Money Week, IPCA-15, IGP-M e Ata do Fomc agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Destaque da agenda da semana, a Money Week, maior evento online de negócios e investimentos, começa nesta segunda (23). Setenta personalidades falarão em palestras nesta terceira edição da Money Week.

O calendário da semana inclui alguns pontos de atenção do mercado.

Boletim Focus: mercado eleva projeção de inflação para 2020 e 2021

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A divulgação do IPCA-15, prévia da inflação, está no radar dos investidores neste período de altas de preços.

O anúncio do IGP-M também sai esta semana, com expectativa pelo número consolidado de noivembro. Vale acompanhar ainda a prévia do IPC-S, na leitura da terceira quadrissemana.

Outros dois termômetros importantes da economia saem nos próximos dias, caso do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

Dados da dívida pública serão anunciados na quarta (25).

Na agenda externa, a quarta terá a divulgação da ata do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), do Federal Reserve.

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O relatório do banco central americano trará indicativos dos rumos da política monetária do país, que segue com números altos de casos de Covid-19 e incertezas a respeito da retomada da economia.

Números do PIB dos EUA e do Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) saem esta semana, com dados aferidos sob a mira do mercado.

Bolsa acima dos 105 mil

Em semana apreensiva, a bolsa viveu os últimos dias em meio ao sobe e desce vertiginoso da volatilidade — mas saiu-se bem, no terreno positivo.

Temas como os números crescentes do novo coronavírus, nos EUA, Europa e até no Brasil, a possibilidade de desfechos das pesquisas sobre a vacina contra a Covid-19, além do ainda incipiente pacote de estímulo da economia nos EUA, seguem sob olhar preocupado dos investidores.

Devem pautar esta semana, mas não só esses assuntos.

Relembrando: a bolsa de valores brasileira fechou em baixa de 0,59% nesta sexta-feira (20), a 106.042,48 pontos. A semana acabou ganhando mais 1,26%.

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Apreensão

O temor da não renovação de programas de ajuda e recorde do número de casos de coranavírus nos EUA nortearam a volatilidade.

Teve mais. No Brasil, o mercado desconfia da situação fiscal do país.

O ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou que fará “o que for necessário” para reduzir a dívida, citando entre as medidas a possibilidade de “até vender um pouco de reservas”, atualmente em US$ 355,5 bilhões.

A dívida bruta do governo tende a encerrar 2020 em 96% do PIB, de acordo com o Tesouro Nacional, em virtude do aumento de gastos provocados pelo combate ao coronavírus.

“A dívida tem que cair. E a maneira de fazer isso é vender ativos, privatizar, desalavancar bancos públicos, reduzir a dívida interna e até vender um pouco de reservas”, ponderou.

Com tudo isso, o Ibovespa acumula alta de 12,87% no mês. Já no ano, as perdas acumuladas estão em 8,30%.

O dólar fechou em alta de 1,35%, cotado a R$ 5,3858, nesta sexta-feira (20).

Na sexta a moeda encerrou o dia em queda de 0,44%, cotada a R$ 5,3141, em seu nível mais baixo desde 17 de setembro, quando tinha fechado em R$ 5,23.

Wall Street diminui o otimismo

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, anunciou na quinta (19) que não estenderá programas de empréstimos de emergência estabelecidos com o Federal Reserve.

Eles devem expirar em 31 de dezembro. Segundo Mnuchin, os instrumentos já “claramente alcançaram seu objetivo”.

Afirmou tanbém que os legisladores deveriam redirecionar o financiamento não gasto para impulsionar a economia, enquanto os EUA — e o mundo — esperam por uma vacina contra o coronavírus.

Na terça (17), o presidente do Fed, Jerome Powell, porém, havia afirmado que não era apropriado ainda retirar os programas.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, concordou em retomar as negociações com os democratas do Congresso sobre a verdadeira saga do pacote ainda não indefinido da economia.

