Money Week: juros baixos e investidor PF na bolsa vieram para ficar

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução MoneyWeek

Dos debates que nortearam a segunda edição da Money Week, dois mereceram especial atenção: até que ponto os juros seguirão em baixa e se o ingresso do investidor pessoa física na bolsa veio para ficar.

Mesmo que os juros nos menores patamares históricos sejam reflexo de uma conjuntura de exceção, por conta da pandemia do novo coronavírus, o país vinha fazendo o seu dever de casa, com o acerto das contas.

Cabe lembrar que a aprovação da reforma da Previdência, no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, e do teto de gastos, com Michel Temer, foram os pilares de sustentação para, neste momento, o atingimento da Selic em 2,25%.

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“Eu acredito que juro baixo vai continuar”, disse Luiz Cezar Fernandes, diretor da Invixx, para quem o Banco Central vem tomando as ações corretas para manter a inflação sob controle.

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Luiz Cezar Fernandes, diretor da Invixx

Já a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, acrescentou que os juros estão num “patamar estimulativo da demanda”.

“Temos expectativa de juros baixos no médio e longo prazos”, afirmou, em referência ao horizonte de 18 meses a 24 meses, por consequência das altas taxas de desemprego, em meio ao cenário de recessão econômica.

As declarações foram dadas na live que fechou a segunda edição da Money Week, nesta sexta-feira (26).

Reformas

Mesmo diante dos avanços, os especialistas alertaram que o país precisa retomar a agenda de reformas, que acabou ficando de lado após a aprovação da nova Previdência.

“Houve uma falha e uma acomodação do governo de não trazer novas propostas”, comentou Rafaela.

Fernandes também reforçou que o governo não teve o mesmo empenho para levar adiante a aprovação de reformas adicionais, como a tributária e administrativa.

Ex-sócio de Paulo Guedes, Fernandes avaliou que o ministro teve as premissas e diagnósticos corretos, mas faltou um maior poder de negociação com o Congresso.

“O erro foi entregar (a proposta) ao Congresso e não defender suas ideias, que estavam adequadas e na direção correta”, disse, pontuando que Guedes precisará ter “disciplina e paciência” para seguir na condução das reformas.

Bolsa e juros

Como juros baixos, houve um avanço do número de investidores pessoal física na bolsa que, mesmo com os percalços dos mercados acionários, sobretudo em março, quando as bolsas derreteram, se manteve firme.

Foram mais de 800 mil novos investidores, elevando o número total para mais de 2,5 milhões de CPF’s.

“Mesmo com a bolsa em queda, vemos um movimento de amadurecimento, com os investidores buscando novas opções de aplicações, em paralelo à queda dos juros”, disse Rafaela.

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Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter

Para Fernandes, que operou no mercado de ações em seus primórdios, nos anos 70, a bolsa se desenvolveu de forma “extraordinária”, com a B3 sendo uma das mais eficientes do mundo.

“Navegamos num mercado de capitais em crescimento. O que falta agora é criar um mercado de crédito privado, atualmente concentrado nos grandes bancos”, disse.

De acordo com ele, se tivermos um mercado de crédito privado dinâmico, como o de capitais, grandes projetos de infraestrutura poderão ser financiados desta maneira.

Rafaela destacou ainda a nova geração de investidores de bolsa: “hoje se compra e vende ações pelo celular. Temos inclusive adolescentes que precisam da autorização dos pais para operar o home broker”, exemplificou.