Money Week: grandes empresas pensam a crise como tempo de construir

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / MoneyWeek

No quarto dia da MoneyWeek 2020, a jornalista Fabiana Panachão recebeu por videoconferência o Conselheiro de Administração Profissional da Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Eternit (ETER3) e da Cemig (CMIG4), Marcelo Gasparino, e CFO da Fiat Chrysler, Emanuele Cappellano.

São dois profissionais que estão na linha de frente de grandes empresas.

“Quando a gente fala em crise, sempre encara que empresários micros, pequenos ou médios estão sofrendo muito”, diz Panachão na abertura.

“Mas grandes empresas, se não conseguem fazer uma remediação rápida, mudando estratégia, podem correr o risco de também ficar para trás”.

Gasparino e Cappellano falam sobre como as grandes empresas passam pela crise mais aguda deste século.

No caminho da crise

“Está sendo uma crise bastante profunda”, começa Cappellano.

A Fiat Chrysler teve uma vantagem de poder perceber melhor a crise chegando, quando ela ainda estava concentrada da China continental, graças aos impactos na cadeia de fornecedores.

Uma percepção que empresas micro, pequenas e médias dificilmente teriam.

“Temos uma presença em 135 países, incluindo o sudeste asiático, então desde fevereiro começamos a gerir a crise olhando os fornecedores com presença na China. Depois, aconteceu na Itália a mesma coisa”, lembra Cappellano.

Em março, a empresa começou a se preparar mais robustamente a crise que já chegava, inclusive, ao Brasil.

“Administrar emergências. Basicamente, isso são dois pontos: colocar em segurança nossas pessoas e gerenciar exigências de caixa”, diz. “Suspendemos todas as despesas não necessárias e os investimentos”.

Cappellano diz que sabia que a crise seria longa, mas sem ter certeza de quanto seria esse arco temporal.

Ainda assim, foi preciso, depois de tomar todas a providências, pensar na retomada para quando fosse possível retomar.


Emanuele Cappellano, na live da MoneyWeek

“Você tem que fazer um trabalho muito forte para enfrentar a incerteza, inclusive sobre a sobrevivência”, reforça Gasparino.

“As que se prepararam para o pior cenário são as que poderão se sobressair melhor quando a crise arrefecer”, conclui.

Transformação digital na empresa

Grandes empresas não passam por crises dessa magnitude sem “dor”. Mas elas precisam, além de “gerenciar a crise, pensar em construir”, diz Cappellano.

Esse “construir” inclui a aceleração da transformação digital. E muda o relacionamento com o cliente.

“O processo de digitalização das empresas que aconteceria em cinco, seis anos, está acontecendo em cinco, seis meses”, reforça Gasparino. “Quem não se digitalizar em face da sociedade 5.0”, fica para trás, segundo ele.


Marcelo Gasparino, na live da MoneyWeek