MoneyWeek: existe oportunidade em renda fixa, apesar de queda da Selic

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Reprodução/MoneyWeek

A coordenadora de análise de renda fixa da XP Investimentos, Camila Dolle, e o gestor de Renda Fixa do Banco Plural, Rafael Zlot, encerraram a série de lives do primeiro dia da MoneyWeek nesta segunda-feira (22).

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Os profissionais debateram o corte na taxa Selic, que caiu a 2,25% e o que se pode se esperar dos investimentos de renda fixa nesse novo cenário, com mediação da jornalista Fabiana Panachão.

Na opinião dos especialistas, apesar da rentabilidade estar em queda, ainda é possível encontrar alternativas para tentar garantir ganhos. “É preciso estudar um pouco mais para buscar as melhores opções”, enfatiza Camila.

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“Antigamente era só deixar os recursos em uma aplicação passivamente e ela rendia até dois dígitos. Agora não mais”, complementou Rafael Zlot.

Prêmios maiores

Depois do início da pandemia, papéis de crédito privado, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA) e Debêntures começaram a oferecer retornos mais interessantes, justamente em razão da crise.

Segundo  Zlot, algumas empresas e bancos passaram a pagar prêmios até maiores do que antes, sobretudo para prazos mais longos, embora, nominalmente, a rentabilidade esteja mais baixa, como resultado da queda da taxa básica de juros.

Ele cita como exemplo investimentos que ofereciam antes da crise algo em torno de 105% do CDI contra outros que hoje oferecem 120%. Comparativamente, há oportunidades com rentabilidade maior.

CDBs

Da mesma forma, é possível encontrar Certificado de Depósito Interbancário (CDB) prefixado com taxas atraentes. Camilla destaca que há opções de papéis em bancos menores oferecendo boa rentabilidade em relação a papéis de grandes bancos.

Os Fundos Imobiliários baseados em CRI também são vistos como opções, pois representam uma mescla de renda fixa com renda variável. E têm ainda a vantagem, em alguns casos, da garantia real, que é o próprio imóvel.

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Todas essas opções, no entanto, segundo os especialistas, devem ser olhadas depois de garantida a reserva de emergência, pois ou são opções sem liquidez e ou podem embutir perdas em sair antes do vencimento.

Reserva de emergência

É consenso entre os especialistas que aqueles recursos que precisam ficar disponíveis para necessidades urgentes devem ser mantidos em uma aplicação conservadora, apesar da baixa rentabilidade. A principal delas é o Tesouro Selic ou algum fundo DI com participação majoritária de títulos públicos.

Apesar do susto com a interrupção das negociações ocorrida no auge da crise do Covid-19, o Tesouro ainda é visto como o investimento mais seguro.

Camila destaca que a suspensão foi em decorrência do nervosismo do mercado que atrapalhou a precificação dos papéis e não por incapacidade o Tesouro em honrar com as operações.

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Além disso, as compras e vendas do Tesouro Selic em dado momento foram mantidas, justamente por estar associado a reserva de emergência, e a paralisação afetou apenas os demais títulos.

Reserva de emergência é essencial

Com relação aos fundos DI, Zlot destacou que é preciso ficar bastante atento às taxas de administração, que, diante de rentabilidades tão baixas, podem abocanhar boa parte dos ganhos.

Riscos

Apesar do nome, os investidores descobriram na crise recente que a renda fixa não é isenta de perdas. Por isso, na hora de tentar diversificar, os especialistas orientam que é necessário conhecer os riscos que esses investimentos oferecem.

Em geral, as aplicações em renda fixa têm risco de crédito, que é o do emissor não honrar com compromisso – nesse caso os títulos públicos são os mais seguros. Há ainda o risco de mercado, que é o das taxas subirem ou caírem. E por fim o risco de liquidez, no qual, mesmo que a pessoa admita perdas ao sair da posição, pode não haver comprador para seu papel.

O investidor tem que saber desses riscos, e prestar atenção principalmente com relação aos prazos, enfatiza Camila, na live da MoneyWeek.

Poupança

Com relação à caderneta de poupança, que está ficando cada vez menos competitiva e oferecendo rentabilidade negativa em termos reais, Camila e Zlot falaram sobre a importância de o investidor se arriscar um pouco. “É preciso abandonar a passividade”, diz Zlot. “Estamos querendo democratizar o acesso a investimentos no Brasil.”

A orientação é que as pessoas comecem a estudar, a se informar e iniciem por investimentos mais conservadores. Aos poucos, ou até com a ajuda de um assessor de investimentos, passe a conhecer as melhores opções. “O importante é que ela consiga extrair o máximo valor dentro do perfil que tenha”, complementou Camila.