Money Week: gestor Luiz Paulo Aranha cita os motivos para o otimismo do mercado financeiro

Fernando Augusto Lopes
null

Crédito: Reprodução/YouTube

Luiz Paulo Aranha é gestor de equities na Moat Capital, empresa focada em produtos de ações. Ele tem uma visão bastante otimista do atual cenário econômico, tocado pela equipe do ministro Paulo Guedes. Uma mudança de rumo que faz o mercado dar uma guinada e traz muita esperança para quem investe, ele elogia.

“A gente está bastante otimista com o mercado, com a economia e com o país”, diz Paulo Aranha. “Quando o governo começou as reformas, três anos atrás, foi consolidando um cenário fiscal, com controle da inflação e juros muito baixos. Na nossa geração, a gente nunca experimentou um juro real próximo de zero. Essa é uma novidade para todo mundo do mercado financeiro. A consequência disso é muito importante. (Especialmente) para as empresas, no nosso mercado de capital aberto, pagando menos juros de suas dívidas. Os fluxos de caixa são descontados a taxas menores. Então, as empresas estão valendo mais”.

Luiz Paulo foi o primeiro entrevistado no quarto dia da Money Week, organizada pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!, que acontece de 25 a 29 de novembro, com todo o conteúdo disponibilizado gratuitamente na Internet. Basta acessar este link.

Impacto na economia real

Tanto otimismo pode contrastar com o que se vê nas ruas: desemprego, insatisfação, poder de compra atrofiado. Mas Luiz Paulo acredita que os princípios seguidos vão se refletir na vida das pessoas: “A gente ainda não sentiu na economia real os verdadeiros impactos disso, que é uma taxa de financiamento imobiliário mais barata. Empresas têm um custo de dinheiro mais barato: as pessoas que querem empreender vão ter acesso a capital também mais barato… Todos esses fatores vão começar a permear a economia a partir da consolidação desse juro real baixo, que é uma consequência dessa política fiscal do governo”.

Ele prossegue: “A reforma da Previdência consagrou isso, o que permite ao investidor acreditar que essa taxa de juros vai permanecer baixa por mais tempo. Você vai ter um ambiente de negócios mais favorável no Brasil”.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Mudança para renda variável

Quem tem dinheiro em renda fixa, ganhando dinheiro sem risco com títulos do governo, por exemplo, “vai ter que rever as carteiras”, segundo Luiz Paulo. “Vai ter um rendimento muito baixo. O governo para de gastar muito e ele cobra uma taxa de retorno mais baixa para tomar emprestado (porque preciso menos de dinheiro). É isso o que a reforma fiscal permite”.

“Quem tinha sobra de recursos”, ele continua, “antes de investir em ações, investir em outros empreendimentos, emprestava para o governo, que tinha uma taxa satisfatória. Isso tinha uma série de efeitos negativos na economia: desincentiva o investimento, concentrava renda, não gerava emprego etc.”, conclui.

Há um cenário que o mercado financeiro se antecipou, que reconheceu nas intenções do governo, embora ainda não tenha acontecido de fato, e seja por ora só um projeto em andamento. Luiz Paulo resume, então, o motivo do otimismo: “O governo era o ator principal na economia, tinha uma participação muito grande, tanto como Estado-empresário, com muitas empresas estatais – e ainda tem -, mas tinha um papel preponderante o investimento público, financiava as empresas via BNDES, que tinha uma parcela relevante de todo o crédito no país, e isso (tudo) mudou”.

O reflexo imediato foi o fato de que no último ano muita gente migrou para a renda variável, o que fez a Bolsa atingir marcas relevantes. Porém, nesse sentido, Luiz Paulo faz uma ressalva: “É preciso tomar cuidado, porque, apesar de a Bolsa estar num índice nominal histórico, se você descontar a inflação, o custo do capital, ou se você olhar a Bolsa em dólares, ainda tem muito espaço para andar”.

Olhando para frente

Esse espaço que Luiz Paulo atenta ao investidor tem relação com um futuro e um passado recente: “As empresas listadas em Bolsa, líderes de mercado, estão saindo de um patamar que estava cortando custos, caindo receitas, mas já melhorando lucros, por isso a Bolsa vem subindo, mas elas ainda estão com uma capacidade ociosa muito grande. Se a economia consegue ter mais demanda, elas vão conseguir crescer lucro com baixo investimento e uma rentabilidade ainda muito boa, sem pressão de custo, porque ainda o desemprego está muito alto, o aluguel está baixo”.

“Quando a gente andar no ciclo, mais dois, três anos”, continua, “a economia cresceu, cresceu a demanda, as empresas vão continuar crescendo, mas vai ter necessidade de expansão, investimento, pressão de custo, as margens começam a cair, e é o momento em que o PIB vai estar crescendo muito, só que pode não ser um bom investimento estar em ações”.

Isso porque o mercado sempre antecipa as expectativas. “Hoje”, segundo Luiz Paulo, “o que a gente vê de oportunidade é que as expectativas são muito boas, mas o mercado não precifica completamente esse crescimento que a gente vai ver nos próximos anos. A gente está no meio do caminho, que é a parte fácil das empresas crescerem com boa rentabilidade”.

E na renda variável as coisas mudam. O investidor tem que estar acostumado com as variações de preço, ter paciência e pensar a longo prazo: “É preciso ter uma cultura e educação para alocar em renda variável e em outras classes de ativos que vão começar a ser muito mais populares”.

LEIA MAIS:

Money Week: trader Moises Beida fala sobre análise técnica e a tentativa de “projetar o futuro”

Money Week: Rodrigo Borges, criador do Buscapé, avalia o mercado das startups nos estágios iniciais

Se considera um investidor conservador? Então você está em risco de extinção!

O cenário econômico virou do avesso e o país já não é mais o mesmo.

As taxas de juros caíram à níveis jamais vistos no Brasil desde o final do governo Militar (imagem abaixo) e levaram os rendimentos de Renda Fixa para próximo de Zero (ou negativos no caso da poupança).

Italian Trulli

A nova equipe econômica está incentivando novos investimentos no país, e com isso já não é mais possível ganhar dinheiro confortavelmente na poupança e em CDBs comuns. Por isso, estamos declarando a Extinção do Investidor Conservador.

Se você faz parte dessa espécie de investidor que está em risco de extinção, confirme seus dados no formulário abaixo e fale com nossa equipe. Vamos te ajudar, sem dor e sem custo.