Money Week: Sérgio Moro e os desafios do país em 2022

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Sérgio Moro, ex-juiz, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República, participou do primeiro dia da Money Week – Cenários 2022. A seguir, confira os principais trechos da entrevista.

Perspectivas para 2022, segundo Moro

Para Moro, 2022 será um ano desafiador não só pelas consequências da pandemia, mas também por causa da economia.

“A nossa economia não vai bem, pois há baixo crescimento e diversos prognósticos de estagnação e possível recessão. Tudo isso provocado também pela perda da credibilidade fiscal do governo federal”, avalia o presidenciável.

Segundo Moro, a aprovação da PEC dos Precatórios teve um aspecto positivo da expansão do programa de transferência de renda. No entanto, o projeto aumentou também outras despesas que, segundo ele, são de “duvidosa necessidade”.

Um exemplo disso é o aumento do espaço orçamentário para as chamadas emendas do relator. São pagamentos efetuados por meio do orçamento publico para demandas dos parlamentares junto as suas bases eleitorais.

“Não existe nada totalmente errado nessas emendas, aliás temos isso há muito tempo. Porém, esses gastos são pagos sem que haja a devida transparência. E um aumento dessas despesas nesse momento é inadequado, pois gera uma pulverização dos investimentos públicos”.

Nesse sentido, Moro afirma que o governo deveria concentrar gastos em obras ou programas mais relevantes, e não em despesas que não são tão eficientes do ponto de vista econômico.

Risco fiscal

Segundo Sergio Moro, a falta de credibilidade do governo acaba aumentando a inflação. Dessa forma, afugenta investidores, que ficam em duvida sobre a capacidade futura do governo de honrar com seus compromissos.

“Com o aumento da inflação e a percepção negativa dos investidores, o Banco Central se vê forçado a aumentar os juros. Consequentemente, isso aumenta os encargos da dívida pública, o que acaba afetando outros compromissos financeiros do governo. Isso sem falar que o aumento dos juros também afeta o investimento produtivo do setor privado. Isso tudo faz com que entremos em uma espiral negativa de nossas perspectivas econômicas, o que é ruim para os investidores e péssimo para a população”, diz.

A perspectiva eleitoral é outro ponto abordado por Moro com preocupação. Para ele, as duas alternativas que hoje se apresentam com mais força não são boas.

De um lado, aponta a continuidade do governo, sem proposta para o país e que agora defende projetos que contrariam as promessas de estabilidade fiscal. De outro, critica a política anticíclica que o governo anterior adotou após a grande crise de 2008.

“Após a crise de 2008, houve uma percepção equivocada de que o capitalismo tinha problemas. Dessa forma, o investimento público deveria ser resgatado para salvar a economia. Mas houve um exagero no Brasil, que resultou depois, com outras decisões equivocadas baseadas nessa nova matriz econômica, na recessão de 2015 e 2016”, afirma.

Defensor do livre mercado

Sergio Moro acredita no livre mercado e é um defensor da livre iniciativa.

“Isso não significa que o investimento publico não tenha um papel relevante. Mas não podemos basear a prosperidade do país no setor público e no investimento público”.

Nesse sentido, ele afirma ser preciso estimular o investimento privado, e, segundo ele, isso se faz com políticas econômicas responsáveis. Ou seja, que geram controle de inflação e um nível adequado dos juros, para não desestimular os investimentos produtivos.

Moro já se declara candidato

O ex-ministro da Justiça disse que colocou seu nome à disposição da sociedade brasileira. Inclusive, já está conversando com partidos políticos para uma possível candidatura.

Para formar a sua equipe, convidou o economista Afonso Celso Pastore para coordenar a formação desse projeto. Segundo Moro, esse projeto é fundado na importância do setor privado e em política econômica responsável para retomar o crescimento econômico.

Sergio Moro e as politicas sociais

Embora acredite no livre mercado, Moro diz ser inegável a existência de políticas sociais consistentes. Especialmente em um país pobre e desigual como o Brasil. “Isso envolve políticas públicas na área de educação, saúde e segurança pública. Além, é claro, de programas especiais para a eliminação da pobreza.”

Segundo Moro, todos os especialistas consultados reconhecem a importância dos programas de transferência de renda. No entanto, apontam que somente esses programas não são suficientes para tirar as pessoas da pobreza.

Nesse sentido, especialistas recomendaram a Moro uma solução customizada. Isso significa manter os programas de transferência, mas com atendimento específico às pessoas que precisam desses recursos.

“Muitas vezes, bastam coisas simples, como um trabalho, um treinamento específico, ou mesmo um tratamento de saúde para que a pessoa escape da pobreza”, avalia. Por isso, segundo Moro, é preciso identificar nessas comunidades o que de fato as pessoas precisam.

Moro fala também sobre como fazer a integração das diferentes esferas públicas a fim de atuarem contra a pobreza. Nesse sentido, diz que cogitou a criação de uma força-tarefa de erradicação da pobreza, constituída sob a forma de uma agência nacional.

“A proposta seria a criação de uma agência com uma missão específica, que permitisse uma atuação transversal. Ou seja, utilizando capacidades dos vários ministérios e das várias unidades da federação para o enfrentamento desse desafio”, afirma.

Privatizações

As privatizações também estão na pauta de um programa de governo de Sergio Moro.

Nesse sentido, afirma que deseja aprofundar essa pauta. Isso porque acredita que o estado não deve, necessariamente, estar envolvido na produção de bens e serviços que possam ser prestados pela iniciativa privada.

“Sou favorável às privatizações. No entanto, precisamos avaliar o modelo, ou seja, o que e como iremos privatizar. Não adianta transformar um monopólio público em privado.”