Money Week: Jason Vieira, da Infinity Asset, diz que Brasil avança em meio a processo global de desaceleração econômica

Fernando Augusto Lopes
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Crédito: Reprodução / Internet

Recentemente, a China e a zona do euro apresentaram resultados que apontam para a desaceleração de suas economias. Isso acende um alerta para uma desaceleração global.

No primeiro dia da Money Week, realizada pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir e que acontece de 25 a 29 de novembro (para participar, basta clicar aqui.) a jornalista Fabiana Panachão entrevistou Jason Vieira, economista-chefe na Infinity Asset Management. Ele apontou as razões e os cenários que levaram a esse quadro de recuo global.

“Nós passamos agora por mudanças grandes de paradigmas e boa parte delas foi repensada a partir de 2008, com a crise das hipotecas”, afirmou ele na entrevista. “A partir dali, o que se conhecia como globalização, ou seja, movimentos relativamente sincronizados de crise ou de crescimento global, se desfizeram. E parâmetros de respostas a indicadores macroeconômicos também mudaram e se tornaram bastante regionalizados. A única coisa que há sincronizada de certa maneira nesse cenário é que estamos entrando em um movimento de desaceleração de crescimento macroeconômico”.

Donald Trump e a volatilidade singular

Segundo Jason, além da crise de 2008, a retórica bélica de Donald Trump ajudou a compor o quadro atual: “ele tem sido a grande força de volatilidade singular em nível global; boa parte de toda volatilidade do mercado financeiro e das economias nos últimos dois anos tem (como causa) Donald Trump”.

A língua errática e os dedos que soltam tuítes sem pensar fazem do presidente estadunidense uma incógnita. A guerra comercial com a China é um dos nós que ele precisa desatar.

“A China depende necessariamente de um ciclo internacional de crescimento mais estável. O último PIB saiu 6,1%, veio para 6%, já assustou todo mundo, ainda que os indicadores de indústria e varejo tenham vindo melhores do que a expectativa. A China tem um plano de crescimento de longo prazo, mas ainda depende de uma estabilidade global, que Donald Trump ainda não ofereceu”, diz Jason.

O economista acredita que essa estabilidade, por conta das eleições norte-americanas, pode ser oferecida por Trump “por um ano, mas é tudo muito incerto, porque é a cabeça de uma pessoa instável, que não tem apoio total dentro dos Estados Unidos, nem dentro do próprio partido”.

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E o Brasil?

“Como isso afeta o nosso país, dentro da nossa bagunça interna?”, questiona a jornalista.

Jason enxerga que a crise de desaceleração não vai grudar no Brasil: “aqui, temos uma vantagem: a questão política conseguiu se isolar do que é importante, a agenda de reformas. O Congresso tomou para si a agenda de reformas e quer tomar o bônus eleitoral disso. Entendeu que a reforma é popular”.

E continua: “Estamos no contrapé de um processo de desaceleração, nós viemos de um cenário muito ruim para um cenário, ainda que lento, de recuperação. Os indicadores mais recentes mostram que já tivemos um Dia das Crianças melhor e provavelmente teremos uma Black Friday positiva e um Natal também positivo. Estamos começando a gerar um ciclo de recuperação financeira, apesar dos ruídos gerados pelo governo”.

Dólar alto

Jason afirma que o dólar alto no Brasil não tem nada a ver com a questão política: “nós temos um isolamento. Enquanto passarem as reformas, o mercado não vai dar atenção a isso (às infantilidades do governo Bolsonaro). A questão do dólar é que os mercados ainda estavam nervosos com a volatilidade em nível internacional, os mercados emergentes foram muito cruéis com os investidores estrangeiros, que sofreram com a Argentina, com África do Sul, com o México, com a Polônia, e optaram por uma série de países asiáticos, que deram maior segurança em investimento – Vietnã, Malásia, Indonésia –, mas eles têm no Brasil um alvo de possível investimento, que não vai acontecer enquanto não acontecerem as reformas”.

Há ainda impactos causados pelas mudanças políticas na América Latina, especialmente na Argentina e a fuga de investidores internacionais: “Tivemos uma fuga maciça de investidores de bond. Quando esses investidores internacionais se desfizeram de posições nos mercados emergentes e migraram pro dólar, geraram dois efeitos: desvalorização das moedas locais – no momento em que ele se livra desse ativo e joga moeda local na economia, ele aumenta a oferta de moeda local, fazendo com que o valor dela caia, e ele foi para o dólar, dando aquela distorção de curva que todo mundo se assustou, e com isso o dólar em nível global disparou e o Brasil foi o alvo principal”.

Jason não vê por onde o valor do dólar retroceder, mas enxerga na previsão de fluxo de entrada de capital estrangeiro por conta da possibilidade de concessões e privatizações uma possibilidade que leve a uma redução do fluxo da moeda norte-americana, “o que já fez o dólar cair nessas semanas anteriores (à da Money Week)”.

Perigo na política monetária

“O que está acontecendo no Brasil é um sintoma do que tem acontecido no mundo”, segue Jason, em sua análise. “Nossa inflação não mudou em termos estruturais, ela é uma inflação que está conjunturalmente fraca, mas temos problemas ainda, já que tudo é indexado na nossa economia, temos margens achatadíssimas no Brasil a curto prazo, ou seja, o produtor e o atacadista, quando vir a atividade econômica e as pessoas consumindo, vai tentar retomar parte dessa margem que ele perdeu durante anos. Ou seja, há perigos ainda em relação à política monetária no Brasil. Na Europa, a gente tem um problema grave da utilização excessiva de juros negativos, que se houver uma recessão, sabe-se lá que instrumento eles vão utilizar. E o Estados Unidos talvez seja o país que esteja tomando a postura mais cautelosa nesse momento, para tentar entender esse novo cenário global completamente louco”.

Jason termina sua participação na Money Week com um ponto de interrogação que se agiganta na cabeça dos investidores: “não se sabe qual vai ser o futuro, mas é um momento bastante interessante para ser economista”.

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