Money Week: economista Roberto Dumas alerta para crise mundial pior do que em 2008

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Money Week

Roberto Dumas tem mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro doméstico e internacional. É Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra, Mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China), graduado e pós-graduado em administração e economia de empresas pela FGV e Chartered Financial Analyst conferido pelo CFA Institute (USA). Seu currículo é extenso e respeitado.

Com essa envergadura de conhecimento e trajetória, Dumas participou do segundo dia da Money Week, semana de discussões, palestras e entrevistas online, organizada pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!. O evento acontece de 25 a 29 de novembro e pode ser acompanhado neste site, de forma gratuita. Dumas fez análises sobre a economia mundial e alertou que a economia pode sofrer abalos mais contundentes que aqueles ocorridos em 2008. Vem uma crise ainda mais poderosa, ele alertou.

China e Estados Unidos

O professor Dumas diz que a briga entre os dois gigantes econômicos tem pouca chance de acerto: “quando a gente fala de China e Estados Unidos, fala de enormes placas tectônicas que estão se movendo. Muita gente acha que em algum momento eles vão se acertar. Eu acho muito difícil. Tudo começou como uma guerra comercial, mas não se trata mais de uma guerra comercial. Evoluiu para um problema de propriedade intelectual”.

E mais: “Trump foi o primeiro presidente norte-americano que chamou os chineses de manipuladores cambiais. Não deixa de ser verdade. Mas por problemas geopolíticos, nunca se falou isso. Então, estamos entrando numa seara que não vai se negociar num curto prazo”.

O problema é que a guerra comercial não é boa para ninguém. Nem para China, nem para os asiáticos como um todo – Coréia, Japão, Indonésia, Vietnã. Também não é para os Estados Unidos: “não precisa ser macroeconomista para ver que os Estados Unidos também não vão se dar bem. Donald Trump é muito impulsivo, ele acha que as coisas vão se resolver com taxas de juros, mas não é assim. Não adianta a taxa de juros cair, você não tem confiança ali”.

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Pior, para o professor, a história e os sinais mostram que podemos ver uma nova recessão no país norte-americano e, consequentemente, no mundo: “não sei se vai acontecer de fato, mas é importante estar no radar (do investidor)”.

Dumas analisa o Brasil

“O Brasil vive num momento de negação”, ele diz. “‘Já aprovamos a reforma da Previdência, agora é só alegria’, só que o mundo já está se preparando. O ien japonês, o franco suíço, moedas estão se apreciando, o ouro tá subindo, todo mundo comprando título do tesouro americano, tá todo mundo querendo se proteger. E o Brasil tá fazendo a lição de casa, mas eu ouço às vezes que acreditam que se houver uma crise, todo mundo acaba estacionando o dinheiro aqui no Brasil. Sério mesmo? Eu acho difícil. Nunca me esconderia no Brasil numa crise sistêmica ocasionada pelos Estados Unidos. Não importa onde começa a crise, todo mundo vai voltar para dólar. Veja, isso não é uma ciência natural (exata), mas não vejo as pessoas colocarem isso (uma crise sistêmica) como uma possibilidade”.

Além dos sinais vindos dos Estados Unidos, há outros que indicam uma possível crise: “Argentina já está em recessão, a Alemanha provavelmente vai estar em recessão, tem o Brexit, a briga entre Estados Unidos e China, que vai bater nos ‘tigres asiáticos’, e aí falo… tá rindo do quê? A gente tá feliz por quê? ‘Não, fizemos a reforma da Previdência!’. Aí, vamos fazer tudo ‘muito rápido’ (fala com ironia), (todas) as reformas… Só que essa é a agenda do Guedes. E qual é a agenda do Bolsonaro? Ou seja, ele não tem uma agenda. E o Congresso pergunta: ‘quem vai cuidar disso?’. ‘Ah, mas tem tempo’. Não tem, não. Tem eleições municipais e o Brasil para em maio de 2020. Para! Aí, você junta tudo e diz: ‘o Brasil vai crescer 3%’. Meu deus, onde?”.

Dumas faz uma longa análise para defender uma visão pouco otimista para 2020: “acho que (o crescimento brasileiro) não vai passar de 1,5%”.

Renda variável

“Quando um economista fala ‘não entre em Bolsa’, está falando do Ibovespa como um todo, não quer dizer que não é para você entrar em determinadas ações. Há setores que podem se dar bem. Há oportunidades. Um exemplo: o Brasil está envelhecendo, é óbvio, então as empresas de saúde podem melhorar. Não é para se assustar. Não é para se desesperar. É preciso saber onde ir e ficar protegido de uma ‘hecatombe’, como eu falei”.

Roberto Dumas acredita que o investidor precisa ter visões otimistas e pessimistas, precisa ter muitos quadros na cabeça antes de aplicar seu dinheiro. Todos os cenários contam na hora de investir: “você não precisa concordar com uma vírgula do que eu falo, mas ouça todo mundo”.

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