Money Week: Os três pilares da reserva de emergência

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Crédito: Reprodução

O penúltimo dia da 2ª edição da MoneyWeek levou para os inscritos na plataforma um tema que, em tempos de pandemia, interessa a 99,99% da população do País.

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O assunto em questão foi “Finanças Pessoais: Começando pela Reserva de Emergência”. Ana Laura Magalhães, fundadora e estrategista de Conteúdo da XP Inc., e Murilo Duarte, sócio-proprietário da Favelado Investidor, foram sabatinados pela jornalista Fabiana Panachão.

Os dois jovens especialistas da área puderam mostrar suas visões na MoneyWeek sobre algo que ainda é bastante nebuloso para boa parte dos brasileiros e, claro, dar dicas para que todos possam aprender como administrar melhor o dinheiro e enfrentar os tempos difíceis que virão.

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“Quando a gente fala de educação financeira e planejamento, é algo que não é cultural no Brasil, independente da pessoa ter ou não muito dinheiro”, pontuou Murilo, que desde 2015 toca o projeto para levar informação financeira às pessoas da comunidade.

“A gente é um país analfabeto financeiramente. Tudo o que aprendemos é por vontade individua”, complementou Ana Laura Magalhães, que desde os 25 anos começou a sua jornada na área financeira e aprendeu a fazer as boas escolhas.

Tanto Murilo quanto Ana concordaram no debate da MoneyWeek que há três pilares importantes para quem deseja ter uma boa reserva de emergência. Confira esses e outros pontos da entrevista com dois jovens especialistas do mercado financeiro do Brasil

MoneyWeek: os 3 pilares da reserva de emergência

O principal assunto da conversa entre Fabiana Panachão, Murilo Duarte e Ana Laura Magalhães foi, sem dúvida, como montar uma reserva de emergência – mais do que fundamental após a experiência que ainda vivenciamos na pandemia de coronavírus.

“Rentabilidade não é o objetivo de reserva de emergência”, alertou Ana. “Os três pilares são rentabilidade, segurança e liquidez. Quando o investimento é muito líquido, rapidamente pode se transformar em ativo, ou seja, dinheiro na minha conta”, completou.

Segundo Ana Laura, o investidor precisa ter consciência do que está buscando para saber exatamente onde pisar e o que escolher sem arrependimentos no futuro.

“Se eu vou ter liquidez, eu não vou ter rentabilidade. Eu posso ter rentabilidade legal e liquidez, mas aí não vou ter segurança”, ponderou. “Por isso é importante a diversificação. Se você tem uma parte para emergência, não tem problema não ter rentabilidade porque a Selic está baixa. Coloca uma outra parte em uma estratégia diferente”.

Murilo, que revelou ter demorado dois anos para conseguir juntar uma reserva de emergência ideal, seguiu a linha de raciocínio de Ana Laura. E fez um alerta para um erro que, segundo o sócio-proprietário da Favelado Investidor, é bastante comum.

“Você não pode desvalorizar sua reserva de emergência. Isso não pode acontecer de maneira nenhuma. Rentabilidade até pode focar, mas por último. Primeiro é a liquidez, a chance de resgatar rápido se você precisar. Depois a segurança e, por fim, a rentabilidade”.

A dica de Murilo para quem está começando e quer segurança é “direta”, no sentido literal da palavra: “Tem aí o Tesouro Direto, que é o investimento mais seguro do País. Tem os CDBs, mas precisa tomar cuidado para ver a liquidez. Tem os CDBs com liquidez diária, os fundos. Basta pesquisar um pouquinho e aí só transferir o dinheiro para a corretora e ser feliz”, brincou.

“Escadinha” para iniciantes

A dica dada por Murilo para investir no Tesouro Direto não é a primeira na “escadinha” de quem sonha em investir parte dos ganhos mensais. De acordo com Murilo e com Ana, o primeiro passo é não comprometer o orçamento pessoal.

“Existem as três escadinhas: Primeiro você economiza, depois você poupa e só aí investe. Se o dinheiro está parado na conta corrente ou debaixo do colchão, não está investido. Tem que escolher onde vai trabalhar para você”, avisou Ana Laura.

“Há um passo a passo para investir. O processo vem do gastar menos do que recebo para ter um saldo remanescente. Se conseguir passar desse passo, aí sim vai investir”, completou a representante da XP Inc.

Murilo ressaltou que é fundamental para as pessoas que pretendem investir que elas “não pulem etapas”, e esclareceu que a missão de guardar dinheiro para futuros investimentos é diferente para pessoas CLT (com emprego assinado em carteira) e informais.

“Existem dois tipos de pessoas: CLT e trabalhador informal. Primeiro é pegar o custo mensal total. Tudo o que sai do bolso dela em um mês. Para o CLT, é pegar a sobra e multiplicar por 6. O empreendedor tem que multiplicar por 12, já que o CLT tem mais segurança quando comparado ao empreendedor informal. O cara que é informal não tem seguro-desemprego, FGTS, nada”, lembrou.

“O mais importante é não pular etapas e ser prejudicada pela falta de responsabilidade delas mesmas. Tem muita coisa para resolver antes de fazer o primeiro aporte”, complementou o fundador da Favelado Investidor.

Aposta no virtual

Murilo deu uma dica valiosa para quem está em busca de uma renda extra, mas evitando sair de casa por conta da pandemia de coronavírus, ainda sem controle no Brasil.

Para o jovem empreendedor, a chave está no mundo virtual. “Dá pra fazer reserva sem sair de casa e sem correr riscos de pegar coronavírus. Algumas plataformas disponibilizam a chance de você montar uma loja virtual, criar um link e, se vender alguns desses produtos, ganha uma comissão em cima”, relatou, citando Amazon e Magazine Luiza como exemplos.

“Anuncia no grupo do Facebook, nos amigos do whats. Você nem sai de casa para vender esse produto e não é responsável pela entrada. Há várias maneiras de fazer renda extra. Sou favorável a empreender. Outra forma é fazer hora extra dentro do seu trabalho. Não sou tão favorável assim a vender seu tempo, mas, em momentos como esses, não vejo mal algum”.

Renda variável: bolsa ou investimentos dolarizados?

Renda variável foi o assunto que encerrou o debate com Ana Laura Magalhães e Murilo Duarte nesta quinta-feira, penúltimo dia da MoneyWeek.

Para a especialista da XPInc, “existe uma dicotomia interessante” quando se fala em renda variável. “É a melhor estratégia para maximizar patrimônio a longo prazo, mas também a que mais vai assustar as pessoas”, alertou.

“Para proteger a carteira, investimentos dolarizados podem ser uma saída. Se quiser proteger minha carteira, esta parte exposta a capital de fora pode ajudar a proteger”, completou Ana.

Murilo concordou com a visão da colega de campo de trabalho e foi além: “O investidor primeiro tem que olhar detalhadamente a carteira dele. Ver a posição que tem em bolsa, em renda fixa. Tem que considerar que cada empresa tem seu grau de risco. Às vezes podem até ser do mesmo segmento, mas são diferentes no tamanho”, pontuou.

“Pode diversificar em questões de ativos dolarizados. Aí a pessoa está diminuindo o risco do País. Ela pode ter ações, empresas, Fundos Imobiliários, mas ainda corre o risco do país. Lá fora é diferente. Já faz essa diluição de risco. Brasileiro está procurando formas de acumular patrimônio e a bolsa de valores, na minha opinião, é um dos melhores lugares para isso”, concluiu.

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