Money Week: cenário macro é favorável ao Brasil para passar pela crise

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / MoneyWeek

Na última live do terceiro dia da MoneyWeek 2020, a jornalista Fabiana Panachão recebeu o gestor de fundos da Dahlia Capital, José Rocha, e a economista Marcela Rocha, da Claritas Investimentos, para falar sobre macroeconomia.

Num cenário de juros baixos, com a taxa Selic a 2,25% ao ano e inflação controlada, os dois analistas explicam como isso se dá em termos de novidade histórica no país.

Veja a transmissão completa clicando aqui!

BDRs| Confira os papéis disponíveis para Investimentos

José Rocha começa dando um apanhado do cenário macroeconômico brasileiro nos últimos anos, até 2016, para explicar a lógica de alta e baixa do dólar e da entrada de dinheiro estrangeiro no país.

“Qual era a relação entre a Bolsa e o dólar no Brasil nos último 15, 20, 30 anos? A Bolsa subia, o dólar caía; a Bolsa descia, o dólar subia. De 2016 para frente, essa relação começa a se perder”, ressalta.

“A mudança está relacionada com a mudança de política econômica que o país teve. Até a 2016, era um fiscal frouxo, um governo gasta muito; e um monetário apertado, um juros que é alto demais. Depois, o Brasil começou a seguir um mix de política econômica liberal. O monetário é frouxo, o juros é muito baixo; e o seu fiscal é apertado, o governo gasta menos”, explica.

Confira os melhores momentos da Money Week

Maior produto de exportação

A mudança foi benéfica para o país, ele reforça, apesar da perda de valor do real: “qualquer país do mundo que experimenta esta mudança, faz os ativos de moeda local têm a tendência a se valorizar e sua moeda, no caro o real, ela se deprecia”.

“Uma forma um pouco menos técnica de abordar a questão é lembrar que o principal produto de exportação do Brasil nos últimos 30 anos não era nem soja nem minério de ferro, era juro real. A gente tinha o juro real mais alto do mundo”, lembra.

“Isso atraía todo tipo de capital especulativo que tinha pelo planeta inteiro que entrava aqui, única e exclusivamente, para comprar títulos da dívida pública, para ganhar esse juros alto. Quando fazem isso, o dólar ficava mais baixo do que deveria ser. A partir do momento em que a armadilha dos juros altos é desmontada, esse dinheiro vai embora. E quando esse dinheiro vai embora, o dólar sobe”, explica.

Porque o brasileiro tem três classes de ativos para investir, de uma forma simplificada, segundo José Rocha: a renda fixa, com risco zero; a Bolsa, quando ele está otimista; e o dólar, quando ele está pessimista.

Com juros de 15% ao ano, não é preciso pensar muito em onde investir. É na renda fixa, no risco inexistente.


José Rocha, durante live na MoneyWeek

Boas condições por longo tempo

Marcela Rocha também acredita que os juros baixos vieram para ficar no Brasil.

Ela ressaltou, durante a live na MoneyWeek, que junto com a mudança da política econômica, “reformas foram aprovadas, além do teto de gastos, reforma trabalhista, reforma da previdência e, principalmente, o enxugamento do papel dos bancos públicos”.

“Tudo isso nos levou a ter credibilidade”, afirma.

O mercado passou a ver que a “meta de inflação seria cumprida e que haveria responsabilidade fiscal para conseguir colocar nossa dívida bruta numa trajetória decrescente ao longo dos próximos anos”, segundo Marcela. “Essas condições ainda permanecem”.

Marcela acredita que a fase “do grande confinamento” para conter o novo coronavírus já terminou. Para ela, as economias já estão voltando ao normal.

“Anteriormente, quano tínhamos graves crises globais”, ela compara, “tínhamos uma queda forte da atividade (econômica), o PIB contraindo, aumento do desemprego, e uma desvalorização cambial, com saída de capital, aumento de inflação e juros altos”.


Marcela Rocha, durante live na MoneyWeek

“Nesta crise, estamos atravessando um período em que conseguimos reagir com as respostas necessárias. Dessa vez, o Brasil pôde atuar como um país desenvolvido, que consegue ajudar a sua economia num momento de fraqueza, reduzindo ainda mais a taxa de juros, e principalmente usando o espaço fiscal, tanto para ajudar empresas, como para ajudar população mais vulnerável e ajudar o sistema de saúde”, analisa.

Agora, com a pandemia, é o que ela chama de “um grande teste de maturidade fiscal do Brasil”. Com inflação ancorada, os juros podem cair ainda mais.