Ele participou, nesta terça-feira (23), da MoneyWeek e discutiu com Luciane Effetin, head de distribuição de investimentos do Santander, os impactos da pandemia no setor varejista. 

A crise, segundo Nomura, conduziu o varejo brasileiro para uma disrupção. “A convivência da tecnologia com o mundo físico foi acelerada nesse processo. Tivemos que nos digitalizar na marra.” 

Migração para o digital 

Para se ter uma ideia, o digital representava 1% das vendas do grupo antes da pandemia. Agora, gira em torno de 27%. “Uma boa meta seria manter esse patamar em 20%”, diz. 

Questionado sobre o fim das lojas físicas, o empresário disse que os 80% restantes, que não estão no digital, vão continuar consumindo na loja. Portanto, esse é um canal que continuará sendo importante. 

Segundo ele, mais do que apostar no atendimento virtual (sem interação humana), o setor tem descoberto a importância do digital. Nesse caso, o uso de plataformas digitais não dispensa o atendimento do vendedor. As vendas acontecem via WhatsApp ou Instagram. 

“Essa pandemia trouxe a valor presente o movimento de digitalização”, complementa Luciane Effetin. “À medida que o transacional fica no digital, o capital humano fica disponível para prestar uma consultoria e agregar valor ao cliente.” Essa lógica, segundo ela, vale não apenas para o varejo mas para a operação dos bancos também. 

Impactos do isolamento social no varejo 

Com lojas de rua e em shoppings, o grupo Nomura sentiu fortemente os impactos do isolamento social. Em alguns Estados, as unidades ficaram fechadas por mais de 90 dias. 

Em consequência disso, a projeção de faturamento para 2020 passou de R$ 220 milhões para R$ 160 milhões. Para reduzir custos e se ajustar à nova realidade, quase 80 pessoas foram demitidas. 

Nomura acredita em uma retomada das vendas lenta e gradual na fase pós-covid, mas diz que esse crescimento se derá com perda de margens. 

“O desemprego é um fato. O maior impacto não está em quem foi demitido, mas em quem continuou trabalhando e tem o sentimento de que pode ser próximo. O cara olha as cadeiras vazias e isso trava o consumo” 

Ainda assim, o empresário enxerga oportunidades. “Quem estiver com o caixa equilibrado, vai surfar uma onda de oportunidade muito grande, com taxas de juros baixas. O mundo está muito líquido e uma hora esse dinheiro vai aparecer.”