MoneyWeek: Bolsa brasileira está longe de uma bolha

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
1

Foto: Divulgação

Na tarde desta segunda-feira, a 2ª edição da MoneyWeek reuniu dois nomes reconhecidos no mercado financeiro: Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, e Luiz Fernando Roxo, sócio da Zeneconomics. 

Os dois falaram sobre como a pandemia afetou as bolsas, as relações comerciais e políticas do mundo. Além de como tudo isso reflete nos investimentos. 

  • Clique aqui e inscreva-se gratuitamente para acompanhar a MoneyWeek!

Questionados sobre a possibilidade estarmos perto de uma bolha na bolsa brasileira, ambos concordaram e foram enfáticos ao dizer que não.

“Se houver uma bolha, ela será global”, disse Spyer, conhecido no mercado também como Touro de Ouro. “Nossa bolsa é barata, estamos numa situação diferente do resto do mundo”, afirmou Roxo, que tem 95% de seus investimentos em bolsa. 

Nos últimos 12 meses, a B3  saiu de 1,4 milhão de investidores pessoas física para 2,5 milhões. Uma parte considerável desse movimento se explica pela queda da taxa básica de juros, que está agora em 2,25%. 

A queda da Selic mina a rentabilidade da renda fixa. 

A conta que se faz é simples, diz Spyer: “o dividend yield da bolsa, que é quanto ela vai te pagar no fim do ano, está em 3,4%, enquanto a renda fixa te paga 2,25% hoje.” Podendo cair mais, ele reforça. 

Algumas instituições já falam em Selic abaixo de 2%. 

Foco nas reformas 

Mais do que se preocupar com eventuais bolhas, os especialistas fizeram um alerta para que os investidores estejam atentos à velocidade de aprovação das reformas fiscal, tributária e administrativa na fase pós Covid-19. 

Na semana passada, o  secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida afirmou que um rombo na casa dos R$ 700 bilhões seria otimista.  Economistas e a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado já projetam um déficit até maior, passando dos R$ 900 bilhões.

“Sabemos que as reformas são muito difíceis de serem feitas em qualquer lugar do mundo, mas o andamento delas é crucial”, diz Spyer. “Seria uma surpresa muito positiva se a gente conseguisse acelerar as reformas”, concluindo.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Embora aponte as dificuldades, ele também se diz um otimista especialmente porque a reforma da Previdência, com toda sua complexidade, passou no Congresso num prazo de 10 meses. A mudança nas aposentadorias vai gerar uma economia de R$ 1,1 trilhão para o caixa da União pelos próximos 10 anos.

Congresso Nacional e as reformas

Congresso Nacional vai votar as reformas. Crédito: Agência Brasil

De olho no marco regulatório do Saneamento 

Durante a live, que teve duração de uma hora, Spyer e Roxo também deram mais uma pista do que deve estar na agenda dos investidores daqui para frente. Além das reformas, eles mencionaram que o novo Marco Regulatório do Saneamento deve ser acompanhado com lupa.  

o pacote de medidas tem potencial de impulsionar  novos investimentos no País. Além disso é uma aposta do ministro da Economia Paulo Guedes para a retomada da atividade econômica depois da pandemia. 

O texto já passou pela Câmara e pode ser votado nesta semana pelo Senado

Otimismo x Pessimismo 

Pablo Spyer se diz um otimista nato. Sobre o atual momento econômico ele lembrou que diversas casas, como XP Investimentos, JP Morgan e Bank of America já revisaram para cima suas projeções para o Ibovespa em 2020. 

De modo geral, ele vê uma expectativa com a retomada da economia, redução da preocupação com uma segunda onda de Covid-19 no mundo e mais dinheiro vindo dos bancos centrais. “Somados, os bancos centrais já injetaram mais de US$ 18  bilhões”, lembrou. “Além disso, vimos muitas aglomerações nas últimas semanas nos EUA, por conta das manifestações, e não houve um aumento expressivo no número de casos.” 

Ele ressalta ainda que o Federal Reserve (banco central americano) está recomendando cautela, mas não fala em alta de juros agora. 

Roxo já tem uma visão um pouco mais pessimista do cenário.  “Acredito que a gente pode bater nos 110 mil pontos novamente, mas podemos ter novamente um colapso de liquidez no médio prazo.”

Ele explica, no entanto, que um eventual colapso não significa que sua carteira quebrar. “Significa possibilidade de comprar ação barata, com 70% de desconto.”  

Vale a pena comprar dólar? 

Se a moeda americana seguir em queda será, sim, uma oportunidade de compra, dizem os dois participantes da live. O próprio Roxo disse que pretende aumentar sua posição em ouro, dólar e criptomoeda.  “Se as coisas derem errado, cripto, ouro e dólar servirão de proteção.” . 

Para Pablo Spyer, a preocupação com o dólar no Brasil deve aumentar no caso de as reformas não andarem e se estourar muito o déficit fiscal. 

A avaliação geral agora é de que o dólar vai fraquejar. E para explicar, fez uma comparação. Na crise de 2008, os EUA imprimiram US$ 4 trilhões em quatro anos para salvar a economia e inundaram o planeta com dólar. Naquela ocasião, o dólar chegou a R$ 1,60 no Brasil. “Dessa vez, eles imprimiram US$ 3 trilhões em dois meses.”