O otimismo dos investidores em relação ao progresso da vacina, que elevou os estoques globais a um pico histórico no início da semana, começou a diminuir em meio a um aumento nos casos de Covid-19.

Enquanto o país bate recordes de contaminação (com números que chegam a quase 180 mil a cada 24 horas e quase a totalidade dos estados passa por alta), o mercado acabou encerrando a semana no negativo: O S&P recuou 0,68%, o Dow Jones caiu 0,75% e o Nasdaq perdeu 0,42%.

Os índices europeus subiram pouco: o DAX, Alemanha, teve alta de +0,34%.. O FTSE, Reino Unido, ganhou 0,20%. CAC, na França, avançou 0,40%. FTSE subiu 0,72% e o Stoxx 600 teve alta de 0,45%.

A Ásia encerrou a semana mista: Nikkei, Japão, caiu 0,42%, e Xangai, na China, subiu 0,44%.

A semana começa com perspectiva de instabilidade maior que o otimismo pela vacina nos mercados globais, que imperou dos últimos dias.

Novidades dos laboratórios que testam vacinas podem mudar o quadro. Mas a alta de casos e médias móveis traz inquietação.

Money Week

Excelente oportunidade para refletir, compreender, aprender e tirar lições sobre investimentos, negócios e economia — a terceira edição da Money Week promete palestras e ideia instigantes de personalidades convidadas.

O evento, online e gratuito, é a maior atração do mês. Começa nesta segunda e vai até sexta (27).

O evento contará com palestras de 70 personalidades, com destaque para Luiz Barsi FilhoLouise BarsiSergio Zimerman, o CEO da Petz (PETZ3); para o ministro da Infraestrutura Tarcísio FreitasAndré Esteves, sócio-sênior do BTG Pactual; Juliano Custodio, CEO da EQI e idealizador da MoneyWeek, entre outros.

Clique aqui e inscreva-se na Money Week 2020.

Imperdível na Money Week

A crise da Covid-19, que afetou globalmente e seriamente a economia de praticamente todos os países, será tema central desta edição.

Os palestrantes também farão projeções sobre o que esperar do cenário pós-Covid, em 2021.

Um deles é Luiz Barsi Filho, de 81 anos, conhecido como o maior investidor individual em bolsa de valores no Brasil.

Ele tem mais de R$ 2 bilhões aplicados em ações.

Louise Barsi, filha caçula do “rei dos dividendos”, também será uma das grandes atrações do evento. E promete ensinar aos inscritos um pouquinho mais sobre o “jeito Barsi de investir”.

Outro é convidado é Sergio Zimerman, CEO da Petz (PETZ3), que estreou este ano na bolsa.

A programação completa você pode ver aqui

IPCA-15

Indicadores vêm apontando alta em vários setores da economia. Projeções foram revisadas para o alto — num quadro que preocupa o governo e, claro, o mercado.

Luis Stuhlberger alerta sobre crise fiscal e risco de títulos prefixados

IPCA acelera 0,86% em outubro, pouco acima das projeções

Nesse cenário sai na próxima terça (24) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), tido como prévia da inflação.

O indicador teve alta de 0,94% em outubro. Foi o maior resultado para o mês desde 1995. E ficou acima da projeção do mercado, que era por 0,81%, ante 0,45% do mês anterior.

No ano, a prévia da inflação acumulou alta de 2,31% e em 12 meses atingiu 3,52%.

A divulgação é feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Alerta

Para o analista e sócio da EQI Paulo Filipe de Souza, o resultado acima do esperado serve de alerta de que pode haver uma alta de juros mais rápida do que esperado a partir do ano que vem.

“Uma das formas do Banco Central controlar a inflação é subindo a taxa básica de juros e, se a inflação romper a meta, isso deve ocorrer”, ele diz.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir sobre os juros, com o mercado apostando amplamente que a taxa Selic deverá se manter em 2% até o fim deste ano.

