Money Week: Luke Ellis, do Man Group, analisa o panorama macro global

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

Luke Ellis, CEO do Man Group, empresa global de investimentos ativos, foi entrevistado por Roberto Chagas, head de venda variável da EQI Asset, durante a Money Week, evento online e gratuito, que acontece até esta sexta-feira (29).

Confira abaixo os principais pontos do bate-papo.

Economia global vive momento único

Para Ellis, diferentemente dos últimos 20 anos, em que o mundo vivia sob uma grande previsibilidade, o momento atual é de muita volatilidade.

“Na década de 1980, você tinha volatilidade. Depois, o mundo passou a, basicamente, seguir as mesmas políticas, com muita previsibilidade, todos os bancos centrais muito parecidos em suas movimentações. Agora, saímos da pandemia, depois de 18 meses, em um mundo muito volátil”, ele diz.

E complementa: “Ainda temos bons números de crescimento. Os EUA devem crescer 5% este ano, 4,5% ano que vem. Mas não sabemos com clareza se isso é apenas uma desaceleração ou se é o início do fim”, avalia.

Expectativa de inflação não pode ser criada

Outro ponto tocado por Ellis é a inflação, que vem em escala crescente no mundo todo. Segundo ele, os bancos centrais não podem permitir que seja criada uma expectativa de inflação na população.

“Todos se perguntam se a inflação será transitória ou duradoura, mas ela não pode durar tanto a ponto de criar expectativa de inflação. Porque a expectativa de inflação gera mais inflação. Atualmente, temos um choque do lado do fornecimento. Mas se ele persistir, a inflação começa a entrar na psicologia da pessoa média. E aí os bancos centrais terão que agir de maneira muito mais agressiva para controlar preços”.

Investimentos em ESG

Sobre ESG (sigla que distingue empresas com responsabilidade ambiental, social e de governança), ele acredita que algumas pessoas são levadas a investimentos assim apenas pelo modismo, mas que, na sua empresa, o termo é levado a sério.

“Nós fazemos a gestão do dinheiro que as pessoas estão guardando para usufruir daqui 20, 30 anos. É muito simples, daqui 20, 30 anos, esse investimento ainda vai fazer sentido? O mundo vai ter condição de suportar esse negócio?”, resume.

Modelo de gestão do Man Group

Segundo Ellis, o Man Group tem hoje cerca de 140 bilhões de dólares sob gestão, sendo que, intencionalmente, a empresa se posiciona em ativos com crescente oportunidade.  “Uma parte considerável do meu trabalho é garantir que eu chegue antes dos outros nesses ativos”, define.

“Acredito que os grandes jogadores de futebol não são aqueles que conseguem correr mais rápido, mas os que vão para onde a bola está indo. É nisso que focamos”, compara.