MoneyWeek: B3 (B3SA3) vê mudança cultural de investimento no país

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / MoneyWeek

Com a queda dos juros básicos da economia, que chegaram na última reunião do Comitê Política Monetária (Copom) a 2,25% ao ano, com possibilidade de chegar a menos de 2% ao final de 2020, os brasileiros vão cada vez mais sendo levados à Bolsa de Valores.

Em maio de 2020, apesar da pandemia do novo coronavírus, que poderia espantar o investidor, dada a alta volatilidade que se viu, a B3 (B3SA3) informou que o número de CPFs que investem na bolsa chegou a 2.483.286, um aumento expressivo de 47,72% com relação a 2019.

Esse foi o assunto tratado na última live do segundo dia da MoneyWeek 2020.

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A jornalista Fabiana Panachão entrevistou o gerente de relacionamento da B3, Felipe Paiva; e o diretor de desenvolvimento de negócios da TradeMap, Nelson Massud, sobre essa onda de novos investidores buscando conhecimento para adentrar no mundo das ações.

Isso passa por educação financeira, muita informação disponível clara e objetiva, algo que fale a língua do investidor não versado, maior mix de produtos e fomentar o ecossistema a funcionar.

“A mudança cultural de investimento no país está aumentando. A Bolsa pode ser sinônimo de poupança e não o contrário”, prega Paiva, lembrando que o brasileiro sempre foi partidário da caderneta de poupança.

Agora, é preciso correr mais riscos.

Engajamento do investidor

“As pessoas estão estudando mais, elas ficaram mais engajadas para conhecer esse mundo”, reforça Massud.

Por isso, o TradeMap segue buscando conhecer o que quer e necessita esse pequeno investidor.

“A gente tá investindo bastante em tecnologia, educação, informação, buscando cada vez mais o que faz o investidor ser melhor”, deiz. “O papel do TradeMap é juntar as informações, enriquecer os dados, organizar tudo e dar acesso às pessoas”

Os investidores individuais respondem por 23,06% da participação de investimentos na B3, com um total de R$ 240,399 bilhões, entre compras e vendas.

Ainda é ligeiramente abaixo do volume de R$ 245,828 bilhões, ou 23,58%, dos investidores institucionais.

Mas bem abaixo do que movimentam os estrangeiros: 48,35%, ou R$ 504,037 bilhões.

Informação de qualidade

O medo de investir vai sendo substituído por informação de qualidade, o que atrai o investidor.

É um ecossistema que inclui influenciadores, aplicativos, fintechs, financeiras, corretoras, que vão abrindo caminho para o conhecimento sobre investimento.

O número de fintechs já chega a mais de 740 no Brasil, um crescimento de 35%, mostrando que as transações financeiras digitais já são uma realidade cotidiana.

Vários aplicativos já cumprem a função de aglutinar informações de qualidade para orientar o investidor, especialmente o individual.

O TradeMap é um desses aplicativos.

“Lançamos em 2018 e logo terminou o ano 50 mil clientes”, conta Massud. Hoje, já são mais de 1,8 milhão de usuários.

A ideia do aplicativo, segundo ele, é “empoderar os usuários para tomar as melhores decisões. A riqueza desse ecossistema é que anima o pessoal a entrar e participar e investir”.

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Momento propício

Felipe Paiva (foto abaixo) lembra na live da MoneyWeek que há uma série de fatores que fazem o investimento em bolsa estar bem atraente: “a taxa de juros a 2% despertou todo mundo e tirou o investidor da zona de conforto; o aparato tecnológico ajudou, aproximando a pessoa física desse mundo”.

Os 2,483 milhões de hoje eram apenas 813 mil em 2018, mostrando que o potencial de crescimento é grande.

Entretanto, a B3, segundo Paiva, busca “cada vez mais o aumento sustentável” dessa base.

Mas ele lembra: “não precisa entrar (na Bolsa) com tudo, vai aos poucos, conhecendo o mercado. Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”.

Perfil do público

A quantidade de investidores no Brasil, juntando com pessoas jurídicas, foi a 2.511.847. Os CNPJs são apenas 1,14% desse montante.

Os outros 98,68% são pessoas físicas que estão cada vez mais descobrindo que é possível correr mais riscos sem necessariamente ser um temor.

Desses, 76% são homens e 24% são mulheres. Mas a mulheres, lembra Paiva, já são 40% no Tesouro Direto.

O maior volume de investidores, destacada Massud, está na faixa de 26 a 35 anos, o que as informações da B3 comprovam em números. Eles são 826.506 pessoas.

Por serem pessoas recém-saídas do estudo e, talvez, ainda no primeiro emprego, o volume investido é pouco, representando apenas 7,40% do total, ou R$ 22,46 bilhões.

Os investidores com mais de 66 anos, embora sejam 174.717, respondem por 35,74% do total.

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