Money Week: Michel Temer analisa os cenários para 2022

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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O ex-presidente Michel Temer participou do primeiro dia da Money Week  – Cenários 2022. A seguir, confira alguns dos principais pontos da entrevista.

Cenários para 2022, segundo Michel Temer

De acordo com Temer, várias medidas tomadas em seu governo, incluindo o polêmico teto para os gastos públicos, foram favoráveis para o PIB brasileiro.

“O teto de gastos foi um dos primeiros passos. Depois, encaminhamos reformas fundamentais para a economia brasileira, entre elas a trabalhista. Isso diminuiu sensivelmente a litigiosidade entre empregados e empregadores”, diz o ex-presidente.

Michel Temer explica que o teto de gastos parte de uma lógica trivial, de que é a de que ninguém pode gastar mais do que ganha.

“Com o estado, é a mesma coisa, pois, se isso acontece, gera-se um problema a cada exercício financeiro. Isso porque aumenta a dívida pública, o que prejudica de forma brutal a economia do país”, afirma.

Responsabilidade fiscal

Em relação ao seu governo, Temer disse que utilizou duas espécies de responsabilidades: a fiscal e a social. Nesse sentido, estabeleceu que, a cada novo orçamento, só se podia acrescentar a inflação anterior. Para ele, isso é importante para evitar as chamadas “medidas populistas”.

“Quando não há um teto para os gastos públicos, você pode acrescentar mais do que a inflação do ano ao orçamento. O teto evita que se acrescente verbas para a tomada de medidas populistas”, diz.

Na opinião de Temer, o teto dos gastos deu muita credibilidade fiscal ao Brasil, tanto no cenário interno quanto externo. “A credibilidade fiscal é algo importantíssimo para quem deseja investir. Isso porque é ela que traz a segurança jurídica”, afirma.

Responsabilidade social

Quanto à responsabilidade social, Temer disse que seu governo previu a hipótese de uma comoção interna ou calamidade pública. Nesse caso, há uma emenda constitucional para os gastos públicos que diz que se houver calamidade pública, pode-se utilizar os chamados créditos extraordinários. Ou seja, valores fora do teto de gastos.

Segundo Temer, o governo ainda poderia utilizar os créditos extraordinários, pois estamos sob os efeitos da pandemia. Isso porque, ao utilizar esses créditos, a tese de responsabilidade fiscal se mantém intocada. Dessa forma, continuaria vigorando o teto para os gastos públicos.

“Se o governo atual aplicasse essa legislação, muitas medidas poderiam ter sido tomadas de forma mais rápida e eficiente”, avalia.

Temer observa que, nos últimos anos, houve muitas disputas entre instituições e, também, um acirramento dos ânimos entre brasileiros nos períodos de eleições.

Nesse sentido, observa que a desarmonia traz instabilidade social, o que é prejudicial para a segurança jurídica. Consequentemente, isso se reflete em diversos setores, inclusive no financeiro.

Combate ao desemprego

Michel Temer afirma que, para combater o desemprego, é preciso incentivar o desenvolvimento industrial, com recursos públicos e privados.

“No caso do poder público, toda obra de infraestrutura é geradora de emprego. Mas não vamos nos iludir, o estado não tem tanto dinheiro assim para investir e empregar todos”, diz.

Por outro lado, Temer observa que a iniciativa privada brasileira, nos últimos tempos, também ficou muito abalada. Isso significa que é preciso incentivar o investimento estrangeiro produtivo no pais, que gere emprego. Dessa forma, o desenvolvimento favorecerá também o mercado financeiro.

“Lá fora, há trilhões de dólares procurando pouso seguro em alguns países. E percebo que há muitos que têm interesse em investir no Brasil. No entanto, as pessoas têm medo de colocar dinheiro onde há divergências políticas brutais como as nossas”, avalia.

Para Michel Temer, o Brasil é um campo muito fértil para atrair investimentos. Nesse sentido, ressalta a importância do agronegócio e de acordos internacionais para desenvolvimento de tecnologia. Mas, para isso, é preciso que o Brasil tenha boas relações internacionais.

“Não podemos nos isolar ou estabelecermos somente relações bilaterais. Ao invés disso, precisamos manter as relações melhores com todos com os países e atrair investimentos. E 2022, ano de eleições, será crucial para isso”, conclui o ex-presidente.