Money Week: as melhores dicas para investir no longo prazo

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Louise Barsi e Luiz Barsi Filho deram dicas sobre a bolsa (Reprodução/YouTube)

Tem muita gente começando a investir agora com a meta de ficar rico em pouco tempo, sem muito esforço. Afinal, há sempre uma empresa como Magazine Luiza dando sopa por aí e esperando ser descoberta por um investidor iniciante que vai comprar na baixa e lucrar horrores nos meses no seguintes, não é mesmo? Não, não é. Esse imediatismo tende a acabar em prejuízo e frustração. Não é à toa que, ao longo desta semana, alguns dos nomes mais conhecidos do mercado finaneiro falaram, na Money Week, sobre a importância de se investir pensando no longo prazo.

O maior evento online e gratuito sobre investimentos da América Latina reuniu personalidades como o maior investidor pessoa física da bolsa brasileira, Luiz Barsi Filho, e sua herdeira, Louise Barsi; além de Florian Bartunek, fundador da Constelattion Asset, considerado um dos gestores mais renomados do País.  

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Os três reforçaram as vantagens de se investir ao longo do tempo. Os participantes da Money Week também tiveram a oportunidade de fazer um minicurso sobre como investir em renda variável no longo prazo, com Gustavo Massotti, sócio-fundador e analista-chefe da Wisir Research, e Roberto Chagas, gestor e analista.

Confira a seguir as principais dicas para quem quer acumular riqueza de olho no futuro. 

Com a palavra, Luiz e Louise Barsi 

Louise Barsi aprendeu com o pai que,  para construir um patrimônio, é preciso ter disciplina e paciência. Hoje, pai e filha identificam dois perfis de investidores chegando à bolsa de valores: ambos sem essas qualidades. Há os órfãos da renda fixa, com a Selic a 2% ao ano, e os que acham que já perderam muito tempo para acessar o mercado de capitais.

“Ambos vêm buscando enriquecimento rápido, mas não é assim que funciona. A gente experimentou um pouquinho disso [retorno rápido] agora na pandemia. A maioria das pessoas ganhou dinheiro, mas será que fizeram direito ou foi sorte? É perigoso pensar que no curto prazo terá ganhos de 50%, 100%. Quanto mais longevo for seu pensamento, maior a chance de retorno consistente”, reforçou Louise.

“É folclórico dizer que se perde [na bolsa]. Se você especular, com certeza vai perder. Se você investir, com certeza você vai ganhar. Investindo em bons projetos, você jamais será malsucedido. As ações garantem o futuro”, disse o pai.

Para chegar lá, ele diz, é preciso estudar e investir. “O melhor investimento do mundo é ser parceiro de um grande negócio, e não ser dono de um pequeno negócio”, completou o pai.

Segundo Louise Barsi, a pressa do brasileiro em obter bons resultados nos investimentos é reflexo da própria trajetória histórica do País.

“A visão mais imediatista é resquício dos ‘ups and downs’ (altos e baixos) da nossa economia. É o voo de galinha. Jamais experimentamos um crescimento estrutural, de longo prazo, mas isso vem aos poucos. Passo após passo”, apostou, otimista.

  • Leia aqui a cobertura completa da participação de Louise e Luiz Barsi na Money Week 

Estudar é essencial

Florian Bartunek, fundador da Constelattion Asset, é considerado um dos gestores mais renomados do País. Sócio de Jorge Paulo Lemann, um dos empresários mais ricos do mundo, ele conta diz que embora seja um veterano do mercado, segue estudando. E é essa a dica que ele dá para quem está chegando agora.

“Tenho um amigo que joga tênis nos finais de semana e acha que vai jogar que nem o Federer. O Federer treina 6 horas por dia. Investimentos são a mesma coisa. Você tem que se dedicar. Se quer fazer de investimentos uma profissão, tem que treinar que nem o Federer. Estudar, estudar e estudar. Um bom médico, um bom advogado, um bom engenheiro, não apenas exercem a profissão, como também estudam. Investidor é a mesma coisa. Tem que estar sempre se atualizando”, ensinou.

“É uma jornada de alguns anos. Não é pegar no You Tube e sair investindo. Eu faço isso há 30 e poucos anos e ainda tenho dúvidas. Leio, releio, faço cursos e estou sempre procurando melhorar. É um estudo permanente”, complementou.

A educação financeira citada pelo fundador da Constellation aborda, entre outros pontos, uma pergunta que muitos fazem ao entrar no mercado de capitais. Afinal, o que é melhor: curto ou longo prazo? A resposta de Bartunek é que, na verdade, não há uma melhor escolha. O que é errado é ficar entre elas.

“Não sou dogmático e não sou radical nessas coisas. Depende do que você quer. Ou você investe no curtíssimo prazo ou no longo prazo. O meio do caminho é o pior. Até day trade, se o sujeito tem uma disciplina, é melhor do que ficar um mês e meio investindo para tentar comprar um apartamento melhor”, explicou.

  • Leia aqui a cobertura completa da participação de Florian Bartunek na Money Week 

Um minicurso para investir no longo prazo

Gustavo Massotti e Roberto Chagas ministraram na Money Week  o minicurso “Como investir em Renda Variável no longo prazo”.

Eles ressaltaram a importância não só de saber analisar bem uma empresa, mas de ter consistência para a visão de longo prazo nos investimentos.

Chagas faz um comparativo entre investimentos e longo prazo como se fosse um casamento. “Quero ficar casado no mínimo 10 anos. Passamos por momentos bons, ruins, mas ela [empresa] tem que ter algumas coisas muito robustas”, diz ele.

Ao olhar para um negócio, o analista leva em conta se o retorno daquela empresa está acima do custo de capital, a barreira de entrada do negócio, a competitividade, entre outros.

Ele explica que existem dois tipos de custo de capital. O primeiro é o do acionista, que é uma taxa mínima exigida pelo investidor para fazer aquele tipo de investimento. O segundo é o do detentor da dívida, que é o custo de capital ponderado – percentual do custo de capital do acionista e do detentor da dívida.

“Essas empresas que têm um retorno maior são empresas que produzem valor econômico, ou seja, que criam valor para o seu acionista. Elas chamam a atenção e geram concorrência. Se a empresa tem o mesmo retorno que o custo de capital dela, ela gera zero de valor, e isso é ruim para o seu acionista”, explica ele.

  • Leia aqui a cobertura completa sobre esse minicurso da Money Week 

Veja mais Money Week:

  • Primeiro dia, a Money Week contou com Gustavo Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda;
  • Segundo dia, com Roberto Sallouti, Felipe Massa e representantes do Banco Central;
  • Terceiro dia, debateu IPOs, Unicórnios, ESG e investimentos no exterior;
  • Quarto dia, abordou day trade, investimento de longo prazo e finanças pessoais; e
  • Quinto dia, debateu FIIs, a FinTwit e a construção de patrimônio.

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