Outra recomendação é, que neste cenário, o investidor deve procurar por títulos pós-fixados, que apresentam taxas mais interessantes que os pré-fixados.

Alimentos e bebidas puxaram a alta do IPCA-15 em outubro

Os preços dos alimentos e bebidas pressionaram o IPCA-15 de outubro, com a maior alta (2,24%) entre os grupos e o maior impacto (0,45 ponto percentual).

A maior contribuição (0,13 p.p.) veio das carnes (4,83%), na quinta alta consecutiva.

O índice também foi puxado pelas altas do óleo de soja (22,34%), do arroz (18,48%), do tomate (14,25%) e do leite longa vida (4,26%).

Houve queda nos preços da cebola (-9,95%) e da batata-inglesa (-4,39%).

IGP-M

Na sexta será o dia da divulgação do O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta o aluguel e é divulgado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

O índice desacelerou em outubro: ficou em 3,23%, ante 4,34% do mês anterior.

Mas prévias das últimas semanas vêm mostrando tendência de alta.

O índice acumula alta de 18,10% no ano e de 20,93% em 12 meses.

Comparativamente, em outubro de 2019 o índice havia subido 0,68% e acumulava alta de 3,15% em 12 meses.

Segundo André Braz, coordenador da pesquisa, o IGP-M de outubro foi influenciado pela trégua oferecida pelo minério de ferro, que contribuiu para a desaceleração da taxa do Índice de Preços ao Produtor Amplo (5,92% para 4,15%).

A variação do preço da commodity passou de 10,81% para queda de 0,71%, movimento que favoreceu o recuo da taxa do grupo matérias-primas brutas (10,23% para 5,55%).

Os demais índices componentes do IGP-M, permaneceram em aceleração. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,77%, ante 0,64% em setembro, alta influenciada pelo grupo alimentação (1,30% para 1,90%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (1,15% para 1,69%) subiu graças à aceleração do grupo materiais e equipamentos, cuja taxa passou de 2,97% para 4,12%”, afirma.

IGP-M: IPA

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) de outubro variou 4,15% em outubro, ante 5,92% em setembro. Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais subiu 2,84% em outubro. No mês anterior, o índice havia registrado taxa de 2,83%.

A principal contribuição partiu do subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de 0,34% para 9,28%, no mesmo período.

IPC, Caged e dívida pública

A agenda doméstica da semana trará ainda um índice preliminar do IPC, na terceira semana do mês.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), indicador de inflação que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, teve alta de 1,19% no encerramento de outubro. Em setembro, a variação foi de 1,12%.

O Caged, mais um indicador de peso, será anunciado na quinta (26).

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de outubro confirmaram que a retomada do mercado de trabalho do Brasil segue em trajetória ascendente.

O país registrou em outubro, pelo 3º mês seguido, um saldo positivo na geração de empregos com carteira assinada.

Foram criadas 313.564 novas vagas no mercado de trabalho entre 1 e 30 de setembro, decorrentes de 1.379.509 admissões e 1.065.945 demissões no período.

A PNAD contínua de setembro sai na sexta.

A taxa de desemprego chegou a 14,4% no trimestre terminado em agosto.

Houve aumento de 1,6 ponto percentual frente ao trimestre encerrado em maio (12,9%).

Foi a maior taxa registrada na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012. A pesquisa é divulgada pelo IBGE.

O relatório mensal da dívida pública de outubro sairá na quarta.

A Dívida Pública Federal (DPF), que inclui o endividamento interno e externo dogoverno federal, subiu, em termos nominais, 1,56% em agosto, na comparação com julho.

Foi o que informou nesta segunda (28) a Secretaria do Tesouro Nacional.

O estoque passou de R$ 4,344 trilhões para R$ 4,412 trilhões

Alta

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que é a parte da dívida pública em títulos no mercado interno, subiu 1,35% em agosto, passando de R$ 4,118 trilhões para R$ 4,174 trilhões.

