Money Week: Sara Delfim e as lições da gestora da Dahlia Capital

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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A Money Week chega a sua quinta edição e mais uma vez traz nomes icônicos do mundo dos investimentos para evento online e gratuito.

Entre os dias 25 e 29 de outubro, mais de 50 convidados vão falar e tirar dúvidas sobre o cenário econômico atual, balanceamento de carteira, educação financeira, renda fixa, e diversos outros temas.

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Dentre os nomes confirmados está Sara Delfim, sócia-fundadora da Dahlia Capital, um exemplo de que as mulheres estão cada vez mais presentes neste universo, alcançando postos de destaque.

Primeiros passos

Sara Delfim ganhou gosto pelo campo da economia com o pai. A gestora da Dahlia Capital revelou, em entrevista para a Exame, que o conselho mais precioso que recebeu na carreira veio dele, quando ela ainda era uma estagiária, antes de se formar em economia pela Universidade de São Paulo.

“Meu pai me avisava que não importava o quanto eu ganhasse, se eu não tivesse controle sobre o meu orçamento, eu gastaria igual. Comecei a aprender a dizer não e a ser mais ponderada nas minhas decisões”, conta.

O “método dos potinhos” de Sara Delfim

A ponderação na tomada de decisões ficou mais fácil graças a um recurso que ela batizou de “método dos potinhos”. Sem ele, segundo a gestora, o aprendizado teria levado muito mais tempo.

“Dividia o salário que recebia no estágio: deixava mil reais na conta e sacava mil reais para despesas pessoais. Dessa forma, sabia que se fizesse manicure duas vezes na semana eu não teria dinheiro para fazer na última semana do mês”, revela.

Dos potinhos para a vida real… E para a Money Week

Depois de formada, Sara Delfim trocou os potinhos pela vida profissional. E passou a construir um currículo de respeito, antes mesmo de pensar em fundar a Dahlia Capital.

A hoje gestora de uma das empresas-referência do setor no Brasil acumulou experiências no banco americano Bear Stearns e, durante 20 anos, foi funcionária do Bank of America.

Dentre outras atribuições, ela analisava e recomendava ativos a investidores no Brasil e na América Latina, com base em previsões macroeconômicas.

“Ser mãe também é gerir risco”: lição de Sara Delfim

Sara conciliou durante quatro anos a carreira em um dos principais bancos do mundo com a tarefa de ser mãe. Entre 2013, quando deu à luz, e 2017, ano em que saiu do emprego, aprendeu, na prática, o quanto é duro se destacar em um mercado competitivo como o financeiro tendo outras atribuições tão ou mais importantes fora do trabalho.

“Quem é mãe e trabalha toma risco o tempo todo. Decidir quem vai cuidar do filho, tomar decisões financeiras relacionadas à família e resolver mudar de carreira são todas decisões de risco. Decidir onde investir é apenas mais uma”, ensina.

Entrar de cabeça em um mercado segmentado e dominado principalmente pelos homens, no entanto, não foi fácil. “Havia poucas mulheres em cadeiras de liderança. Geralmente, havia mulheres apenas na área comercial. Mas, quando saí do Bank of America, a área de research tinha mais mulheres, em cargo sênior, júnior e estagiárias. Havia também funcionárias na liderança da mesa de operações e de dívida”, comparou.

O “nascimento” da Dahlia Capital

O último “filho” de Sara nasceu em 2018. A Dahlia Capital foi fundada junto com dois ex-colegas de banco, Felipe Hirai e Felipe Leal. E o sentimento que a gestora mais se lembra quando aborda o assunto é o da incerteza. “Eu nunca tinha feito gestão. Precisava montar um time, com empatia, princípios e filosofia de vida semelhantes”.

Decidida a entrar na briga com as gigantes do setor, ela foi à luta, e disse ter aproveitado uma mudança na política econômica do então presidente Michel Temer envolvendo os empréstimos do BNDES.

“Era uma janela de oportunidade que se abria para oferecer investimentos de risco, nos quais posso maximizar retornos. Ter um negócio que me proporcionasse um retorno de 10% ao ano e, caso precisasse, ter uma dívida de 8%, e não 15%, também ajudava”.

A aposta deu certo e, hoje, a Dahlia Capital, idealizada e capitaneada por Sara, tem cerca de R$ 13 bilhões sob sua gestão. E pretende ampliar ainda mais o leque, mas sem perder a humildade. “Eu me especializei em ações, mas preciso pesquisar quando se trata de outros produtos. Temos de derrubar o mito de que sabemos tudo porque não sabemos. E é legítimo pedir ajuda”, concluiu.

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo