Money Week: Solange Gueiros fala sobre as criptomoedas e blockchains como investimento

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Money Week

Solange Gueiros é especialista em blockchain e criptomoedas, mais precisamente em Ethereum. Na entrevista que deu no quarto dia da Money Week, explicou didaticamente os processos das moedas virtuais como investimento e como elas funcionam.

A Money Week é uma iniciativa da Transformação Digital e da EuQueroInvestir!, que acontece de 25 a 29 de novembro, com conteúdo totalmente gratuito disponível na Internet, por meio deste link.

Criptomoedas são moedas digitais que podem ser convertidas em dinheiro. Elas são geradas por blockchain e podem ser compradas em corretoras e na internet, entre os usuários. Já é algo bem popularizado, mas ainda causa estranheza em muitas cabeças. Solange conhece a arquitetura e o desenvolvimento desse novo ativo e consegue, com clareza, mostrar o valor delas.

O início dos blockchains

“O blockchain começou em 2008”, ensina Solange, “quando um pseudônimo chamado Satoshi Nakamoto publicou um paper explicando o que seria o bitcoin e o que aconteceria com ele. Quando falo um pseudônimo é porque realmente o Satoshi Nakamoto ninguém sabe quem é, se é uma pessoa ou se é um conjunto de pessoas. Até hoje, ninguém sabe. Em 3 de janeiro de 2009, essa rede de blockchains veio ao ar”.

Vale lembrar que antes do bitcoin houve outra tentativas, mas sem garantias de que a transferência de pessoa para pessoa fosse consolidada. “É como uma foto”, elucida Solange: “Se eu envio uma foto para você pela internet, eu também fico com uma cópia da foto, e foi isso que o Satoshi Nakamoto resolveu. Dessa forma, a gente consegue transferir uma criptomoeda de uma pessoa para outra e garantir que a pessoa que transferiu não possa gastá-la de novo ou não possa transferi-la de novo para uma terceira pessoa”.

Segurança e garantia

Essa garantia é dada pelo blockchain. “O blockchain em si é uma cadeia de blocos, que estão ligados uns aos outros de uma forma criptográfica, por uma coisa que a gente chama de hash. Quando um bloco é formado, esse hash é como se fosse a assinatura dele, a impressão digital daquele bloco”, ensina. “Quando o bloco seguinte é formado, ele guarda dentro de si a assinatura, o hash do bloco anterior. Então, se a gente está lá no bloco 10, tem as assinaturas de todos os nove blocos que aconteceram antes. Imagine que eu estou no bloco 10 e alguém tentou no bloco 1 alterar uma transação, gastar de novo um bitcoin. Esse bloco vai ter que ser propagado novamente para todos os outros seguintes, tem que recalcular todos os blocos que aconteceram depois, a rede inteira”.

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“Além disso, imagine que você recalculou a rede inteira”, ela segue. “Quando a gente fala de blockchains, está falando de uma rede distribuída. São vários computadores que têm uma cópia desse banco de dados. As outras pessoas, então, têm que aceitar que a sua versão do blockchain está certa. Elas vão comparar com a cópia delas e ver que houve gasto em duplicidade e não vão aceitar. Se mais da metade da rede não te aceitar, mesmo se você tentar fazer essa fraude, não vai conseguir”.

Assim, é praticamente impossível fraudar uma criptomoeda e é essa segurança que a tornou algo tão popular. “O blockchain é imutável, porque não se consegue alterar alguma coisa que aconteceu no passado”, sentencia.

Como participar

A cada dia, tem mais gente participando da rede de blockchains e mais gente comprando moedas. “Você pode participar de várias formas: tentando minerar a criptomoeda, mas que hoje com os computadores caseiros a gente não consegue, quem consegue descobrir um bloco recebe automaticamente, hoje, 12,5 bitcoins; e por meio de corretoras, onde se pode comprar e vender a partir de moedas de verdade (reais, dólares etc.)”, diz.

No paper original do Satoshi Nakamoto tem determinado que vão existir 21 milhões de bitcoins e que por volta do ano de 2140 os últimos pedaços de bitcoins serão minerados.

Utilizações

A criptomoeda é usada em muitos setores. “No caso do bitcoin, ele tem ainda um campo a mais, em que se pode colocar alguma informação, mas é um campo bem limitado. Em outros blockchains, como o da Ethereum, que sou especialista, há um diferencial: nas transações se pode publicar smart contracts ou executar coisas nos smart constracts”, conta.

“Quando se fala em criptomoeda, está falando da transmissão de valores para qualquer lugar do mundo e não tem governo que controle isso”, ela diz.

Como investimento

Solange começou seu contato com bitcoin pela parte de trade, de investimento. “Eu já fiz trade em Bolsa de Valores”, ela conta. Na época em que ela começou, em 2017, um bitcoin custava mais ou menos R$ 3.500. Hoje, custa perto de R$ 35 mil.

“Vale a pena investir em criptomoeda, até pela questão de você poder transacionar no mundo inteiro”, principalmente em países de economias instáveis, é uma forma de manter patrimônio. “Por outro lado, por não ter lastro em nada, o risco é gigante também”, alerta.

Solange aconselha para quem está começando a investir a ter até 5% do seu capital em criptomoeda: “Só não invista nada que seja essencial para você”.