Na Money Week, Dominique Igel afirma que multimercados são oportunidades para todos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Money Week

Dominique Igel é sócia na Sagmo Capital. Trabalhou mais de uma década no Itau BBA e por oito anos no banco norte-americano Merrill Lynch. Foi entrevistada neste penúltimo dia de Money Week falando de multimercados e do cenário positivo brasileiro.

A Money Week é uma rodada de entrevistas que vai de 25 a 29 de novembro, organizada pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!, com todo o conteúdo disponível de maneira gratuita neste link.

“A gente tá passando por um momento único não só no mercado local, mas global”, diz. “Passa por uma disrupção. Primeiro, hoje, dados pessoais passaram a ser o novo petróleo. Segundo, os juros baixos sem precedentes, no mundo inteiro: Turquia, Rússia, todo mundo está passando por esse momento de juros baixos, que é uma tendência. E, terceiro, esse crescimento no Brasil que é saudável, sustentável, porque está vindo não mais dos agentes públicos, do BNDES, mas do agente privado, do mercado de capitais”.

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Oportunidades para todos

“A disrupção veio com o evento da XP, essa democratização de bons produtos a preços baixos”, analisa. “Hoje, o varejo tem oportunidade de ter na nossa carteira bons produtos. Antes, só clientes private, institucional. A EQI faz parte desse processo. É um ganha-ganha para o mercado financeiro, é um ganha-ganha para a economia brasileira”.

A questão dos juros baixos é uma tendência mundial, segundo Dominique. “É um efeito colateral positivo dos anos de recessão que a gente passou”, diz.

Já o crescimento, na visão de Dominique, não vai ser um crescimento “exuberante, mas sustentado, continuado, de mais ou menos de 2%, 2,5% ao ano”.

O multimercado para iniciantes

Para Dominique, para o investidor iniciante, os multimercados são uma boa entrada: “O investidor brasileiro sempre foi muito acostumado ao CDI 14% ao ano. Para você manter esse prêmio, tem que migrar para ativos com risco. Mas o brasileiro não está acostumado a essa volatilidade que o mercado tem. Quando você aposta num ativo só, pode ser surpreendido negativamente. Quando se vai para um multimercado, não é que não vai ter volatilidade ao longo do dia ou no mês, mas um multimercado que você tenha um time horizon de dezoito meses é uma boa solução para aquele investidor que está iniciando em ativos de mais risco”.

E por quê? “Ele vai poder ter exposição em renda variável, em renda fixa, em commodities, em moeda, mas não em um único ativo e sim numa cesta de ativos. E quando você fala de multimercado global, aí a diversificação é ainda maior e de mais qualidade”, explica.

É uma boa maneira do iniciante se acostumar com essa volatilidade e, ainda assim, ter bons retornos.

Diversificando

Mesmo com exposição a tantos ativos dentro e fora do Brasil, ainda é possível e recomendável variar o patrimônio. Dominique acha que é possível diversificar ainda mais: “Quando você tem exposição no multimercado global, pode ter um fundo de renda fixa, um fundo de renda variável, e com esse fundo multimercado não está adicionando exposição, você está de fato tendo um portfólio diversificado. Porque, quando você possui multimercado, também tem renda fixa e renda variável, mas se for só Brasil, estará adicionando exposição; se for um fundo multimercado global, estará de fato diversificando”.

Cotas dos fundos multimercados são oferecidos nas plataformas – da XP, da Órama, da BTG, existem mitas. “Com R$ 5 mil reais, você pode entrar em um bom fundo multimercado e esperar 18 meses para ver a performance. Lembre-se: investimento não é sprint, é uma maratona”.

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