A alta deve-se, segundo o Tesouro, à emissão líquida de R$ 32,2 bilhões na DPMFi.

Além disso, houve apropriação positiva de juros (quando os juros da dívida são incorporados ao total mês a mês), no valor de R$ 23,5 bilhões. ]

A emissão líquida de títulos da Dívida Pública Mobiliária Interna deu-se pela diferença entre o total de novos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional – R$ 113,79 bilhões – em relação ao volume de títulos resgatados (embolsado pelos investidores), que somou R$ 81,59 bilhões.

Ata do Fomc

Na agenda externa o centro das atenções na semana fica com a ata do comitê do Fed.

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) manteve em 5 de novembro as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, disse que a pandemia de coronavírus continua impactando a economia do pais, afetando o emprego e a atividade.

O Fed manteve sua política monetária de afrouxamento intacta e se comprometeu novamente a fazer o que puder nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia.

O banco central dos EUA não comentou sobre a eleição em seu comunicado de decisão de política monetária divulgado após reunião de dois dias.

“A atividade econômica e o emprego continuaram a se recuperar, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano”, disse o Fomc.

“A pandemia da Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo.”

Esse diagnóstico foi feito antes de uma escalada ainda maior de casos de coronavírus no país.

Patamares abaixo dos níveis pré-pandemia

Mais uma vez, o Fed disse estar empenhado em usar toda a gama de ferramentas para apoiar a economia do país.

“A atividade econômica e o emprego ainda estão em recuperação, com indicadores abaixo dos níveis do início do ano”, diz o comunicado, divulgado em meio à indefinição do desfecho das eleições presidenciais.

O Fomc reforçou que a trajetória da economia dependerá do curso da pandemia.

A nova onda de coronavírus que atingiu em cheio o planeta, especialmente os Estados Unidos, acendeu o alerta do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano).

Foi o que disse Jerome Powell, presidente da instituição, na última terça (17), quando participou de um evento virtual promovido pela Bay Area Council.

Poewll voltou a afirmar que o Fed fará tudo o que estiver ao alcance para aquecer a economia. Mas pediu ajuda.

“O Fed está comprometido em usar todas as nossas ferramentas para apoiar a recuperação pelo tempo que for necessário até que o trabalho esteja bem e verdadeiramente feito”, assegurou.

O executivo afirmou que “a economia provavelmente precisará de mais apoio fiscal também”, e que “o aumento de hospitalizações é uma grande preocupação”, pois pode levar a um recuo e a uma desaceleração da economia.

Fed prospecta sobre vacina e os próximos meses

Assim como fez em oportunidades recentes, Jerome Powell também abordou com um pouco mais de atenção as expectativas do Fed para a chegada de uma vacina eficaz contra o coronavírus. E se animou: “Essas são certamente boas e bem-vindas notícias a médio prazo”.

Ao projetar o que espera do cenário econômico para o curto e médio prazo, no entanto, o executivo mostrou preocupação.

O cenário para os próximos meses, segundo Jerome Powell, no entanto, não é de águas tranquilas para se navegar.

“Do nosso ponto de vista, é muito cedo para avaliar com confiança as implicações das notícias para o caminho da economia, especialmente para o curto prazo”, pontuou.

“Os próximos meses podem ser desafiadores”, concluiu o presidente.

A semana terá ainda a divulgação do PIB dos EUA (na quarta) e dados sobre o PMI de novembro, no mesmo dia.

PIB americano cresceu 33,1% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, em dados prévios, anualizados, divulgados em 29 de outubro pelo escritório oficial de estatísticas (BEA) do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

Pela métrica não anualizada, a alta foi de 7,4%.

A expectativa era de uma alta de 31%, também em dados anualizados. Entretanto, os números ainda passarão por duas revisões nos próximos meses.

O resultado veio após uma queda de 31,4% no segundo trimestre, devido aos impactos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, foi melhor do que a estimativa de 32% dos economistas consultados pelo Wall Street Journal.

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